Juridico

Denúncia aponta irregularidades em contas de condomínio

Denúncia aponta que pagamentos de um mercadinho instalado no residencial teriam sido direcionados a uma conta diferente da oficial; caso foi registrado na Polícia Civil

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Denúncia aponta irregularidades em contas de condomínio · Foto: Reprodução/R10

Ex-síndico é acusado de desviar recursos de condomínio por meio de conta paralela em Araçatuba

Um ex-síndico de um condomínio residencial localizado no bairro Umuarama, em Araçatuba, no interior de São Paulo, foi acusado de supostas irregularidades financeiras envolvendo recursos do empreendimento. A denúncia foi apresentada pela atual síndica à Polícia Civil na noite de quarta-feira (21), após a identificação de pagamentos que, segundo o relato, teriam sido direcionados a uma conta bancária diferente daquela utilizada oficialmente pelo condomínio.

De acordo com informações divulgadas pelo portal RP10, a suspeita surgiu durante a verificação de pendências financeiras relacionadas a um mercadinho instalado nas dependências do residencial. Ao procurar o responsável pelo estabelecimento para cobrar os valores, a atual administradora recebeu comprovantes de transferências que indicavam que os pagamentos haviam sido realizados.

A análise das transações teria revelado, porém, que os recursos foram encaminhados a uma conta vinculada ao nome do condomínio, mas diferente da conta oficial aprovada em assembleia e registrada em ata.

Denúncia aponta existência de conta bancária paralela

Segundo o boletim de ocorrência, a conta que recebia os pagamentos era mantida em uma instituição de pagamentos e não correspondia à conta oficial do condomínio, informada na documentação da administração.

A atual síndica relatou à polícia que o antigo administrador teria utilizado essa conta sem o conhecimento dos moradores. Com isso, valores pagos pelo estabelecimento não teriam sido repassados à conta oficial, o que teria provocado o registro de débitos referentes a pagamentos que, conforme os comprovantes apresentados, já haviam sido efetuados.

Durante a apuração interna, a síndica também teria identificado comprovantes de outras receitas do condomínio supostamente depositadas na mesma conta e que não constariam das prestações de contas anteriores.

O valor total envolvido nas suspeitas não foi informado no registro policial divulgado pela imprensa.

Caso foi registrado como apropriação indébita

A ocorrência foi registrada no Plantão Policial de Araçatuba como apropriação indébita, prevista no artigo 168 do Código Penal. O registro também menciona a possibilidade de aumento de pena quando a conduta ocorre em razão de ofício, emprego ou profissão, conforme as circunstâncias legalmente previstas.

Segundo a reportagem, o caso deverá ser encaminhado a outra unidade policial para as providências cabíveis.

O ex-síndico não teria sido localizado pela atual administradora para prestar esclarecimentos sobre as movimentações financeiras. Até as informações publicadas pela fonte, não havia confirmação de conclusão da investigação nem de responsabilização judicial.

A denúncia e o boletim de ocorrência registram suspeitas que ainda precisam ser apuradas. Portanto, não constituem prova definitiva de que houve crime ou de que o antigo administrador seja culpado.

Como prevenir irregularidades financeiras em condomínios

O caso chama a atenção para a importância dos controles internos na administração condominial. Como o síndico é responsável pela gestão financeira e pela prestação de contas, a organização dos registros e a possibilidade de conferência das movimentações são medidas essenciais para a transparência.

Entre as práticas que podem fortalecer o controle financeiro estão:

  • Conferência periódica dos extratos: comparar os movimentos bancários com os registros contábeis, os recibos e os comprovantes de pagamento.

  • Centralização das receitas em contas oficiais: assegurar que os valores pertencentes ao condomínio sejam recebidos em contas devidamente identificadas e autorizadas conforme os procedimentos internos.

  • Conciliação bancária: verificar se os valores registrados na contabilidade correspondem aos efetivamente recebidos e pagos.

  • Prestação de contas documentada: manter notas fiscais, contratos, recibos, comprovantes de transferências e demais documentos organizados e acessíveis para fiscalização.

  • Atuação do conselho fiscal: analisar periodicamente os demonstrativos e comunicar inconsistências à administração e aos condôminos.

  • Fiscalização em assembleia: apresentar as receitas, despesas, contratos e saldos bancários para permitir a avaliação dos moradores.

  • Controle de acessos bancários: estabelecer procedimentos claros para autorizações, movimentações e alterações cadastrais, evitando que a gestão financeira dependa exclusivamente de uma única pessoa sem mecanismos de verificação.

A adoção dessas medidas não elimina todos os riscos, mas pode facilitar a identificação de inconsistências e contribuir para uma administração mais segura.

Transparência e fiscalização protegem o patrimônio coletivo

A gestão dos recursos de um condomínio exige responsabilidade, documentação e mecanismos de controle compatíveis com a movimentação financeira do empreendimento. Receitas provenientes de locações de espaços, mercadinhos, antenas, publicidade ou outras atividades devem ser registradas e conciliadas com os valores efetivamente recebidos.

Quando surgem divergências, a administração deve preservar os documentos, solicitar esclarecimentos formais e buscar orientação contábil ou jurídica, conforme a situação. Havendo indícios de irregularidade, cabe encaminhar as informações às autoridades competentes.

O episódio de Araçatuba permanece no campo das suspeitas relatadas à polícia. Independentemente do desfecho da investigação, a situação reforça que a transparência financeira, a prestação de contas regular e a fiscalização coletiva são instrumentos importantes para proteger os recursos e os interesses dos condôminos.