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Juridico

Moradora é denunciada por injúria racial em condomínio

Caso ocorreu durante assembleia virtual de condomínio no DF; defesa da moradora nega conotação racista e fala em interpretação equivocada

Funcionário de administradora denuncia moradora por injúria racial após receber figurinha de macaco
Foto: Imagem ilustrativa

Funcionário de administradora de condomínios denuncia moradora por injúria racial no DF após receber "figurinha" de macaco

O caso aconteceu durante uma assembleia virtual em um condomínio na Asa Norte. A mulher enviou a imagem pelo WhatsApp após reclamar da demora no atendimento; defesa alega "interpretação equivocada".

Uma assembleia virtual de condomínio no Distrito Federal terminou em caso de polícia. Miguel Júnio, assistente contábil de uma administradora de condomínios, registrou um boletim de ocorrência por suspeita de injúria racial após receber uma "figurinha" de um macaco enviada por uma moradora durante um atendimento pelo WhatsApp.

O caso ocorreu no último sábado, durante uma reunião online do condomínio Park Ville, localizado na 912 Norte.

A dinâmica do ocorrido

Miguel estava na equipe de suporte da assembleia quando foi contatado pela moradora, que é proprietária de um dos apartamentos. De acordo com os registros das mensagens, a mulher foi atendida em 11 minutos. Ela relatou dificuldades para acessar o sistema de votação, e o suporte informou que iria verificar a situação.

Minutos depois, a moradora enviou uma nova mensagem afirmando ter resolvido o problema sozinha: "Descobri sozinha, vc demorou demais". Logo em seguida, ela enviou a figurinha de um macaco.

O agravante, segundo a vítima, é que pouco antes da troca de mensagens, Miguel havia aparecido em vídeo na reunião online para explicar os procedimentos, o que deixaria claro para os participantes quem estava prestando o suporte.

"Ficou muito claro ali o que ela quis dizer. (...) Fiquei totalmente constrangido, porque não era só eu que estava com o WhatsApp da empresa. Vários outros colegas estavam participando da reunião e tiveram acesso a essa imagem", desabafou Miguel, relatando que a situação gerou um grande transtorno emocional e arruinou seu fim de semana.

Investigação e crime digital

No mesmo dia, o funcionário procurou a Polícia Civil, que agora investiga o caso como suspeita de injúria racial. A vítima também pretende acionar a Justiça na esfera cível.

O advogado do funcionário, Rogério Queiroz, ressaltou que a legislação brasileira é clara quanto a ofensas no ambiente digital:

"A lei disciplina que, se o crime foi cometido em redes sociais, WhatsApp, Facebook, Instagram, o crime é configurado da mesma maneira, seja presencialmente ou virtualmente."

Para Kelly Quirino, especialista em gênero e raça da Universidade Católica de Brasília, a imagem usada carrega um forte peso histórico e discriminatório.

"O macaco simboliza toda a desumanização que o racismo traz. Isso a gente precisa realmente combater, não pode continuar sendo naturalizado como uma brincadeira, porque fere, dói, constrange e é crime", explicou.

A equipe de reportagem tentou contato telefônico com a moradora. Ela atendeu a ligação, mas se recusou a gravar entrevista.

O que diz a defesa da moradora

Em nota, a defesa de Marilena Dalledone negou qualquer conotação racista na atitude. Segundo os advogados, a imagem enviada se tratava apenas de um "macaco com a mão no queixo, com fadiga, à espera de algo acontecer", e que representava unicamente a insatisfação da proprietária por não conseguir participar efetivamente da assembleia.

A defesa afirmou ainda que não houve propósito de ofender a empresa ou seus colaboradores, e que Marilena não conhecia a fisionomia do atendente, já que no perfil do WhatsApp constava apenas a logomarca da administradora. Por fim, a nota lamentou a "interpretação equivocada" e ressaltou que a moradora é contra qualquer tipo de discriminação.

Fonte: G1