Juridico

Golpe usa processos judiciais para enganar clientes

Criminosos se passam por advogados ou representantes da Justiça, utilizam informações processuais para dar credibilidade às abordagens e solicitam pagamentos antecipados

Golpe usa processos judiciais para enganar clientes.webp
Golpistas usam dados de processos judiciais para abordar clientes · Foto: Banco de imagem/Nsc

Golpistas usam dados de processos judiciais para abordar clientes de imobiliárias em Santa Catarina

O uso de informações de processos judiciais para aplicar fraudes tem motivado alertas das autoridades em Santa Catarina. Criminosos estão se passando por advogados e representantes do Poder Judiciário para abordar pessoas envolvidas em ações judiciais, utilizando dados verdadeiros dos processos para dar credibilidade às mensagens e solicitar pagamentos indevidos.

A prática preocupa também o setor imobiliário, já que clientes de imobiliárias podem estar envolvidos em disputas judiciais relacionadas a contratos, compra e venda, locação ou outras questões patrimoniais. Ao utilizar informações específicas sobre uma ação, os golpistas conseguem construir abordagens que parecem legítimas e explorar a expectativa de receber valores ou resolver pendências.

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) emitiu um alerta em outubro de 2026 sobre o aumento de fraudes conhecidas como “golpe do falso advogado” e “golpe do falso Juizado Especial”, registradas em diferentes comarcas do Estado.

Como os criminosos utilizam informações judiciais

Nas abordagens, os fraudadores entram em contato por aplicativos de mensagens, ligações telefônicas e outros canais de comunicação. Eles podem utilizar nomes de advogados, fotografias, logotipos e informações institucionais para se apresentar como profissionais responsáveis pelo processo ou representantes da Justiça.

Em muitos casos, afirmam que a vítima tem valores a receber em uma ação judicial e que precisa realizar um pagamento antecipado para liberar o dinheiro. As cobranças podem ser apresentadas como taxas, custas ou outras despesas supostamente necessárias à conclusão do procedimento.

Os pedidos costumam envolver transferências bancárias ou pagamentos via Pix. Também podem ocorrer solicitações de informações pessoais e bancárias, que posteriormente podem ser utilizadas em outras fraudes.

Um dos aspectos que tornam esse tipo de golpe mais convincente é o conhecimento de informações reais do processo, como nomes das partes e dados da ação. Entretanto, o acesso a esses detalhes não comprova a identidade de quem realiza o contato.

TJSC investiga uso indevido de dados processuais

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina informou que acompanha o aumento dessas ocorrências por meio do Núcleo de Inteligência e Segurança Institucional, em conjunto com a Polícia Civil.

Segundo o órgão, existem indícios de utilização indevida de informações processuais obtidas por meio de acessos não autorizados a sistemas informatizados. A origem dos dados e as circunstâncias das fraudes estão sob apuração das autoridades competentes.

As instituições compartilham informações para esclarecer os casos, identificar os responsáveis e localizar possíveis vítimas. O trabalho também busca evitar novas abordagens que utilizem indevidamente a identidade visual e a credibilidade do Judiciário.

O TJSC reforça que o Poder Judiciário não solicita depósitos, transferências, pagamentos ou adiantamentos como condição para liberar valores de processos judiciais.

Por que clientes do mercado imobiliário devem ficar atentos?

Questões imobiliárias podem envolver processos judiciais e negociações de valores expressivos. Em situações de disputa contratual, cobranças, indenizações ou ações relacionadas a imóveis, clientes podem receber contatos que mencionam informações específicas de seus casos.

Esse contexto pode ser explorado por criminosos para criar uma falsa sensação de urgência. A promessa de recebimento de dinheiro ou de solução rápida de uma pendência pode levar a vítima a realizar transferências sem confirmar a autenticidade da solicitação.

Por isso, imobiliárias, corretores e demais profissionais do setor podem contribuir para a prevenção ao orientar clientes sobre a importância de verificar qualquer comunicação relacionada a processos judiciais. A confirmação deve ser feita diretamente com o advogado responsável, por meio de um telefone ou canal de contato previamente conhecido.

Como evitar o golpe

A principal recomendação é não realizar pagamentos nem fornecer informações pessoais ou bancárias antes de confirmar a legitimidade do contato.

Mensagens que exigem transferências urgentes para liberar indenizações, alvarás ou valores judiciais devem ser tratadas com cautela. Mesmo quando apresentam dados corretos sobre o processo, os interlocutores podem ser criminosos utilizando informações obtidas indevidamente ou disponíveis em consultas públicas.

Em caso de dúvida, a pessoa deve interromper a conversa e procurar diretamente o advogado responsável ou a unidade judicial competente, utilizando os canais oficiais. Não é recomendável confirmar a solicitação pelo mesmo número que iniciou a abordagem suspeita.

Quem receber uma tentativa de fraude deve preservar mensagens, números de telefone, documentos e comprovantes eventualmente enviados. Se houver transferência de dinheiro, é importante comunicar imediatamente o banco e registrar boletim de ocorrência junto à Polícia Civil.

Prevenção também depende da orientação ao cliente

O alerta do TJSC reforça a necessidade de atenção à circulação de informações processuais e à segurança nas comunicações entre profissionais e clientes. No mercado imobiliário, imobiliárias e corretores podem ajudar a reduzir riscos ao manter canais de atendimento claros e orientar seus clientes a não confiar em cobranças inesperadas.

A recomendação é que qualquer solicitação financeira relacionada a processos seja confirmada diretamente com o profissional responsável, sem utilização de contatos fornecidos em mensagens suspeitas.

O conhecimento de informações verdadeiras sobre uma ação judicial não garante a autenticidade de quem faz a abordagem. A confirmação por canais independentes continua sendo uma das principais medidas para evitar prejuízos financeiros e o compartilhamento indevido de dados pessoais.