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Porto Alegre ganha bairro privativo de luxo

Golden Lake, da Multiplan, terá 20 torres, 1,4 mil unidades e VGV estimado em R$ 5,2 bilhões quando concluído

Bairro privativo de luxo em Porto Alegre terá apartamento de R$ 28 milhões
Foto: Reprodução

Golden Lake avança em Porto Alegre com condomínio de luxo e apartamento de R$ 28 milhões

O mercado imobiliário de alto padrão de Porto Alegre ganha uma nova dimensão com o avanço do Golden Lake, empreendimento da Multiplan que está sendo desenvolvido próximo ao Barra Shopping Sul. O projeto chega agora à terceira fase, com o lançamento do Lake Baikal, consolidando uma proposta que reúne moradia de luxo, infraestrutura condominial e proximidade com um grande centro comercial.

Quando estiver concluído, o Golden Lake terá 20 torres residenciais, aproximadamente 1,4 mil unidades e 250 mil metros quadrados de área privativa. O Valor Geral de Vendas (VGV) estimado para todo o projeto é de R$ 5,2 bilhões.

A proposta é formar uma espécie de bairro privativo de alto padrão dentro de Porto Alegre, reunindo diferentes complexos residenciais em um único projeto. A expectativa da Multiplan é que o empreendimento possa receber cerca de 8,4 mil moradores quando todas as fases forem concluídas.

A localização também faz parte da estratégia do projeto. O Golden Lake está a menos de um quilômetro do Barra Shopping Sul, também administrado pela Multiplan. A empresa pretende aproveitar a proximidade entre o empreendimento residencial e o centro comercial para aumentar o fluxo de consumidores e criar uma relação direta entre os moradores e o shopping.

Segundo dados apresentados pela companhia, o Barra Shopping Sul recebeu, em 2025, cerca de 31,5 mil visitantes diariamente. No primeiro semestre de 2026, o consumo médio por visita chegou a R$ 1.670.

A estratégia de aproximar empreendimentos residenciais de shopping centers faz parte de uma atuação mais ampla da Multiplan. A companhia busca utilizar terrenos próximos aos seus centros comerciais para desenvolver projetos residenciais e comerciais capazes de aumentar a densidade urbana e, consequentemente, o fluxo de consumidores no entorno.

O Golden Lake é composto por diferentes fases. O Lake Victoria foi o primeiro complexo entregue, enquanto o Lake Eyre está em construção e o Lake Baikal acaba de ser lançado.

O Lake Victoria possui quatro torres, 94 unidades e edifícios com entre 10 e 17 pavimentos. É nesse complexo que está o apartamento mais caro do projeto, avaliado em aproximadamente R$ 27,8 milhões e com 869 metros quadrados.

Já o Lake Eyre terá duas torres, 127 unidades e 22 pavimentos. Os apartamentos possuem até 327 metros quadrados, com preços que variam de R$ 2,5 milhões a R$ 6,8 milhões. A previsão de entrega é para 2028.

A terceira etapa, o Lake Baikal, terá duas torres, 88 unidades e 31 pavimentos. Os apartamentos terão até 254 metros quadrados e a previsão de entrega é junho de 2030.

Com as três primeiras fases, o empreendimento passa a reunir 309 unidades residenciais e aproximadamente 73 mil metros quadrados de área privativa. O VGV estimado para essas etapas chega a R$ 1,4 bilhão.

O projeto também apresenta uma característica importante para o segmento de condomínios de alto padrão: a diversidade de áreas comuns e serviços destinados aos moradores. Entre as estruturas disponíveis estão SPA, salão de beleza, sauna, piscina aquecida, piscina externa, academia, sala de pilates, sala para bicicletas e salão gourmet.

No Lake Victoria, algumas unidades contam ainda com piscina privativa ou jacuzzi, ampliando o nível de exclusividade oferecido aos compradores.

A estrutura condominial, entretanto, também representa custos de manutenção. No Golden Lake, a taxa de condomínio foi estabelecida em R$ 15 por metro quadrado. Dessa forma, no maior apartamento do projeto, com 869 metros quadrados, a despesa mensal estimada chega a R$ 13.035. No menor imóvel, o custo seria de aproximadamente R$ 1.905.

A diferença evidencia como o valor do condomínio se torna um componente relevante no mercado de alto padrão. Além do preço de aquisição, o comprador precisa considerar as despesas permanentes associadas à manutenção da estrutura e dos serviços oferecidos pelo empreendimento.

O modelo também exige uma administração condominial preparada para lidar com uma infraestrutura mais complexa. Piscinas, academias, áreas de bem-estar, sistemas de segurança, jardins e demais espaços compartilhados demandam manutenção permanente, contratos especializados e planejamento financeiro.

