4 em cada 10 brasileiros apoiam decisão do condomínio sobre Airbnb
Levantamento mostra que 39% concordam que condomínios possam vetar ou autorizar locações de curta duração; tema ganhou força após decisão do STJ.

Uma pesquisa revela que 39% dos brasileiros concordam que condomínios possam decidir se permitem ou vetam o aluguel de imóveis por plataformas de curta temporada, como Airbnb. O levantamento ocorre em meio ao aumento das discussões sobre os limites do aluguel por temporada em edifícios residenciais.
O tema ganhou ainda mais relevância após uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a utilização de unidades residenciais para locações de curta duração.
Pesquisa mostra divisão entre brasileiros
De acordo com o levantamento, 39% dos entrevistados concordam que o condomínio tenha poder para autorizar ou impedir o aluguel por plataformas digitais.
Por outro lado, 32% discordam dessa possibilidade, enquanto 29% não concordam nem discordam da afirmação.
Os números mostram que não existe consenso entre os brasileiros sobre quem deve ter a palavra final em relação ao aluguel de curta duração: o proprietário da unidade ou a coletividade condominial.
Levantamento ouviu 1.400 pessoas
A pesquisa foi realizada pela Loft em parceria com a Offerwise, entre os dias 21 e 30 de julho de 2026.
Foram entrevistadas 1.400 pessoas em seis capitais brasileiras: Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Goiânia.
O levantamento buscou identificar a percepção dos brasileiros sobre o aluguel por temporada e os impactos desse modelo na vida em condomínios.
Experiência com aluguel de curta duração influencia percepção
A pesquisa também identificou que uma parcela dos entrevistados já teve algum contato com o modelo de hospedagem de curta duração.
Entre os participantes, 36% afirmaram já ter tido contato com esse tipo de locação. Nesse grupo, 16% relataram problemas relacionados à prática, como barulho, insegurança e alta rotatividade de pessoas.
Os dados ajudam a explicar por que a discussão sobre o papel dos condomínios ganhou espaço entre moradores e proprietários.
Proprietários também utilizam plataformas de temporada
O levantamento mostrou ainda que 11% dos entrevistados já alugaram ou tentaram alugar o próprio imóvel por meio do Airbnb ou de plataformas semelhantes.
Além disso, 8% afirmaram morar ou já ter morado em um condomínio que permite aluguel por curta duração, enquanto 6% disseram viver ou ter vivido em empreendimentos que proíbem esse tipo de locação.
Os resultados evidenciam que o modelo já faz parte da realidade de uma parcela dos proprietários e moradores brasileiros.
Direito de propriedade também divide opiniões
Outro dado importante da pesquisa é que 32% dos entrevistados entendem que a decisão sobre alugar o imóvel deveria caber ao próprio proprietário, e não ao condomínio.
A questão coloca em lados diferentes dois interesses: de um lado, o direito do proprietário de obter renda com seu imóvel; de outro, a autonomia da coletividade para estabelecer regras de convivência e definir a destinação das unidades.
O conflito é especialmente relevante em condomínios exclusivamente residenciais, nos quais a circulação frequente de pessoas pode gerar preocupações relacionadas à segurança e ao sossego.
STJ ampliou debate sobre Airbnb
A discussão ganhou força após o STJ analisar um caso envolvendo a utilização de uma unidade residencial para locações de curta duração.
Em maio de 2026, a Corte entendeu que a exploração recorrente de imóveis por períodos curtos pode, em determinadas circunstâncias, descaracterizar a finalidade exclusivamente residencial do condomínio.
Nessa situação, a mudança de destinação depende da aprovação de dois terços dos condôminos. O julgamento considerou fatores como a elevada rotatividade de ocupantes e os possíveis impactos na segurança e na convivência entre moradores.
Decisão não significa proibição automática
Apesar da repercussão do julgamento, a decisão não significa que todo imóvel anunciado no Airbnb esteja automaticamente proibido em condomínios residenciais.
A análise depende das características da utilização da unidade e das regras estabelecidas pelo empreendimento. A própria discussão jurídica envolve situações em que a frequência e a forma de exploração da locação podem se aproximar de uma atividade de hospedagem.
Por isso, a convenção condominial continua sendo um dos principais documentos a serem analisados antes da adoção de medidas sobre o tema.
Tema deve continuar no centro dos condomínios
A pesquisa mostra que a população está dividida sobre a possibilidade de os condomínios decidirem sobre o aluguel por temporada, enquanto decisões judiciais continuam estabelecendo parâmetros para a atividade.
Para síndicos, administradoras e proprietários, o cenário exige atenção às regras internas, às decisões judiciais e às características de cada empreendimento.
Com o crescimento das plataformas digitais e a utilização dos imóveis como fonte de renda, a discussão sobre Airbnb, direito de propriedade e autonomia condominial deve continuar presente nas assembleias e nos tribunais brasileiros.
Fonte: Exame