Arsenal de guerra e dólares são apreendidos em mansões de luxo ligadas ao tráfico na Barra da Tijuca (RJ)
Operação contra fornecedores do Comando Vermelho apreende fuzis, armas de grosso calibre e US$ 24 mil em condomínios de alto padrão na Zona Oeste do Rio; ao menos 10 pessoas foram presas.

Em uma megaoperação deflagrada na manhã desta terça-feira (13), a Polícia Civil do Rio de Janeiro apreendeu um verdadeiro arsenal de guerra, além de uma grande quantia em dinheiro vivo, escondidos em duas casas localizadas nos condomínios de alto padrão Mansões e Novo Leblon, na Barra da Tijuca, Zona Oeste da capital fluminense.
As propriedades pertencem, segundo as investigações, a Jonnathan Ianovich, apontado como um dos principais operadores financeiros do Comando Vermelho (CV). Ele foi preso na noite de segunda-feira (12), em Araras, interior de São Paulo, por suspeita de lavagem de dinheiro, tráfico de armas e associação criminosa.
Casas de luxo serviam como base de armazenamento de armas de guerra
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, os agentes localizaram fuzis, pistolas, armas de grosso calibre, munições em grande quantidade e US$ 24 mil em espécie, escondidos em cômodos internos e compartimentos ocultos das residências. O material apreendido ainda está sendo periciado e contabilizado pelas autoridades.
As investigações apontam que os imóveis eram utilizados como centros logísticos para o armazenamento de armamentos destinados à facção, com o objetivo de fortalecer o domínio territorial do grupo em comunidades do Rio e expandir sua influência para outros estados.
Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), a facção vem se articulando com criminosos de fora do estado, que não apenas se refugiam em comunidades do Rio, mas agora também atuam diretamente na liderança e no financiamento da expansão da organização em diversas regiões da capital e da Região Metropolitana.
Quem é Jonnathan Ianovich?
Jonnathan Ianovich é apontado como um dos principais operadores responsáveis pela lavagem de capitais ilícitos oriundos do tráfico de drogas e armas. Através da compra de imóveis de luxo, empresas de fachada e movimentações financeiras disfarçadas, Ianovich teria movimentado milhões de reais para a facção criminosa.
Sua prisão foi considerada estratégica pelas autoridades, que pretendem aprofundar as investigações sobre o fluxo financeiro da facção e identificar outros possíveis imóveis utilizados como depósitos ou centros de lavagem de dinheiro.
Alerta para os condomínios de alto padrão
O caso escancara uma nova estratégia adotada por organizações criminosas, que vêm utilizando condomínios de luxo para ocultar atividades ilícitas, aproveitando-se da aparência de legalidade, baixa movimentação de visitantes e falhas na checagem de antecedentes de moradores ou compradores de imóveis.
Síndicos, administradoras e gestores prediais devem redobrar a atenção com a validação documental de novos proprietários, movimentações suspeitas e atividades incomuns nos imóveis, além de colaborar com órgãos de segurança quando houver qualquer indício de crime.
Segundo o promotor Bruno Bezerra, “as apreensões reforçam o envolvimento de Ianovich com a cúpula do Comando Vermelho e demonstram como o crime tem se infiltrado em setores antes considerados inatingíveis, como o mercado de imóveis de luxo”.
Medidas judiciais e desdobramentos
Além da prisão de Ianovich, outras 10 pessoas foram detidas durante a operação. A Justiça também decretou o bloqueio de bens e contas bancárias dos envolvidos e deve autorizar, nos próximos dias, o aprofundamento das diligências em outras propriedades ligadas ao grupo.
As investigações seguem em sigilo, e a Polícia Civil não descarta novas prisões ou apreensões nas próximas fases da operação.
Fonte: G1