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Abrainc alerta para cenário de incertezas no mercado

Luiz França defende transparência na apuração de fatos envolvendo o STF e destaca ajuste fiscal, juros e crédito imobiliário como pontos de atenção

Abrainc aponta impactos da instabilidade institucional sobre ambiente de negócios
Foto: Foto: Reprodução

O ambiente institucional brasileiro entrou no radar do mercado imobiliário diante das incertezas relacionadas ao cenário político e às discussões envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), afirmou que o contexto gera insegurança para quem empreende, embora tenha ressaltado que, até o momento, não houve impacto sobre os investimentos do setor.

A Abrainc reúne 90 das maiores empresas do mercado imobiliário nacional, cujas vendas anuais, segundo o Estadão, giram em torno de R$ 71 bilhões. Na avaliação apresentada por França, a apuração transparente e rápida dos fatos relacionados às instituições é necessária para reduzir o ambiente de incerteza.

O executivo afirmou que a associação defende transparência, velocidade na apuração e respeito ao direito de defesa das pessoas envolvidas nos episódios em discussão. A manifestação ocorreu após a entidade aderir ao “Manifesto à Nação Brasileira”, encabeçado pela Fiesp.

Segundo França, o cenário político pode gerar dúvidas tanto para empresários que já atuam no Brasil quanto para investidores interessados em ingressar no país. Na avaliação do presidente da Abrainc, a previsibilidade das instituições é um dos elementos que influenciam as decisões de investimento.

Apesar das preocupações, o executivo afirmou que o setor imobiliário ainda não registrou uma postergação de investimentos provocada pelo episódio. A explicação está na própria característica da atividade, que possui ciclos longos de desenvolvimento.

Antes de um empreendimento chegar ao mercado, são necessárias etapas como aquisição do terreno, elaboração e aprovação de projetos, licenciamento, lançamento, comercialização e execução das obras. Dessa forma, os projetos que chegam atualmente ao mercado são resultado de decisões empresariais tomadas meses ou até anos antes.

Esse ciclo também significa que eventuais mudanças provocadas pelo ambiente econômico ou institucional podem aparecer de forma gradual. Para França, portanto, ainda não seria possível atribuir ao cenário atual uma redução imediata nos investimentos imobiliários.

Além das questões institucionais, o presidente da Abrainc destacou fatores econômicos que, segundo ele, precisam ser considerados para preservar os investimentos privados. Entre eles está o ajuste fiscal, apontado como uma medida capaz de contribuir para a redução dos juros.

A taxa de juros possui relação direta com o mercado imobiliário porque influencia o custo do financiamento e as condições de acesso ao crédito. Para empresas do setor, o custo de capital também interfere na estrutura financeira dos empreendimentos e nas decisões relacionadas a novos projetos.

França também defendeu o adiamento da proposta em tramitação no Congresso Nacional relacionada ao fim da escala de trabalho 6x1. A posição foi apresentada pelo executivo dentro de sua avaliação sobre as medidas que poderiam afetar o ambiente econômico e os custos das empresas.

Outro ponto abordado foi o novo modelo de crédito imobiliário. O presidente da Abrainc defendeu que sua implementação seja postergada até um momento em que os juros estejam mais baixos.

A discussão sobre crédito é especialmente relevante para o mercado imobiliário porque a aquisição de imóveis depende, em grande medida, das condições de financiamento disponíveis aos consumidores. Alterações nas regras de crédito podem afetar tanto a capacidade de compra quanto as estratégias comerciais das incorporadoras.

Para o setor, portanto, as condições financeiras e institucionais fazem parte de um conjunto de fatores que precisam ser acompanhados antes da tomada de decisões de longo prazo. O desenvolvimento de um empreendimento envolve recursos elevados e planejamento que se estende por diferentes etapas.

A entrevista também evidencia a diferença entre o impacto imediato de um acontecimento e seus possíveis efeitos futuros. Como os projetos imobiliários possuem ciclos prolongados, alterações no ambiente de negócios podem levar tempo para aparecer nos lançamentos, nas vendas e no ritmo das obras.

Nesse contexto, incorporadoras e demais empresas da cadeia imobiliária acompanham indicadores relacionados ao custo do crédito, demanda, investimentos, legislação e condições econômicas. A combinação desses fatores influencia a viabilidade de novos empreendimentos e o planejamento empresarial.

A posição apresentada por Luiz França representa a avaliação da Abrainc sobre o atual cenário. A entidade defende que a previsibilidade institucional, o controle das condições fiscais e a redução dos juros são elementos importantes para a continuidade dos investimentos privados no setor.

Para o mercado imobiliário, o acompanhamento dessas variáveis permanece relevante porque decisões tomadas atualmente podem produzir efeitos durante vários anos. O desempenho futuro do segmento dependerá da combinação entre demanda, condições de financiamento, custos de produção, ambiente regulatório e confiança dos agentes econômicos.

Fonte: Estadão