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Áudios revelam bastidores do caso Daiane Alves

Gravações mostram mensagens de despedida enviadas à família e investigação também aponta supostos desvios de mais de R$ 106 mil da associação

Áudios de ex-síndico antes da prisão revelam novos detalhes do caso Daiane Alves
Foto: Foto: Reprodução

Novos elementos relacionados à investigação sobre a morte da corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, vieram a público com a divulgação de áudios enviados pelo ex-síndico Cléber Rosa de Oliveira na véspera de sua prisão.

As gravações fazem parte do inquérito e mostram mensagens enviadas pelo ex-síndico ao filho, nas quais ele pede perdão aos familiares e fala sobre uma situação que, segundo suas próprias palavras, teria consequências jurídicas. O material foi divulgado pelo portal Paranaíba Mais.

Mensagens de despedida antes da prisão

De acordo com a reportagem, os áudios foram enviados por Cléber ao filho, Maicon Douglas de Oliveira, na noite anterior à prisão.

Em uma das gravações, registrada às 23h28, o ex-síndico afirma estar diante de uma situação grave e menciona possíveis consequências jurídicas. Em outro trecho, fala sobre um problema que teria uma solução difícil e pede compreensão diante do que a família estaria prestes a acompanhar.

A defesa da família de Daiane interpreta o conteúdo como uma espécie de despedida e aponta possível caráter confessional nas mensagens. Essa interpretação, porém, é uma avaliação apresentada pela parte interessada no caso e não equivale, por si só, a uma confissão formal do crime.

Investigação aponta acompanhamento da rotina da corretora

Além dos áudios, a investigação identificou que Cléber acompanhava de forma sistemática a rotina de Daiane dentro do condomínio.

Segundo o inquérito citado pelo Paranaíba Mais, o ex-síndico verificava horários registrados pelas câmeras de segurança e fazia perguntas aos funcionários da portaria sobre a movimentação da corretora.

O acompanhamento da rotina é um dos elementos considerados pelos investigadores na reconstrução dos acontecimentos que antecederam o desaparecimento e a morte da vítima.

Relação entre síndico e corretora era marcada por conflitos

Antes do crime, Daiane e Cléber já haviam protagonizado conflitos relacionados à convivência no condomínio e à atividade profissional exercida pela corretora.

Reportagens anteriores sobre o caso mostram que Daiane havia relatado à polícia situações de perseguição e problemas envolvendo o ex-síndico. Também havia uma disputa relacionada à realização de locações de imóveis no condomínio.

Em agosto de 2025, uma assembleia chegou a decidir pela saída da corretora do prédio, mas ela conseguiu reverter a decisão e permaneceu no local.

Corpo foi localizado após mais de 40 dias

Daiane desapareceu em 17 de dezembro de 2025, em Caldas Novas (GO). Durante as investigações, as últimas imagens da corretora mostraram que ela havia descido ao subsolo do prédio para verificar um problema relacionado à energia.

Após o desaparecimento, foram realizadas buscas e analisadas imagens de câmeras de segurança do condomínio.

Em janeiro de 2026, o corpo da corretora foi localizado em uma área de mata. Na mesma ocasião, Cléber foi preso e, segundo a Polícia Civil, indicou aos investigadores o local onde o corpo havia sido escondido.

Polícia aponta elementos para investigação do homicídio

A Polícia Civil de Goiás afirmou posteriormente que havia reunido elementos para considerar o assassinato premeditado. Entre os pontos apresentados pela investigação estão a interrupção proposital da energia do apartamento da vítima e a análise de imagens que registraram o momento do ataque.

As autoridades sustentam que esses elementos ajudaram a reconstruir a dinâmica do crime. A defesa de Cléber, por sua vez, afirmou que analisaria integralmente os documentos da investigação antes de se manifestar sobre as conclusões policiais.

Investigação também apura desvios de recursos

Além do homicídio, o inquérito apontou uma segunda frente de investigação envolvendo a administração da associação de proprietários do condomínio.

Segundo o Paranaíba Mais, as autoridades identificaram pelo menos seis episódios de suposta apropriação indevida, com prejuízo superior a R$ 106 mil para a entidade.

Entre os valores investigados estão aproximadamente R$ 35 mil relacionados a acordos de dívidas e aluguel de imóvel da associação, além de cerca de R$ 25 mil destinados a despesas com combustível e outros valores relacionados a manutenção de veículos, IPVA e gastos pessoais.

Cléber foi indiciado por seis episódios de apropriação indébita, segundo a reportagem. O filho dele também foi indiciado em relação à movimentação de aproximadamente R$ 18 mil. A apuração dos crimes financeiros deverá seguir em processo separado, por não estar diretamente vinculada à investigação do homicídio.

Caso chama atenção para a gestão de recursos condominiais

A investigação financeira também coloca em evidência a importância dos mecanismos de controle sobre recursos administrados por síndicos e dirigentes de associações.

Prestação de contas, documentação das despesas, aprovação dos gastos e acompanhamento periódico das movimentações financeiras são instrumentos utilizados para dar transparência à administração e permitir a identificação de eventuais irregularidades.

No caso investigado, entretanto, a responsabilidade criminal pelos supostos desvios ainda depende do andamento das apurações e das decisões judiciais.

Família aguarda julgamento

Com o avanço do processo, a família de Daiane continua aguardando os próximos passos da Justiça.

Segundo a reportagem mais recente, a família espera que o ex-síndico seja pronunciado e levado a Tribunal do Júri, etapa que dependerá das decisões judiciais no processo.

O caso reúne duas frentes de investigação envolvendo a administração condominial: a apuração da morte da corretora e a investigação sobre a movimentação de recursos da associação.

Fonte: Paranaíba Mais | Polícia Civil de Goiás, CNN Brasil e Record.