Airbnb movimenta R$ 113,2 bilhões com aluguéis por temporada no Brasil
Estudo da FGV aponta impacto de R$ 62,8 bilhões no PIB e 703,9 mil empregos sustentados pela atividade em 2025

O aluguel por temporada realizado por meio do Airbnb movimentou R$ 113,2 bilhões na economia brasileira em 2025, segundo estudo elaborado pela FGV Projetos, da Fundação Getulio Vargas. A atividade contribuiu com R$ 62,8 bilhões para o Produto Interno Bruto (PIB), sustentou 703,9 mil postos de trabalho e gerou R$ 31,7 bilhões em renda para a população. O levantamento foi divulgado em um momento de ampliação das discussões sobre as locações de curta duração e seus efeitos sobre condomínios residenciais.
De acordo com a pesquisa, a movimentação econômica registrada em 2025 representou crescimento de 13,4% em relação ao ano anterior. A atividade também foi responsável pela geração estimada de R$ 9 bilhões em tributos diretos. Os cálculos consideram os efeitos econômicos diretos, indiretos e induzidos relacionados ao ecossistema de hospedagem por meio da plataforma.
O estudo, denominado “Impactos e Benefícios Econômicos do Airbnb no Brasil”, foi elaborado com base na metodologia de Matriz de Insumo-Produto. A ferramenta permite avaliar como os gastos realizados em determinado segmento repercutem sobre outros setores da economia. No levantamento, foram considerados 68 setores e 128 produtos, além de informações sobre os gastos de hóspedes e a renda obtida pelos anfitriões.
Os efeitos econômicos da locação por temporada não ficam restritos ao pagamento das hospedagens. Segundo a FGV Projetos, para cada R$ 10 gastos com acomodação na plataforma, outros R$ 45 são movimentados em atividades relacionadas, como alimentação, comércio, transporte e entretenimento. O resultado demonstra a existência de um efeito multiplicador que alcança diferentes segmentos das economias locais.
A maior parcela da movimentação está relacionada aos gastos realizados pelos próprios hóspedes, que representam 85% do impacto total. Os outros 15% correspondem aos recursos obtidos pelos anfitriões e posteriormente reinseridos na economia por meio do consumo de produtos e serviços.
A distribuição dos efeitos também alcança diferentes setores produtivos. Os serviços respondem por 57,9% da movimentação econômica associada à atividade, enquanto o comércio representa 24,8%. A indústria responde por 14,8% e a agricultura por 2,5%, de acordo com os dados apresentados no levantamento.
A renda recebida pelos proprietários que disponibilizam imóveis para locação também possui efeitos além do próprio mercado imobiliário. Segundo a pesquisa, esses recursos são destinados a despesas com comércio, alimentação, serviços, transporte, moradia, saúde, educação, telecomunicações e serviços financeiros, ampliando o alcance econômico da atividade.
Outro aspecto identificado pela FGV é a descentralização dos benefícios. Embora grandes cidades concentrem parcela importante das locações, uma parte significativa da movimentação ocorre fora dos principais polos turísticos e das capitais. O levantamento aponta que o modelo de hospedagem também alcança municípios de menor porte e localidades que não contam com uma rede hoteleira convencional tão desenvolvida.
No Estado de São Paulo, por exemplo, R$ 22 bilhões da movimentação econômica associada à atividade ocorreram fora da capital, correspondendo a 65,3% do total estadual. Considerando o Sudeste, 59% dos R$ 61,5 bilhões movimentados pelo setor foram registrados no interior de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, sem incluir as respectivas capitais.
Entre as capitais analisadas pela FGV, o Rio de Janeiro apresentou o maior impacto econômico relacionado às locações realizadas pelo Airbnb. A cidade registrou R$ 12 bilhões em movimentação econômica em 2025, além de R$ 6,73 bilhões de contribuição para o PIB e 73.455 empregos sustentados pela atividade. São Paulo aparece na sequência, com R$ 11,67 bilhões, enquanto Florianópolis registrou R$ 5,05 bilhões. Salvador e Curitiba tiveram R$ 2,12 bilhões cada.
