Facção domina condomínio no Vale do Sinos
Gravações ameaçadoras expõem controle de grupo criminoso sobre moradores, candidato a síndico e administração do residencial em São Leopoldo

Áudios recentemente divulgados revelam como uma facção criminosa domina um condomínio residencial de 860 apartamentos no bairro Santos Dumont, em São Leopoldo (RS), região do Vale do Sinos. Conforme reportagem publicada pelo portal abc+, o grupo faz uso de ameaças de morte, coação e controle da assembleia do prédio para manter o poder sobre a administração e os moradores.
Segundo as gravações, um preso da Penitenciária Estadual do Jacuí (PEJ), identificado como Eberson Ferreira Almeida, “Zoreia” (44 anos), assume o controle do condomínio e se auto-intitula “dono” do residencial. Em áudios, ele intimida o advogado contratado pelos moradores e o candidato à síndico da oposição, dizendo:
“Quando tu parar numa sinaleira qualquer dia desses, vai parar dois carros meus e vai te fuzilar.”
A escalada do conflito começou há cerca de oito anos, segundo moradores, e o controle da facção envolvendo o imóvel inclui cobrança de mensalidades superfaturadas, influência no resultado de votações de síndico e até participação direta em decisões administrativas. Um dos manifestantes relatou:
“São 290 assinaturas para mudar o que está acontecendo, pois as pessoas (…) estão sendo ludibriadas e extorquidas.”
A crise ganhou atenção judicial. O desembargador Fernando Carlos Tomasi Diniz, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJRS), determinou que a próxima assembleia do condomínio seja realizada no foro da cidade com aparato de segurança policial. Ele destacou que “a narrativa jornalística (…) descreve um cenário de terror institucionalizado, onde o medo é o instrumento de controle”.
Impactos para a gestão condominial
O episódio evidencia que condomínios residenciais, especialmente grandes blocos, podem se tornar alvo de organizações criminosas que buscam lucrar com o mercado imobiliário, controlar decisões internas (como eleição de síndico) e exercer domínio sobre moradores vulneráveis. Especialistas em gestão condominial alertam que a presença desse tipo de controle externo exige medidas urgentes e estruturadas, não apenas administrativas, mas de segurança e governança.
Recomendações para síndicos e assembleias
Para enfrentar essa realidade, especialistas sugerem:
- Realizar auditorias internas com empresas independentes para avaliar contas, contratos e convênios;
- Garantir que assembleias sejam realizadas em locais neutros, com perímetro seguro e presença de autoridade (como polícia ou vigilância privada);
- Adotar regimes de transparência na prestação de contas e impedir que grupos desconhecidos influenciem procurações ou votações;
- Estabelecer protocolos de segurança preventiva para moradores e candidatos, incluindo canal de denúncia protegido e apoio legal.
O caso no residencial de São Leopoldo representa um alerta claro para o setor condominial: a violência organizada pode invadir espaços residenciais e comprometer a convivência, a segurança e a governança dos edifícios. É fundamental que síndicos, administradoras, moradores e órgãos públicos atuem de forma integrada para conter esse tipo de dominação e restaurar o ambiente pacífico e legal dos condomínios.
Fonte: Abc Mais