Barbie do crime é presa em condomínio de luxo
Suspeita e comparsas foram flagrados em condomínio de alto padrão em Piracicaba após alugarem imóvel com dados falsos e filmarem casas de moradores de forma suspeita

‘Barbie do Crime’ é presa após se infiltrar em condomínios de luxo para furtos; suspeita já levou R$ 1 milhão de apartamento, diz Polícia Civil
A Polícia Civil de São Paulo prendeu novamente Paola Co Carita Gobel, de 32 anos, conhecida como “Barbie do Crime” e “Mulher Gato”, após suspeita de se infiltrar em condomínios de luxo para praticar furtos. A mulher, natural de Poços de Caldas (MG), foi detida junto a três homens em um condomínio de alto padrão em Piracicaba (SP). O grupo é apontado como responsável por atuar em imóveis de alto valor e por ter subtraído, em crime anterior, cerca de R$ 1 milhão de um apartamento.
A ação teve início após moradores relatarem que novos residentes chegaram ao condomínio apenas com colchões e poucas malas, sem mudança estruturada, e passaram a filmar outras casas enquanto escondiam os rostos com blusas. O comportamento chamou a atenção da 1ª Delegacia de Investigações Gerais (DIG/Deic), que iniciou apurações.
Durante as diligências, a polícia constatou que o contrato de locação apresentado pelo grupo havia sido feito em nome de um servidor público que já havia registrado boletim de ocorrência relatando uso indevido de seus dados.
“A partir dessas inconstâncias, presumimos que havia pessoas reunidas para, eventualmente, práticas criminosas, já que a posse do imóvel seria ilegítima, por um contrato fraudulentamente feito, possivelmente pago com cartões também clonados”, afirmou o delegado Marcel Willian Oliveira de Souza.
Com indícios suficientes, a polícia solicitou mandado de busca, cumprido na última quarta-feira (19). No interior da residência estavam os três homens e Paola, que apresentaram o contrato fraudado na tentativa de justificar a permanência no local. No imóvel também foram encontrados drogas e um veículo furtado. Os suspeitos ainda tentaram destruir um celular para evitar apreensão.
O grupo foi preso em flagrante, e a Justiça decretou a prisão preventiva no dia seguinte. Segundo as investigações, eles haviam chegado ao condomínio no dia 14 e se preparavam para iniciar um novo ciclo de furtos antes da intervenção policial.
O delegado também revelou que dois dos detidos já haviam sido presos anteriormente pelo próprio Deic por crimes mais graves. Paola, em particular, possui histórico extenso:
“Ela estava envolvida num furto de um apartamento onde foi subtraído um milhão de reais, mais ou menos. O Deic de São Paulo realizou a prisão dela na casa do namorado, que foi preso com drogas”, explicou Souza.
Modus operandi sofisticado
As investigações apontam que o grupo adotava um método organizado para infiltração em condomínios de alto padrão. Primeiro, uma pessoa ingressava no local, seguida por outra, que se apresentava como “namorado” ou visitante, criando uma falsa sensação de normalidade. Enquanto isso, outros ficavam no veículo, observando movimentações, registrando imagens e preparando rotas de fuga.
Além disso, os criminosos utilizavam nomes falsos no acesso ao condomínio, estratégia que dificultava a identificação e permitia que circulassem sem levantar suspeitas imediatas.
Agora, a Polícia Civil aguarda a conclusão de perícias nos celulares apreendidos para identificar possíveis comparsas e confirmar se mais pessoas ingressaram no condomínio durante o período em que o grupo permaneceu no imóvel.
Os quatro detidos foram autuados por associação criminosa, adulteração de sinal identificador de veículo automotor, receptação dolosa, violação de domicílio e uso de identidade falsa. Todos já tinham passagens por formação de quadrilha, furtos e roubos a residências.
Alerta para condomínios de alto padrão
Especialistas em segurança e gestão condominial destacam que o caso reforça a necessidade de protocolos rígidos de acesso e monitoramento, mesmo em residenciais considerados seguros. O uso de contratos falsos, identidades adulteradas e ocupação aparentemente regular mostram como quadrilhas especializadas vêm aperfeiçoando as formas de driblar portarias e sistemas de vigilância.
A recomendação inclui atenção redobrada na validação de contratos de locação, monitoramento de rotinas atípicas e comunicação rápida entre síndicos, porteiros e moradores. A integração com autoridades e a capacitação das equipes internas também são fundamentais para inibir tentativas de invasão e furtos de grande impacto financeiro.
Fonte: G1