O levantamento também cita outras capitais entre os mercados de destaque, como Brasília, João Pessoa, Fortaleza e Belo Horizonte. A distribuição demonstra que os efeitos econômicos das locações de curta duração estão presentes em diferentes regiões brasileiras.
Apesar dos números relacionados à atividade econômica, a expansão das locações por temporada também ocorre em meio a discussões sobre o funcionamento desse modelo dentro de condomínios residenciais. A utilização de apartamentos para hospedagens de curta duração tem provocado debates jurídicos e administrativos sobre o direito de propriedade, a destinação das unidades, a segurança dos moradores e a competência dos condomínios para estabelecer regras de utilização.
Em diferentes empreendimentos, a questão passou a ser discutida especialmente em razão do fluxo de hóspedes e da necessidade de controle de acesso às áreas comuns. O tema envolve ainda o equilíbrio entre o direito do proprietário de utilizar sua unidade e as regras estabelecidas pela convenção e pelo regimento interno do condomínio.
O contexto econômico apresentado pela FGV ocorre, portanto, paralelamente a um cenário de discussão sobre os limites da locação por temporada em edifícios residenciais. O levantamento não trata especificamente da legalidade das hospedagens em condomínios, mas dimensiona o impacto econômico da atividade associada ao Airbnb no país.
A plataforma informou que ainda não possui dados específicos sobre Santos e a Região Metropolitana da Baixada Santista. Segundo a empresa, entretanto, a locação por temporada produz efeitos sobre o conjunto de estabelecimentos e prestadores de serviços que atendem os visitantes e sobre a renda dos anfitriões.
A pesquisa aponta ainda que a renda obtida pelos anfitriões possui participação relevante no impacto econômico total. Os proprietários dos imóveis podem utilizar os recursos recebidos para despesas cotidianas e para outros gastos que retornam à economia local.
Além disso, os dados indicam crescimento da atividade de hospedagem. Segundo informações divulgadas pela plataforma com base no estudo da FGV, o número de noites reservadas por viajantes brasileiros no Airbnb aumentou mais de 20% no primeiro trimestre de 2026, registrando o terceiro trimestre consecutivo de crescimento superior a essa marca.
O crescimento do aluguel por temporada também amplia a participação de pequenos negócios e prestadores de serviços na cadeia econômica ligada ao turismo. Restaurantes, mercados, motoristas, profissionais de limpeza, estabelecimentos comerciais e outros fornecedores podem ser beneficiados pelo aumento do fluxo de visitantes nos destinos.
Para o mercado imobiliário, o avanço das locações de curta duração acrescenta uma modalidade de utilização dos imóveis que pode gerar renda aos proprietários e movimentar serviços associados à administração e manutenção das unidades. Nos condomínios, entretanto, a atividade precisa ser analisada à luz das regras internas e da legislação aplicável a cada situação.
Os números divulgados pela FGV dimensionam a relevância econômica alcançada pelo aluguel por temporada no Brasil. Com R$ 113,2 bilhões movimentados em 2025, R$ 62,8 bilhões de contribuição ao PIB e 703,9 mil empregos sustentados, a atividade passou a representar uma parcela expressiva da economia relacionada ao turismo e à utilização temporária de imóveis.
O cenário também mostra que os efeitos do aluguel por temporada ultrapassam a relação entre hóspede e proprietário. Os recursos circulam por diferentes setores e alcançam cidades de variados portes, contribuindo para a movimentação de comércio, serviços, transporte, alimentação e entretenimento.
Ao mesmo tempo, a expansão do segmento mantém em evidência os debates sobre a utilização de imóveis residenciais para hospedagem de curta duração. Para o setor condominial, o desafio está em conciliar as possibilidades de uso das unidades com as regras de convivência, segurança e destinação estabelecidas para os empreendimentos.
A evolução dos números deverá manter o aluguel por temporada no centro das discussões do mercado imobiliário e condominial, especialmente diante do crescimento da atividade e de seus efeitos sobre a economia brasileira.