Alta das taxas eleva inadimplência em condomínios e região Norte lidera atrasos no país
Levantamento aponta aumento expressivo dos custos condominiais nos últimos anos e revela impacto direto no índice de moradores inadimplentes, com destaque negativo para o Norte do Brasil

O aumento contínuo das taxas de condomínio nos últimos anos tem provocado impacto direto no orçamento das famílias e elevado os índices de inadimplência em empreendimentos residenciais em todo o Brasil. Um levantamento recente revela que a região Norte lidera o ranking nacional de atrasos no pagamento das despesas condominiais, cenário que preocupa síndicos, administradoras e especialistas em gestão predial.
De acordo com dados do Censo Condominial 2025/2026, a taxa média de condomínio no país registrou alta acumulada de aproximadamente 24,9% nos últimos três anos. O valor médio, que girava em torno de R$ 413 em 2022, passou para cerca de R$ 516 em 2025. Entre os principais fatores que impulsionaram o aumento estão os reajustes salariais de funcionários, elevação nos contratos de manutenção, segurança patrimonial, limpeza, além do encarecimento das tarifas de água, energia elétrica e insumos essenciais.
Com o avanço dos custos, a inadimplência também cresceu. O índice nacional chegou a 11,95% no primeiro semestre de 2025, o maior patamar registrado desde 2022. Especialistas apontam que, diante de juros elevados e do aumento do custo de vida, muitas famílias acabam priorizando outras obrigações financeiras, deixando a taxa condominial em segundo plano.
O levantamento destaca ainda as disparidades regionais. A região Norte aparece com o maior índice de inadimplência do país, alcançando 18,44% dos moradores em atraso. O Nordeste vem na sequência, enquanto o Sul apresenta os menores percentuais, mesmo com valores de condomínio, em muitos casos, mais elevados.
Apesar da inadimplência, os condomínios seguem obrigados a manter serviços essenciais, como portaria, limpeza, manutenção predial, elevadores e segurança, o que aumenta a pressão sobre o caixa. Do ponto de vista jurídico, a dívida condominial é considerada título executivo extrajudicial, permitindo cobrança mais célere, inclusive com possibilidade de penhora e leilão do imóvel em situações extremas.
Para especialistas em gestão condominial, o cenário reforça a necessidade de planejamento financeiro rigoroso, transparência na prestação de contas e estratégias eficazes de cobrança. Medidas como renegociação de contratos, revisão orçamentária e comunicação clara com os condôminos têm sido apontadas como fundamentais para preservar o equilíbrio financeiro dos empreendimentos.
O avanço da inadimplência reacende o debate sobre profissionalização da gestão, responsabilidade coletiva e sustentabilidade econômica dos condomínios, especialmente em um contexto de custos crescentes e desafios econômicos para moradores e administradores.
Fonte: O Liberal