Outro aspecto que chama atenção é a evolução do preço dos imóveis. Segundo a Multiplan, o Golden Lake começou a ser comercializado por aproximadamente R$ 13 mil por metro quadrado. Atualmente, a média já supera R$ 20 mil por metro quadrado, sem considerar a correção pela inflação.

A valorização ocorreu mesmo diante da pressão dos custos de construção. A empresa informou que o projeto enfrentou aumento do custo dos materiais e serviços, além dos impactos provocados pelas enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul e contribuíram para atrasos nas obras.

Segundo a companhia, a valorização dos preços de venda conseguiu compensar parte da elevação dos custos. A estratégia adotada foi aumentar o preço dos imóveis em ritmo superior ao crescimento das despesas de construção.

A Multiplan também avalia que a expansão do empreendimento poderá gerar ganhos de escala. Com um número maior de torres e unidades, determinados custos podem ser distribuídos entre uma quantidade maior de apartamentos, reduzindo o custo médio da operação.

O empreendimento também apresenta uma estratégia diferente em relação à velocidade de vendas. A companhia afirma que não trabalha com a intenção de comercializar todas as unidades rapidamente, priorizando a manutenção dos preços.

O Lake Victoria, lançado em outubro de 2021, ainda possuía cerca de 19% das unidades disponíveis quase cinco anos depois. Para a empresa, esse estoque não representa necessariamente um problema, já que a estratégia está relacionada à preservação dos valores dos imóveis.

No Lake Victoria, o VGV estimado é de R$ 600 milhões, dos quais R$ 444,8 milhões já haviam sido vendidos. No Lake Eyre, o VGV estimado chega a R$ 350 milhões, com R$ 293,6 milhões comercializados até o momento.

O perfil dos compradores também reflete a proposta do empreendimento. Entre os potenciais moradores estão empresários, médicos, advogados e fazendeiros, além de pessoas que buscam o imóvel como primeira ou segunda residência e investidores interessados no segmento de alto padrão.

A combinação entre moradia, lazer, segurança, serviços e proximidade com um shopping representa uma mudança na concepção tradicional de condomínio residencial. Em vez de oferecer apenas uma unidade habitacional cercada por áreas comuns, o projeto busca criar uma experiência integrada de moradia e consumo.

Para o mercado imobiliário de Porto Alegre, o Golden Lake também representa um movimento de expansão do segmento de luxo. O projeto amplia a oferta de imóveis de alto padrão e estabelece novos parâmetros de metragem, preço e infraestrutura condominial na cidade.

O empreendimento também pode influenciar a valorização do entorno. A concentração de milhares de moradores com alto poder aquisitivo tende a gerar novas demandas por serviços, comércio, gastronomia, mobilidade e infraestrutura urbana.

A Multiplan prevê oito fases para o Golden Lake e informa que cerca de 70% da área total ainda será lançada. Isso significa que o projeto continuará avançando nos próximos anos, com novas torres e diferentes produtos imobiliários.

O VGV de R$ 5,2 bilhões considera um valor de aproximadamente R$ 21.463 por metro quadrado. Caso o preço médio avance para R$ 30 mil por metro quadrado, a estimativa da companhia é que o VGV potencial possa chegar a R$ 6,7 bilhões.

O cenário mostra como o mercado de alto padrão vem trabalhando com empreendimentos cada vez mais estruturados, nos quais a localização, a infraestrutura condominial e a experiência oferecida ao morador passam a ter peso semelhante ao tamanho e ao acabamento da unidade.

Para síndicos, administradoras e profissionais do setor, projetos desse porte também reforçam a necessidade de modelos de gestão compatíveis com condomínios complexos. A administração precisa conciliar manutenção, segurança, áreas de lazer, contratos, sustentabilidade financeira e preservação patrimonial.

O Golden Lake demonstra, ainda, como os novos empreendimentos residenciais podem ser planejados para funcionar em conjunto com outros ativos imobiliários. Nesse caso, a proximidade com o Barra Shopping Sul é parte central da estratégia de valorização e geração de fluxo.

Com apartamentos que chegam a aproximadamente R$ 28 milhões, taxas condominiais que podem superar R$ 13 mil mensais e um VGV projetado em R$ 5,2 bilhões, o projeto coloca Porto Alegre em evidência no segmento nacional de imóveis de luxo.

Mais do que um novo conjunto residencial, o Golden Lake representa uma aposta em um modelo de bairro privativo no qual moradia, lazer, serviços, segurança e conveniência são integrados em uma única estrutura. A expansão das próximas fases deverá mostrar como esse formato será absorvido pelo mercado imobiliário da capital gaúcha.

Fonte: JCPE