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Aluguel desacelera em agosto

IVAR registra avanço de 0,29% no mês, enquanto mercados de quatro capitais apresentam comportamentos diferentes

Aluguel residencial desacelera em agosto, mas acumula alta de 5,09% em 12 meses
Foto: Cristian Lourenço/iStock

O mercado de locação residencial apresentou uma desaceleração em agosto de 2026. Segundo o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), calculado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), os aluguéis subiram 0,29% no mês, após avanço de 0,66% em julho.

Com o resultado, a variação acumulada em 12 meses passou de 5,08% para 5,09%. O indicador acompanha os valores efetivamente negociados em contratos residenciais intermediados por administradoras de imóveis, permitindo observar a evolução dos preços praticados no mercado de locação.

Capitais apresentam comportamentos diferentes

A desaceleração nacional não ocorreu de maneira uniforme entre as cidades analisadas pela FGV. Das quatro capitais que integram o IVAR, três registraram desaceleração ou queda na comparação mensal.

Em São Paulo, os aluguéis avançaram 0,30% em agosto, abaixo dos 0,45% registrados em julho. No Rio de Janeiro, a alta passou de 0,49% para 0,24%.

Já Porto Alegre apresentou o resultado mais diferente: depois de uma alta de 1,14% em julho, os preços recuaram 0,14% em agosto, sendo a única capital pesquisada a registrar queda no mês.

Na direção oposta, Belo Horizonte acelerou. O aluguel residencial subiu 1,05% em agosto, ante 0,62% no mês anterior, colocando a capital mineira na liderança entre as cidades pesquisadas.

Belo Horizonte se destaca na alta em 12 meses

O comportamento de Belo Horizonte também chama atenção quando analisado o acumulado de 12 meses. A variação passou de 7,77% em julho para 8,47% em agosto.

São Paulo também apresentou aceleração, saindo de 4,33% para 4,58% no período. Já Porto Alegre registrou desaceleração mais significativa, de 4,12% para 3,36%, enquanto o Rio de Janeiro passou de 6,40% para 6,37%.

Os números mostram que o mercado de locação não segue uma trajetória única em todo o país. Diferenças entre oferta, demanda e condições econômicas locais podem produzir movimentos bastante distintos entre as cidades.

Menor pressão da demanda ajuda a explicar desaceleração

De acordo com Matheus Dias, economista do FGV IBRE, o resultado de agosto mantém um processo de moderação que já vinha sendo observado desde o fim de 2025.

A taxa acumulada em 12 meses, que chegou a ficar acima de 8% no período de maior pressão, atualmente está próxima de 5%. Para o economista, o movimento está relacionado à menor pressão da demanda por locação residencial, ao arrefecimento gradual da atividade econômica e ao custo ainda elevado do crédito.

O cenário indica que a combinação entre atividade econômica mais moderada e financiamento mais caro pode limitar a capacidade de novos consumidores de migrar para determinadas faixas de aluguel.

Inflação também influencia o cenário

A evolução de outros indicadores de preços ajuda a contextualizar o comportamento dos aluguéis. O IGP-M, tradicionalmente utilizado em contratos de locação, registrou queda de 0,22% em agosto, após recuo de 1,16% em julho.

Embora o IVAR não seja um índice de reajuste contratual, sua metodologia permite acompanhar os valores efetivamente negociados em novos contratos intermediados por administradoras.

Essa diferença é importante para proprietários e inquilinos: o IVAR retrata a dinâmica dos preços praticados nas negociações, enquanto os reajustes de contratos existentes dependem das cláusulas previstas em cada contrato e do indexador adotado.

Mercado de locação pode entrar em período de maior estabilidade

A avaliação apresentada pelo Portas indica que o cenário-base aponta para uma continuidade da moderação dos aluguéis até o final do ano. A principal ressalva está relacionada a possíveis impactos inflacionários provocados por eventos climáticos.

Um eventual choque de oferta de alimentos poderia pressionar a inflação e, consequentemente, alterar o ambiente econômico que atualmente contribui para a desaceleração dos preços de locação.

Para o mercado imobiliário, a perspectiva de menor velocidade de alta pode representar um ambiente mais previsível para proprietários e inquilinos, embora as condições continuem diferentes conforme a cidade e o perfil do imóvel.

Dados reforçam importância da análise local

Os números de agosto mostram que o comportamento do aluguel precisa ser analisado de acordo com a realidade de cada mercado. Enquanto Belo Horizonte registra aceleração expressiva, Porto Alegre apresenta queda mensal e desaceleração no acumulado anual.

Para proprietários, acompanhar esses indicadores pode ajudar na definição de valores para novos contratos e na avaliação da competitividade dos imóveis. Para inquilinos, os dados ajudam a compreender o momento do mercado antes de negociar uma nova locação.

No segmento condominial, a dinâmica dos aluguéis também pode influenciar decisões relacionadas à ocupação dos empreendimentos, à demanda por unidades residenciais e ao perfil dos moradores.

O resultado de agosto, portanto, aponta para um mercado de locação nacional menos pressionado do que no período de maior aceleração, mas ainda com alta acumulada relevante. A trajetória dos próximos meses dependerá do comportamento da inflação, da atividade econômica, do crédito e, principalmente, das condições de oferta e demanda em cada cidade.

Fonte: Portas