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16ª FESÍNDICO reúne especialistas e mostra que o futuro da gestão condominial passa pelo planejamento

Evento colocou em pauta segurança, tecnologia, direito, engenharia, reforma tributária, planejamento financeiro, comportamento e os novos desafios enfrentados pelos síndicos

16ª FESÍNDICO reúne especialistas e mostra que o futuro da gestão condominial passa pelo planejamento

16ª FESÍNDICO reúne especialistas e mostra que o futuro da gestão condominial passa pelo planejamento

A 16ª FESÍNDICO reuniu, ao longo de dois dias, síndicos, administradores, empresas e profissionais do mercado condominial para discutir alguns dos principais desafios que já fazem parte — ou começam a fazer — da rotina dos empreendimentos.

Com uma programação marcada por palestras técnicas, jurídicas e de gestão, o evento apresentou diferentes perspectivas sobre segurança, engenharia, planejamento financeiro, tecnologia, comportamento, manutenção, reforma tributária e as transformações que atingem os condomínios.

Apesar da diversidade de temas, as apresentações convergiram para uma mesma questão: o síndico precisa estar cada vez mais preparado para antecipar problemas, reconhecer seus limites e tomar decisões com planejamento e apoio especializado.

Segurança e novas tecnologias já fazem parte da rotina

A programação começou com um alerta do Coronel Leandro Rodrigues, diretor-geral de Operações do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco, sobre a instalação de carregadores para veículos elétricos em condomínios.

A discussão mostrou que a chegada dos veículos elétricos traz novos desafios para os gestores. A instalação dos equipamentos precisa considerar capacidade elétrica, prevenção e combate a incêndios, rotas de fuga, estrutura da edificação e exigências de segurança.

O tema também apareceu posteriormente na palestra do Dr. Inaldo Dantas, que destacou a necessidade de estudos de carga, projetos, profissionais habilitados e regras internas antes da instalação de carregadores. Para o advogado, o condomínio não deve simplesmente proibir a tecnologia, mas avaliar tecnicamente as condições do empreendimento e estabelecer critérios para sua utilização.

A discussão representa uma mudança importante na gestão: novas tecnologias chegam aos condomínios antes mesmo que muitos empreendimentos estejam preparados para estabelecer procedimentos sobre elas.

Airbnb e locações por temporada desafiam as regras tradicionais

Outro tema que ganhou espaço foi a locação por temporada por meio de plataformas digitais, abordada pelo advogado Dr. Norberto Lopes.

A palestra mostrou que o crescimento desse modelo trouxe questões relacionadas ao direito de propriedade, à destinação do condomínio, à segurança, ao controle de acesso e ao impacto da alta rotatividade de hóspedes.

A convenção condominial foi apresentada como um dos principais instrumentos para estabelecer regras sobre a utilização das unidades, inclusive com definição de procedimentos para cadastro, controle de acesso e número de ocupantes.

Além da segurança, a discussão também envolveu os impactos sobre funcionários, áreas comuns, consumo de água e energia e custos de manutenção.

O tema reforçou uma característica presente em diferentes palestras da FESÍNDICO: regras claras e planejamento antecipado podem reduzir conflitos que, quando deixados para depois, tornam-se mais difíceis de administrar.

Condomínio passa a reproduzir desafios da própria cidade

A empresária Solange Syllos apresentou uma reflexão sobre os condomínios como verdadeiras “células das cidades”.

A analogia mostrou que os empreendimentos não estão isolados dos problemas e transformações da sociedade. Envelhecimento da população, acessibilidade, segurança, tecnologia, sustentabilidade, mobilidade, diversidade e mudanças climáticas já fazem parte da rotina de muitos condomínios.

A palestrante também chamou atenção para a transformação da portaria, que deixou de ser apenas um ponto de controle de visitantes e passou a concentrar entregadores, motoristas de aplicativos, cuidadores, profissionais de manutenção e outros prestadores.

Com o aumento do fluxo, cresce também a necessidade de procedimentos eficientes de controle de acesso.

As mudanças climáticas entraram na mesma discussão. Falta de energia, enchentes, incêndios e outras situações de emergência exigem que o condomínio esteja preparado para responder antes que uma ocorrência aconteça.

O síndico precisa saber o que não sabe

A engenharia também ganhou destaque na programação.

Durante a palestra de Luiz Fernando, a principal orientação foi para que o síndico reconheça seus próprios limites técnicos e saiba quando buscar a ajuda de um profissional habilitado.

O especialista apresentou quatro níveis de conhecimento e destacou que, para o gestor condominial, um dos mais importantes é saber o que não sabe. Essa consciência permite fazer perguntas, buscar informações e contratar especialistas quando necessário.

A discussão também mostrou que fotografias enviadas por WhatsApp não substituem uma avaliação técnica. Fissuras, rachaduras, infiltrações e outros problemas podem apresentar características diferentes daquelas percebidas inicialmente.

A manutenção preventiva apareceu, nesse contexto, como uma ferramenta para reduzir riscos, evitar custos maiores e preservar a vida útil dos sistemas da edificação.

Planejamento financeiro deixa de ser apenas uma previsão de despesas

No segundo dia, o auditório ficou lotado durante a palestra de Roberto Fagundes, diretor da Tecmetria e do Condomínio Interativo.

Com uma abordagem prática, Fagundes mostrou que a gestão profissional não está necessariamente relacionada ao fato de o síndico ser profissional, mas à maneira como ele administra o empreendimento.

