Casal denuncia racismo na busca por moradia
Mensagem enviada por engano em Nova York levou um casal a denunciar discriminação no acesso à moradia; proprietários e antiga empregadora da profissional também são alvos da ação

Casal processa corretora após mensagem racista durante busca por imóvel para alugar
Um casal que procurava um apartamento para alugar em Nova York, nos Estados Unidos, entrou com uma ação judicial após receber uma mensagem de conteúdo racista enviada por uma corretora de imóveis. O texto, encaminhado por engano antes de uma visita agendada, fazia referência à cor da pele dos possíveis inquilinos.
O processo foi apresentado em um tribunal do Queens e tem como alvos a corretora Helen Tzelios, os proprietários do imóvel e a antiga empregadora da profissional. A ação denuncia suposta discriminação no acesso à moradia.
O caso foi divulgado pelo jornal Extra e repercutido por outros veículos de comunicação em 26 de outubro de 2026.
Mensagem foi enviada antes da visita ao apartamento
Lisa Renee Olaso e seu noivo, Cyril Christopher, buscavam um imóvel em Nova York depois que Lisa conseguiu um emprego na cidade. O casal vivia em Delaware e organizava a mudança quando agendou uma visita a um apartamento intermediada pela corretora.
Antes do encontro, a profissional enviou a Lisa uma mensagem que aparentemente seria destinada a outra pessoa. O texto continha a expressão “Aff, eles são negros”.
Após perceber o envio, a corretora pediu desculpas e afirmou que a mensagem havia sido encaminhada por engano. As informações divulgadas não esclarecem quem seria o destinatário original.
Durante a conversa, a profissional também mencionou um suposto problema anterior envolvendo outros inquilinos negros no bairro.
Casal afirma ter se sentido humilhado
A mensagem provocou indignação nos dois. Segundo as informações apresentadas sobre o processo, o casal se sentiu humilhado e decidiu não prosseguir com a visita ao imóvel.
Cyril questionou a referência à cor da pele e contestou a justificativa apresentada pela corretora. Mesmo depois de a profissional se oferecer para mostrar o apartamento, os dois optaram por interromper o contato e bloquearam o número dela.
O episódio passou a integrar a denúncia judicial de discriminação no acesso à moradia. A análise das alegações e a eventual responsabilização dos envolvidos dependem do andamento do processo.
Proprietários e antiga empregadora também são citados
Além da corretora, a ação inclui os proprietários do apartamento e a antiga empregadora da profissional. O processo busca apurar responsabilidades relacionadas à suposta discriminação sofrida pelo casal durante a procura por uma residência.
Até as informações divulgadas pelas reportagens consultadas, não havia notícia de uma decisão definitiva sobre as acusações. Por isso, o caso deve ser tratado como uma denúncia submetida à apreciação judicial, e não como uma condenação já estabelecida.
Discriminação no mercado imobiliário
O episódio chama a atenção para a necessidade de tratamento igualitário nas relações de locação. A seleção de potenciais inquilinos, a comunicação entre corretores e clientes e a condução das visitas devem observar as regras aplicáveis e não se basear em preconceitos raciais.
Nos Estados Unidos, a legislação federal de habitação justa proíbe determinadas formas de discriminação habitacional com base em raça e cor, entre outras características protegidas. A aplicação das normas e a responsabilidade de cada parte, contudo, dependem das circunstâncias e da análise jurídica do caso.
No Brasil, a discriminação racial também é vedada pelo ordenamento jurídico. Situações concretas devem ser avaliadas conforme os fatos, as provas e a legislação aplicável, sem presumir que todos os casos tenham o mesmo enquadramento jurídico.
O caso de Nova York não representa o conjunto dos corretores, das imobiliárias, dos proprietários ou do mercado de locação. A denúncia, porém, evidencia a importância de prevenir práticas discriminatórias e garantir que a busca por moradia seja conduzida com respeito à dignidade das pessoas.