Família busca reparação após agressão contra adolescente em condomínio
Família pretende responsabilizar professor da UFU pelo custeio do acompanhamento terapêutico e adotar medidas nas esferas criminal, administrativa e cível

Adolescente agredida em condomínio de Uberlândia inicia tratamento psicológico, diz advogado
A adolescente de 16 anos que relatou ter sido agredida por um professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), durante uma discussão em um condomínio residencial, iniciou acompanhamento psicológico. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (4) pelo advogado da família, Murilo Ferreira Alves, em entrevista ao g1.
Segundo o representante da jovem, a vítima apresenta abalo emocional após o episódio. A defesa pretende solicitar que o professor seja responsabilizado pelo custeio do tratamento psicológico, além de adotar medidas nas esferas criminal, administrativa e cível.
O caso ocorreu na madrugada de segunda-feira (2), em um condomínio no bairro Aclimação, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A discussão começou após o desaparecimento temporário de um celular que havia sido deixado pela adolescente para carregar em uma área de convivência do residencial.
Família pretende adotar medidas em três frentes
De acordo com o advogado, a família pretende apresentar representação criminal ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), para que os fatos sejam apurados. A defesa também deverá notificar a UFU e solicitar a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para avaliar a conduta do docente no âmbito funcional.
Na esfera cível, a família pretende ingressar com pedido de indenização por danos morais e buscar o ressarcimento das despesas relacionadas ao tratamento psicológico da adolescente.
O advogado afirmou que a intenção é requerer preventivamente que o professor arque com os custos do acompanhamento terapêutico. A eventual obrigação de pagamento, entretanto, dependerá da análise judicial e das medidas cabíveis.
Discussão começou após desaparecimento de celular
Conforme o boletim de ocorrência, a adolescente estava em uma área comum do condomínio quando deixou o aparelho carregando próximo ao espaço de lazer. Ao retornar para buscá-lo, percebeu que o telefone não estava mais no local.
A esposa do professor havia recolhido o celular por engano, acreditando que pertencesse a um convidado de um evento realizado pelo casal. A demora na devolução do aparelho deu início a uma discussão entre os envolvidos.
Segundo o relato registrado pela Polícia Militar, o professor teria agredido a adolescente e outros dois jovens que estavam no local. A jovem afirmou ter recebido um tapa no rosto, caído ao chão e sofrido um corte no lábio superior, além de dores na cabeça e nas costas. Ela recebeu atendimento médico em uma Unidade de Atendimento Integrado (UAI).
O docente foi preso em flagrante, mas acabou liberado após o pagamento de fiança. Segundo a Polícia Civil, foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) pelos crimes de lesão corporal e ameaça, com compromisso de comparecimento dos envolvidos a uma audiência a ser agendada pelo Juizado Especial Criminal.
UFU informou que adotará medidas cabíveis
A Universidade Federal de Uberlândia manifestou repúdio à agressão relatada e solidariedade à adolescente e aos familiares. Embora o episódio tenha ocorrido fora das dependências da instituição, a universidade informou que adotará as medidas cabíveis dentro de suas competências para apurar os fatos.
A Direção da Faculdade de Odontologia também se pronunciou, destacando a importância da proteção de crianças e adolescentes e da apuração pelas instâncias competentes, com respeito aos procedimentos legais e às garantias individuais.
Caso segue em apuração
As medidas anunciadas pela família ainda deverão ser formalizadas e analisadas pelos órgãos responsáveis. A representação criminal, eventual processo administrativo e pedido de indenização são iniciativas distintas, cada uma sujeita aos procedimentos e critérios próprios.
O episódio também chama a atenção para a importância de os condomínios manterem canais de comunicação e procedimentos para o atendimento de conflitos e situações de violência em áreas comuns. A administração deve priorizar a segurança dos envolvidos, acionar as autoridades quando necessário e evitar intervenções que exponham moradores e funcionários a riscos.