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Apagão em São Paulo expõe vulnerabilidade dos condomínios e pressiona síndicos em meio ao caos urbano

Queda de árvores, falta de energia, moradores presos em elevadores e insegurança generalizada colocam a gestão condominial sob forte estresse; especialista orienta medidas emergenciais e destaca a importância do planejamento.

Apagão em São Paulo expõe vulnerabilidade dos condomínios e pressiona síndicos em meio ao caos urbano
Foto: Foto: Reprodução

Apagão em São Paulo coloca síndicos sob forte pressão e Márcio Rachkorsky orienta como agir em emergências nos condomínios

O apagão que deixou mais de um milhão e meio de imóveis sem energia em São Paulo, após a queda de centenas de árvores por conta dos fortes ventos, provocou uma corrida de síndicos em busca de soluções emergenciais. Entre prédios às escuras, moradores presos em elevadores e sistemas de segurança inoperantes, a gestão condominial enfrentou um dos cenários mais críticos dos últimos anos.

Durante entrevista, o especialista em condomínios Márcio Rachkorsky detalhou os principais desafios enfrentados pelos gestores e apontou medidas fundamentais para atravessar situações de crise.


Síndicos sobrecarregados e condomínios vulneráveis

De acordo com Márcio Rachkorsky, as últimas 24 horas foram de extremo estresse para síndicos em toda a capital.

“Eles estão de cabelo em pé, desesperados. Imagina um prédio sem luz, sem câmera, sem portaria, sem bomba de água e, pior, sem elevador”, destacou.

A falta de energia afeta sobretudo moradores idosos, pessoas com mobilidade reduzida e famílias com crianças pequenas que vivem nos andares mais altos.

“Em condomínio, qualquer impacto se multiplica. É grupo de WhatsApp o dia inteiro, gente ligando e o síndico sem ter resposta”, disse.

Queda de árvores e riscos: o que síndicos não devem fazer

Márcio Rachkorsky reforçou que, diante de árvores caídas em frente aos prédios, os síndicos não devem tentar remover os galhos por conta própria.

“Não é para mexer. Tem que esperar a subprefeitura ou a Enel. Às vezes, na boa vontade, a pessoa mexe, gasta dinheiro, causa acidente ou ainda responde por isso”, alertou.

A orientação é registrar tudo com fotos e vídeos e comunicar simultaneamente a Enel e a subprefeitura.


Resgates em elevadores só com empresa especializada ou Bombeiros

Outro ponto crítico foi o número de moradores presos em elevadores. Para o especialista, a regra é clara:

“Ninguém deve tentar resgatar quem está no elevador, a não ser a empresa responsável ou o Corpo de Bombeiros.”

Segundo ele, zeladores que tentam abrir portas manualmente colocam todos em risco. “Isso pode causar um acidente gravíssimo.”


Contratações emergenciais podem ser feitas pelo síndico

Com prédios sem água devido à inoperância das bombas, o apresentador perguntou se síndicos podem contratar caminhão-pipa ou gerador sem aprovação formal dos moradores.

Márcio Rachkorsky explica:

“Em emergência, não dá tempo de fazer assembleia. O síndico pode contratar e avisar no grupo. Se precisar, faz um rateio extra. Ninguém vai ser contra água no prédio.”

Ainda assim, recomenda ao menos uma enquete rápida nos grupos de mensagens para registrar a consulta.


Dúvidas dos moradores: de desvio de verba a racionamento de água

Na sequência da entrevista, Márcio Rachkorsky respondeu às perguntas enviadas por moradores:

Condomínio sem dinheiro para pagar 13º dos funcionários

É necessário convocar assembleia urgente para aprovar um rateio extra. Se houver suspeita de desvio de verba, o especialista orienta:

“Aí é boletim de ocorrência. Se o síndico pegou o dinheiro, é crime.”

Racionamento de água sem aprovação em assembleia

Em situação emergencial, o síndico ou administradora pode impor temporariamente medidas restritivas.

“Mas, no dia a dia, é ideal reunir os moradores e decidir juntos.”

Fechamento de áreas comuns por falta de água

Pode ser feito, desde que haja aviso claro nos grupos e elevadores.

“Comunicação é crucial para o condomínio funcionar bem.”

Poda de árvore dentro do condomínio

É permitida com contratação de empresa especializada.

“O que não pode é mexer em árvore da rua, que é crime ambiental.”

Planejamento continua sendo a maior ferramenta

Ao final, o especialista ressaltou que crises como a vivida na capital paulista evidenciam falhas estruturais históricas, como a falta de manejo efetivo das árvores e a ausência de redes elétricas subterrâneas.

“Só acaba a luz porque a árvore cai no fio. Esse debate sempre volta, mas pouco avança”, afirmou.

Enquanto soluções estruturais não chegam, a recomendação é clara: síndicos devem se preparar, ter fundos emergenciais, manter comunicação eficiente e agir com rigor técnico para proteger moradores.

Fonte: G1