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MP investiga licenças de condomínio de alto padrão

Inquérito civil apura a regularidade ambiental e urbanística de empreendimento com 26 andares em Campo Grande, previsto para área de amortecimento do Parque Estadual do Prosa

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Edifício Alto Padrão Heritage · Foto: Divulgação

MPMS investiga licenças ambientais de condomínio de luxo em frente ao Parque das Nações Indígenas

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para apurar a regularidade jurídico-ambiental do Edifício Alto Padrão Heritage, também conhecido como Edifício Isaac de Oliveira, previsto para o bairro Carandá Bosque, em Campo Grande. O empreendimento será construído na Rua Antônio Maria Coelho, em frente ao Parque das Nações Indígenas.

A investigação é conduzida pela 34ª Promotoria de Justiça de Campo Grande e busca verificar se o projeto atende às normas ambientais e urbanísticas aplicáveis, incluindo a regularidade das licenças e dos procedimentos administrativos necessários à construção.

Segundo reportagem publicada pelo Correio do Estado em 28 de outubro de 2026, o empreendimento está localizado na zona de amortecimento do Parque Estadual do Prosa, circunstância que exige análise dos possíveis impactos sobre a unidade de conservação.

Inquérito busca esclarecer a regularidade do licenciamento

A apuração teve início em junho de 2026, com a abertura de uma Notícia de Fato. Na ocasião, o Ministério Público solicitou documentos e esclarecimentos a órgãos municipais e estaduais para verificar a situação do licenciamento ambiental e urbanístico.

Em outubro, o procedimento foi convertido em inquérito civil após a identificação de divergências nas informações relacionadas à comunicação entre os órgãos ambientais. Conforme a reportagem, o MPMS busca esclarecer se determinado ofício foi encaminhado ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e qual foi o tratamento dado ao documento.

A divergência motivou novas diligências, mas não representa, por si só, prova de que o empreendimento tenha sido licenciado irregularmente. O objetivo da investigação é reunir informações suficientes para esclarecer os procedimentos adotados e verificar sua conformidade com a legislação.

Órgãos públicos devem apresentar documentos e esclarecimentos

Entre as providências solicitadas pelo Ministério Público estão documentos da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semades) e do Imasul.

A Planurb foi acionada para apresentar o processo administrativo de licenciamento ambiental, informações sobre a concessão da Guia de Diretrizes Urbanísticas (GDU) e esclarecimentos sobre o encaminhamento de um ofício relacionado ao empreendimento. À Semades, foram solicitados documentos referentes ao licenciamento urbanístico e ao alvará de construção.

O Imasul deverá esclarecer questões relativas à localização do projeto na zona de amortecimento do Parque Estadual do Prosa, à eventual comunicação sobre o licenciamento e ao encaminhamento dado ao expediente mencionado na investigação.

O MPMS também solicitou informações ao empreendedor sobre o estágio do projeto, o início das obras e a comercialização das unidades. A reportagem informa que os apartamentos já estão sendo vendidos na planta, embora a construção ainda esteja prevista para começar no segundo semestre de 2026.

Estudo de impacto de vizinhança também será analisado

A investigação inclui uma avaliação do Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), documento utilizado para examinar possíveis efeitos de empreendimentos sobre a região em que serão implantados.

O Ministério Público solicitou ao setor técnico responsável uma análise para verificar se existem inconsistências, omissões ou fragilidades no estudo e se as medidas previstas para prevenir impactos ambientais negativos são adequadas.

A análise técnica poderá contribuir para esclarecer se os documentos apresentados contemplam os efeitos relevantes do empreendimento e se as providências previstas são compatíveis com as exigências aplicáveis.

A localização próxima a áreas ambientalmente protegidas torna especialmente importante a verificação dos estudos e das autorizações pertinentes. Isso não significa, contudo, que a proximidade de uma unidade de conservação torne automaticamente irregular a construção.

Projeto prevê torre de 26 andares e 49 apartamentos

De acordo com as informações publicadas pelo Correio do Estado, o Edifício Alto Padrão Heritage terá uma torre residencial com 26 andares e 49 unidades, incluindo um apartamento na cobertura. O projeto prevê área total de terreno de 3.150,96 metros quadrados e área construída de 17.801,78 metros quadrados.

A empresa indicada como responsável pelo empreendimento é a Saraiva de Rezende INCG Empreendimentos Imobiliários SPE Ltda. A conclusão das obras está prevista para 2029.

A dimensão do projeto e sua localização tornam relevantes as análises sobre ocupação do solo, impactos de vizinhança e cumprimento das exigências ambientais. A avaliação desses aspectos, entretanto, depende dos documentos técnicos e administrativos que integram o processo.

Zona de amortecimento exige atenção às regras ambientais

A zona de amortecimento é uma área no entorno de uma unidade de conservação destinada a contribuir para a redução dos impactos negativos sobre o espaço protegido. Nela, atividades e empreendimentos podem estar sujeitos a critérios específicos, conforme a legislação e as regras aplicáveis à unidade de conservação.

No caso investigado, o Ministério Público pretende esclarecer se os procedimentos adotados pelos órgãos competentes consideraram adequadamente a localização do edifício e os possíveis riscos ambientais associados ao projeto.

A análise deverá considerar os documentos de licenciamento, os estudos apresentados, as manifestações dos órgãos responsáveis e as medidas eventualmente exigidas para prevenir ou mitigar impactos.

Investigação não significa irregularidade comprovada

A instauração do inquérito civil representa uma etapa de apuração e coleta de informações. Até que sejam concluídas as diligências, não é possível afirmar que o empreendimento tenha descumprido a legislação ou que suas licenças sejam inválidas.

A investigação poderá esclarecer se os procedimentos foram realizados corretamente, se houve falhas administrativas e se são necessárias medidas adicionais. Eventuais providências dependerão dos resultados da análise documental e técnica.

O caso evidencia a importância da transparência nos processos de licenciamento e da avaliação dos impactos ambientais e urbanísticos de grandes empreendimentos, especialmente quando estão próximos de áreas protegidas. A conclusão dependerá das informações reunidas pelo Ministério Público e das manifestações dos órgãos e responsáveis envolvidos.