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Juridico

Justiça paralisa obras de condomínio em Jundiaí

Decisão suspende intervenção no empreendimento Santorini até comprovação da regularização ambiental em área de preservação permanente

Justiça paralisa obras de condomínio em Jundiaí a pedido do MPSP
Foto: O órgão pede regularização ambiental e, em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 50 mil, limitada a R$ 5 milhões

A Justiça determinou a paralisação temporária das obras do empreendimento Santorini, localizado no Jardim Bonfiglioli, em Jundiaí, no interior de São Paulo. A decisão foi tomada após pedido da Promotoria de Justiça de Jundiaí e estabelece que os trabalhos permaneçam suspensos até que sejam apresentados documentos capazes de comprovar a regularização ambiental da intervenção realizada em uma Área de Preservação Permanente (APP).

A determinação judicial permite somente a execução de serviços considerados necessários para garantir a segurança e a estabilidade do local. Estão autorizadas atividades de estabilização geotécnica, contenção, drenagem provisória, controle de erosão e sedimentos, além da manutenção das intervenções que já foram realizadas.

Esses serviços, entretanto, não podem ser utilizados para dar continuidade a novas etapas da obra. Em caso de descumprimento da ordem judicial, foi estabelecida multa diária de R$ 50 mil, limitada inicialmente a R$ 5 milhões.

Empreendimento tem 151 unidades

O condomínio Santorini possui 151 unidades distribuídas em duas torres e está localizado no Jardim Bonfiglioli. A ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) em maio deste ano, depois que uma representação apresentada por um morador levou à abertura de uma investigação sobre possíveis irregularidades no empreendimento.

Segundo o MPSP, o alvará de execução da obra foi expedido em julho de 2025, embora a análise dos projetos relacionados à drenagem ainda não estivesse concluída. O procedimento municipal também apresentava pendências técnicas.

Entre os pontos identificados estavam questões envolvendo sub-bacias, sistema de lançamento, trajeto de galerias, memorial descritivo, canaletas e compatibilização técnica dos projetos.

Drenagem é um dos pontos centrais

A situação do sistema de drenagem aparece como um dos principais pontos analisados na ação. Segundo o Ministério Público, a área apresenta sensibilidade ambiental, com a presença de curso d'água e faixa de Área de Preservação Permanente.

A implantação do empreendimento envolve intensa movimentação de terra, alteração da topografia, impermeabilização do solo, fundações profundas e estruturas de contenção. Diante dessas características, o planejamento adequado da drenagem é considerado relevante para evitar impactos sobre o terreno e áreas próximas.

Na avaliação apresentada pelo MPSP, a ausência de uma solução de drenagem previamente analisada poderia elevar os riscos de alagamentos, erosão, impactos sobre imóveis vizinhos e comprometimento da estabilidade do terreno.

Prefeitura terá prazos para apresentar informações

A decisão judicial também estabeleceu obrigações para o município de Jundiaí. A Prefeitura terá 20 dias para concluir a oitiva dos órgãos técnicos no processo administrativo e apresentar uma definição fundamentada sobre a contrapartida urbanística prevista na legislação municipal.

Caso não seja possível estabelecer a contrapartida nesse período, o município deverá justificar concretamente a impossibilidade.

Além disso, a Prefeitura terá 10 dias para apresentar um relatório técnico e fotográfico indicando o estágio atual das obras e o cumprimento das determinações judiciais.

Empreendimento deverá esclarecer sistema de drenagem

A decisão também determinou que o próprio empreendimento apresente documentação sobre as condições do sistema de drenagem.

Entre as informações exigidas está a confirmação de que existem as anuências necessárias para o sistema e se a revisão do dimensionamento da tubulação levou em consideração as águas pluviais provenientes do loteamento vizinho.

O ponto é relevante porque o planejamento da drenagem precisa considerar não apenas as características internas do terreno, mas também a dinâmica das águas pluviais nas áreas do entorno, especialmente em locais sujeitos a alterações de topografia e impermeabilização decorrentes de novos empreendimentos.

Cetesb deverá esclarecer necessidade de autorização

A decisão judicial também considerou a existência de indicação técnica de que o projeto de drenagem aprovado pelo município poderia interferir em um curso d'água e em uma Área de Preservação Permanente que não estaria abrangida pela autorização ambiental existente.

Diante desse cenário, caberá à Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) esclarecer se será necessária uma nova autorização ambiental, complementação ou retificação da autorização já existente.

A análise ambiental é especialmente relevante diante das características da área e das intervenções previstas no empreendimento. A movimentação de solo, a alteração da topografia e a implantação de estruturas de contenção podem modificar o comportamento da água no terreno e exigir medidas específicas de controle.

Investigação começou após representação de morador

A apuração conduzida pelo MPSP teve início depois de uma representação feita por um morador, que apontou possíveis irregularidades relacionadas ao empreendimento.

A partir da investigação, a Promotoria identificou pendências no procedimento administrativo e questões relacionadas à regularização ambiental e ao projeto de drenagem. Com base nos elementos reunidos, foi ajuizada a ação civil pública em maio de 2026.

A ação foi apresentada pela promotora de Justiça Luciane Rodrigues Antunes. A decisão agora interrompe temporariamente as obras até que as questões determinadas pela Justiça sejam esclarecidas e documentadas.

O caso evidencia a importância da compatibilização entre projetos de engenharia, licenciamento ambiental, drenagem e legislação urbanística antes do avanço de empreendimentos imobiliários. Em áreas ambientalmente sensíveis, o planejamento técnico e a regularização das intervenções tornam-se elementos fundamentais para reduzir riscos à obra, ao terreno e aos imóveis localizados no entorno.

Fonte: JP1