Acusado de matar corretora vira alvo de ação do condomínio
Auditoria contratada pela nova gestão aponta indícios de irregularidades financeiras durante o período em que Cleber Rosa administrou a associação de moradores

O síndico Cleber Rosa de Oliveira, preso preventivamente e acusado de matar a corretora Daiane Alves Souza, passou a enfrentar mais uma frente judicial. Desta vez, a Associação de Proprietários do condomínio onde exercia a função de síndico, em Caldas Novas (GO), ingressou com uma ação de prestação de contas após uma auditoria independente apontar indícios de irregularidades financeiras durante sua gestão.
Segundo a petição apresentada à Justiça de Goiás, a nova administração encontrou uma situação de desorganização administrativa e contábil referente ao período em que Cleber comandou a associação, entre fevereiro de 2021 e setembro de 2025. Diante do cenário, foi contratada uma auditoria externa, concluída em julho de 2026, que identificou possíveis desvios patrimoniais e uso inadequado de recursos coletivos.
Entre as principais irregularidades apontadas está a utilização de dinheiro da associação para pagamento de despesas relacionadas à escrituração de três imóveis registrados em nome pessoal de Cleber, além da aquisição de um terreno destinado a uma usina fotovoltaica e outro apartamento.
O relatório também indica gastos pessoais custeados pela entidade, como mais de R$ 25.289,44 em combustíveis, R$ 4.470,83 com manutenção e IPVA de veículo — apesar de a associação não possuir frota —, além da compra de celulares e contratação de planos de telefonia.
Outro ponto levantado pela auditoria diz respeito à ausência de documentação fiscal. Conforme o laudo, foram identificados mais de R$ 995 mil em pagamentos de materiais sem notas fiscais, além de R$ 210.666,21 em divergências entre os valores pagos e os documentos apresentados.
A perícia também aponta mais de R$ 1,1 milhão em pagamentos a trabalhadores sem registro formal ou respaldados apenas por recibos simples, além de remunerações pagas "por fora" e pagamentos ao próprio Cleber como mestre de obras, mesmo após a conclusão do empreendimento.
O documento ainda cita o pagamento de R$ 37 mil em comissões de corretagem sem emissão de nota fiscal, destinadas a um filho do investigado durante negociações envolvendo imóveis da associação.
De acordo com a ação, Cleber acumulava funções de presidente da associação, gerente administrativo e mestre de obras, situação que, segundo os auditores, concentrava decisões financeiras sem mecanismos adequados de controle e fiscalização.
Como a nova diretoria afirma que não recebeu a prestação de contas nem a documentação referente à administração anterior, o processo pede que a Justiça determine a apresentação detalhada das contas em formato mercantil para apurar eventual saldo devedor e possível ressarcimento aos associados.
A nova ação se soma aos processos já enfrentados por Cleber Rosa. Além da acusação de homicídio qualificado e ocultação de cadáver pela morte da corretora Daiane Alves, ele também responde por outros processos relacionados à vítima, incluindo invasão de domicílio, agressão e perseguição (stalking). A audiência de instrução do processo criminal está marcada para o dia 27 de agosto.
Fonte: Paranaíba Mais