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Acidentes com elevadores na Bahia crescem 307% em 13 anos e já causaram 212 mortes

Fiscalização do MPT revela falhas em empresas de manutenção, peças recondicionadas e falta de profissionais habilitados como fatores por trás do aumento de ocorrências.

Acidentes com elevadores na Bahia crescem 307% em 13 anos e já causaram 212 mortes
Foto: Imagem ilustrativa

Entre 2010 e 2023, a Bahia registrou um aumento alarmante de 307% nos acidentes envolvendo elevadores, passando de 119 para 485 casos no período, segundo levantamento do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (Ufba) com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). O estado ocupa a oitava posição no país e lidera o Nordeste em número de ocorrências.

Os dados são ainda mais graves quando se observa o número de vítimas fatais. De acordo com o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, 212 pessoas morreram em decorrência de acidentes com elevadores na Bahia nos últimos 13 anos. Desses casos, 139 (65%) foram registrados como acidentes de trabalho.

O cenário motivou uma fiscalização do Ministério Público do Trabalho (MPT), que inspecionou 12 das principais empresas de montagem e manutenção de elevadores no estado. O resultado trouxe à tona irregularidades que ajudam a explicar o aumento de acidentes. Mais de 80 empresas do setor deverão ser notificadas.

Segundo o procurador Ilan Fonseca, coordenador do projeto, muitas companhias descumprem normas técnicas básicas, como o detalhamento nos diários de manutenção dos equipamentos.

“O relatório funciona como uma história do elevador. Ele deve registrar todas as peças substituídas, os testes realizados e o nome do responsável técnico. É a garantia de que uma manutenção adequada foi feita”, explicou.

Outro problema identificado foi a contratação de profissionais sem formação específica e sem registro em conselhos de classe, como o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e o Conselho Regional dos Técnicos (CRT). A prática não apenas compromete a qualidade dos serviços, como também pode resultar em impunidade em caso de acidentes fatais.

A fiscalização também revelou o uso irregular de peças recondicionadas. Embora a legislação municipal permita a substituição por peças genéricas identificadas, o recondicionamento é proibido.

“Temos constatado improvisos para prolongar a vida útil de peças danificadas, o que aumenta significativamente os riscos”, destacou Fonseca.

A oscilação de energia é outro fator apontado pelo MPT como causador de falhas. Nessas situações, o mecanismo de segurança deve ser imediatamente acionado, e apenas técnicos autorizados ou o Corpo de Bombeiros podem restabelecer o funcionamento. Porém, há relatos de que síndicos e porteiros têm assumido essa função sem capacitação adequada.

O aumento expressivo dos acidentes com elevadores na Bahia evidencia a urgência de medidas mais rigorosas de fiscalização, maior responsabilização das empresas e a conscientização de condomínios sobre a importância da contratação de serviços especializados e devidamente credenciados.

Fonte: Correio 24h