A previsão orçamentária foi um dos principais pontos apresentados. A proposta é que a taxa condominial seja construída a partir da realidade do empreendimento, considerando despesas recorrentes e periódicas, fundos, metas, desejos, inadimplência, isenções e oscilações ao longo do ano.

A criação de fundos para manutenções futuras também foi destacada como uma forma de preparar financeiramente o condomínio e evitar que intervenções previsíveis se transformem em taxas extraordinárias ou emergências financeiras.

Para Fagundes, planejamento e manutenção também estão relacionados à preservação e à valorização do patrimônio.

Reforma tributária coloca auditoria e prevenção no centro da gestão

A contadora, empresária e auditora Michele Lordêlo, especialista em condomínios desde 2004, levou para a programação uma discussão sobre a reforma tributária e a importância da auditoria preventiva.

A especialista apresentou a reforma como apenas a parte visível de uma questão mais ampla, utilizando a metáfora do iceberg para mostrar que diversas não conformidades podem permanecer abaixo da superfície.

Entre os pontos apresentados estavam emissão de notas fiscais, tributos, créditos, renegociação com fornecedores, revisão da previsão orçamentária e adequação de contratos.

Michele também destacou a necessidade de uma análise multidisciplinar, envolvendo áreas como jurídico, contabilidade, gestão condominial e outras especialidades, conforme as necessidades identificadas em cada empreendimento.

A mensagem foi de que a prevenção não deve começar somente quando aparece uma fiscalização, uma cobrança ou um problema. O diagnóstico antecipado pode revelar situações que, se ignoradas, podem gerar riscos financeiros, administrativos ou de segurança.

Síndico precisa deixar de ser o “vizinho que faz favores”

A dimensão humana da gestão também esteve presente na apresentação de Willian Santos.

O especialista chamou atenção para uma situação comum em muitos condomínios: o síndico ser tratado como uma pessoa disponível 24 horas por dia para resolver qualquer problema dos moradores.

Exemplos apresentados durante a palestra mostraram moradores acionando síndicos para situações que extrapolam suas atribuições, inclusive durante a madrugada.

A reflexão foi além da quantidade de demandas. O ponto central foi o impacto dessas solicitações sobre o tempo, a rotina e a capacidade de gestão do síndico.

Willian propôs uma mudança de mentalidade: em vez de atuar como o “vizinho que faz favores”, o síndico deve assumir uma postura de gestor, compreender as expectativas dos moradores e identificar os riscos existentes no empreendimento.

Entre as orientações apresentadas estava a necessidade de mapear situações de risco, como problemas relacionados a documentos de segurança, extintores e seguros, e trabalhar com ferramentas de gestão para organizar a administração.

Direito, compras online e novas obrigações também entram na agenda

A palestra de Dr. Inaldo Dantas ampliou ainda mais o debate ao mostrar que os condomínios precisam acompanhar mudanças que não necessariamente nasceram dentro deles.

Além dos veículos elétricos e das locações por temporada, o advogado abordou o crescimento das compras online e a necessidade de criar procedimentos para recebimento, armazenamento e retirada de encomendas.

A reforma tributária também apareceu como uma preocupação para síndicos, administradoras, contadores e assessorias jurídicas, especialmente diante das mudanças relacionadas à emissão de documentos fiscais e às operações realizadas pelos condomínios.

A conclusão apresentada por Inaldo dialoga diretamente com os demais especialistas: esperar o problema aparecer para somente depois procurar uma solução pode tornar a resposta mais difícil e custosa.

Uma nova postura para o síndico

Ao reunir especialistas de diferentes áreas, a 16ª FESÍNDICO mostrou que a gestão condominial deixou de ser uma atividade restrita ao controle financeiro, à contratação de serviços e à resolução de conflitos.

O síndico atual precisa lidar com segurança, engenharia, direito, tecnologia, finanças, tributação, comportamento, acessibilidade, sustentabilidade e planejamento.

A complexidade também aumenta porque os próprios moradores mudaram. As expectativas por respostas rápidas, os novos formatos de moradia, o crescimento das entregas, as novas tecnologias e as transformações sociais chegam diariamente aos condomínios.

Nesse cenário, as palestras apresentadas ao longo do evento apontaram diferentes caminhos, mas uma mesma direção: conhecimento, prevenção, planejamento e profissionalização da gestão.

FESÍNDICO encerra programação com olhar para o futuro

Ao final dos dois dias de programação, a 16ª FESÍNDICO deixou uma mensagem que atravessou praticamente todos os temas apresentados: o condomínio do futuro já está chegando — e os síndicos precisam estar preparados para ele.

Do carregador de veículo elétrico à reforma tributária, da manutenção predial ao Airbnb, das novas demandas dos moradores ao planejamento financeiro, os desafios são diferentes, mas exigem uma mesma capacidade de resposta: antecipar, estudar, buscar orientação e tomar decisões com responsabilidade.

A participação dos especialistas também reforçou que o síndico não precisa dominar todas as áreas que envolvem a administração de um condomínio. Precisa, sobretudo, saber reconhecer os problemas, entender seus limites e buscar os profissionais certos para cada decisão.

Foi esse conjunto de conhecimentos que marcou a cobertura do Condomínio Interativo na 16ª FESÍNDICO: um evento que colocou em discussão não apenas os problemas atuais dos condomínios, mas principalmente a necessidade de preparar a gestão para os desafios que já estão surgindo.