Administradora de Porto Alegre é investigada por desvio de até R$ 5 milhões: especialista alerta sobre transparência na gestão condominial
Caso que envolve mais de 18 condomínios reacende o debate sobre a responsabilidade de síndicos e conselhos fiscais e a importância de fiscalizar administradoras e imobiliárias.

Imobiliária de Porto Alegre é investigada por desviar até R$ 5 milhões de condomínios: especialista alerta sobre cuidados na escolha da administradora
A prisão do proprietário de uma imobiliária em Porto Alegre, suspeito de desviar cerca de R$ 5 milhões de condomínios, gerou indignação entre moradores e levantou um alerta sobre os cuidados necessários na gestão financeira condominial. O caso, revelado na última sexta-feira (24), envolveu crimes como estelionato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita, segundo informações da Polícia Civil.
De acordo com as investigações, a empresa era responsável por recolher as taxas condominiais e efetuar pagamentos de despesas básicas, como água, luz e serviços essenciais. No entanto, os valores não eram repassados corretamente, e muitos síndicos só descobriam o problema quando equipes de concessionárias compareciam aos condomínios para cortar o fornecimento.
Pelo menos 18 condomínios já foram identificados como vítimas do esquema.
A Polícia Civil confirmou que o empresário segue preso.
O episódio reacende a preocupação com a transparência na administração condominial em uma cidade onde, segundo o IBGE, mais de 42% da população vive em apartamentos — o que faz de Porto Alegre a quinta capital do país com maior percentual de moradores em condomínios.
“Não existe milagre”: advogada alerta para desconfiança com taxas muito baixas
Em entrevista ao Bom Dia Rio Grande, a advogada Simone Camargo, vice-presidente do Secovi-RS (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis do Rio Grande do Sul), destacou que o caso não é isolado e que situações semelhantes já foram registradas na capital gaúcha.
Segundo a especialista, a escolha da administradora ou imobiliária deve ser feita com critérios rigorosos, como checar referências, eventuais ações judiciais e histórico de pagamentos.
“É fundamental verificar se a empresa tem indicações, se há processos no Tribunal de Justiça e acompanhar mensalmente os demonstrativos. Hoje, praticamente todas as administradoras têm portais e aplicativos onde os síndicos podem conferir os pagamentos”, explica Simone.
Ela também reforça que síndico e conselho fiscal têm papel ativo na fiscalização:
“O papel de verificar contas e extratos é do síndico e do conselho. Eles não podem se eximir dessa responsabilidade. O conselho fiscal existe justamente para isso — e sua função vale do primeiro ao último dia de mandato.”
Camargo ainda faz um alerta sobre ofertas de taxas administrativas muito baixas, que podem mascarar irregularidades:
“Quando o preço parece bom demais, desconfie. Não existe almoço grátis. Muitas vezes, o valor reduzido serve apenas como isca para captar recursos que não serão devidamente aplicados.”
Condomínios pequenos e grandes exigem níveis diferentes de atenção
A advogada também destacou que a dimensão do condomínio influencia no tipo de administração ideal.
Condomínios maiores tendem a exigir síndicos profissionais ou terceirizados, devido à complexidade de gestão, enquanto empreendimentos menores podem optar pela autogestão entre os próprios moradores.
“Cada caso deve ser analisado individualmente. O importante é que haja transparência, acompanhamento constante e acesso aberto aos balancetes e contas”, ressalta Simone.
Falta de participação também favorece irregularidades
Outro ponto levantado durante o debate foi a baixa participação de condôminos em assembleias.
Em muitos condomínios, menos de 10% das unidades comparecem às reuniões, o que dificulta a renovação dos conselhos e favorece a continuidade de gestões pouco fiscalizadas.
“As assembleias são o espaço de controle e decisão. Quando o morador se ausenta, entrega esse poder a poucos — e o risco de irregularidades aumenta”, destacou um dos comentaristas do programa.
Responsabilidade do síndico e do conselho
Por fim, a advogada enfatizou que, dependendo do caso, síndicos e conselheiros podem ser responsabilizados civilmente se houver negligência na fiscalização.
“Se houver omissão ou falta de controle, sim, eles podem ser responsabilizados. É dever do conselho fiscal acompanhar a administração durante todo o mandato, não apenas nas eleições”, reforçou.
Fiscalização é dever coletivo
Os especialistas reforçaram que os balancetes e relatórios financeiros dos condomínios devem estar disponíveis para todos os moradores — e que o acompanhamento constante é uma forma de proteger o patrimônio coletivo.
“Pode parecer chato, mas é justamente o desinteresse dos condôminos que permite que golpes como esse ocorram”, alertou o apresentador.
Com mais de 40% da população porto-alegrense vivendo em apartamentos, o episódio reforça a necessidade de profissionalizar e fiscalizar a gestão condominial, garantindo a segurança financeira e o bem-estar de todos os moradores.
Fonte: Redação | Condomínio Interativo