Alvo da PF joga celular pela janela
Luciano Rodrigues foi preso em Belém durante operação que investiga furto e comercialização ilegal de dendê, lavagem de capitais e ocultação de patrimônio

Um dos principais alvos da Operação Termidor, deflagrada pela Polícia Federal em Belém, no Pará, teria jogado o próprio celular pela janela de um apartamento ao perceber a chegada dos agentes. O episódio ocorreu no Edifício Village Moon, localizado na avenida Visconde de Souza Franco, onde Luciano Rodrigues foi preso.
Segundo informações divulgadas pelo portal Debate Carajás e pelo jornal O Liberal, o aparelho teria sido lançado para fora do imóvel no momento em que os policiais chegaram ao condomínio. Após perceberem a ação, os agentes cercaram o edifício e realizaram buscas para tentar localizar o celular.
A operação também teve diligências em outros edifícios de Belém, entre eles os condomínios Castelo Massino, Malmo, Rio Mino e Lisse. A presença dos agentes em diferentes endereços fez parte da ação coordenada para cumprimento das determinações judiciais.
A Operação Termidor foi realizada pela Polícia Federal em conjunto com a Receita Federal e investiga uma organização suspeita de atuar na cadeia produtiva do dendê no Pará. Entre as condutas apuradas estão furto, receptação e comercialização ilícita do fruto, além de lavagem de capitais e ocultação de bens, direitos e valores.
De acordo com a Polícia Federal, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em Belém, Ananindeua, Castanhal e Tomé-Açu, no Pará, além de Indaiatuba, no estado de São Paulo.
A Justiça Federal também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 153 milhões em bens e valores dos investigados e a suspensão, por tempo indeterminado, das atividades econômicas de 11 empresas envolvidas na investigação.
A Receita Federal informou que os grupos empresariais investigados movimentaram pelo menos R$ 1 bilhão nos quatro anos anteriores à operação. Segundo o órgão, parte dos recursos teria circulado sem documentação fiscal e contábil suficiente para comprovar sua origem e destinação.
A investigação teve origem em conflitos relacionados à cadeia do dendê em municípios do nordeste paraense, entre eles Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia. Segundo a PF, teria sido identificada uma estrutura criminosa armada voltada ao furto e à comercialização ilegal do fruto.
Durante as apurações, também foram identificados indícios de irregularidades fiscais. A Receita Federal cita incompatibilidades entre a capacidade econômica declarada e a movimentação financeira dos investigados, além de pagamentos a fornecedores ou beneficiários sem aparente relação com as atividades econômicas analisadas.
Os investigadores também apontaram suspeitas relacionadas à utilização de empresas em nome de terceiros e à manutenção de patrimônio registrado em nome de outras pessoas. Esses elementos fazem parte da apuração sobre possível ocultação de bens e lavagem de capitais.
No caso ocorrido no condomínio, Luciano Rodrigues é apontado, segundo apuração do Grupo Liberal reproduzida pelas reportagens, como controlador de empresas investigadas. A situação específica de cada empresa e a eventual responsabilidade de seus administradores ainda dependem do avanço das investigações.
O processo tramita sob segredo de justiça, o que limita a divulgação pública de informações sobre todos os investigados e empresas atingidas pelas medidas judiciais. Por essa razão, parte dos detalhes da operação ainda não está disponível integralmente.
A participação de equipes da Receita Federal teve como objetivo realizar análises fiscais, patrimoniais e financeiras. Ao todo, 13 auditores-fiscais e analistas-tributários participaram da operação.
Documentos e equipamentos apreendidos durante as buscas deverão ser submetidos a análises complementares. As informações obtidas serão cruzadas com dados fiscais e bancários para aprofundar a apuração sobre a origem e a destinação dos recursos movimentados pelos investigados.
Para o ambiente condominial, a ocorrência chama atenção para a necessidade de protocolos de segurança durante o cumprimento de operações policiais em edifícios residenciais. Situações envolvendo agentes públicos, moradores e áreas comuns exigem coordenação para preservar a integridade das pessoas e permitir o cumprimento das determinações judiciais.
Em operações dessa natureza, a atuação da administração do condomínio deve seguir os procedimentos legais e as orientações das autoridades responsáveis pela diligência. Funcionários e equipes de segurança não devem interferir em uma operação policial, mas podem colaborar com o acesso às áreas comuns quando houver determinação ou solicitação dos agentes.
O episódio também demonstra a importância de sistemas de controle de acesso e monitoramento. Registros de entrada e saída, imagens das áreas comuns e identificação adequada de visitantes e prestadores podem auxiliar as autoridades quando uma investigação envolve determinado endereço.
No caso da Operação Termidor, entretanto, a ação não ficou restrita ao condomínio onde ocorreu a prisão. A operação alcançou diferentes municípios e endereços empresariais e residenciais, refletindo a dimensão da investigação conduzida pela PF e pela Receita Federal.
A apuração também deverá analisar os materiais recolhidos durante as buscas. A Polícia Federal informou que os elementos apreendidos serão utilizados para aprofundar as investigações relacionadas à estrutura financeira e patrimonial dos grupos investigados.
Até o momento, as autoridades tratam os envolvidos como investigados e suspeitos. A realização das prisões e das medidas de busca e bloqueio patrimonial não substitui a análise individual das condutas nem o devido processo legal.
A Operação Termidor permanece em andamento, e novas informações poderão ser divulgadas conforme o avanço das análises dos documentos, equipamentos e dados financeiros apreendidos.
Para o setor condominial, o episódio reforça a relevância de procedimentos de segurança, controle de acesso e preservação de registros. Em situações envolvendo operações oficiais, a administração deve atuar de maneira organizada e dentro dos limites legais, colaborando com as autoridades sem comprometer a segurança dos demais moradores.
A ocorrência no Edifício Village Moon tornou-se um dos episódios de destaque da operação após o relato de que um investigado teria lançado o celular pela janela ao perceber a chegada dos policiais. O aparelho passou a ser procurado pelos agentes, enquanto a ação prosseguiu no condomínio e em outros endereços relacionados à investigação.
O desdobramento do caso dependerá agora da análise do material apreendido e das demais diligências determinadas pela Justiça. A investigação busca esclarecer a estrutura financeira e operacional que, segundo as autoridades, estaria relacionada aos crimes apurados na cadeia do dendê no Pará.
Fonte: PORTAL DEBATE