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Santander também aumenta juros da casa própria

Taxa mínima do banco passa de 11,69% para 12,49% ao ano mais TR; três grandes instituições privadas encareceram o crédito habitacional em poucos dias

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Santander também aumenta juros da casa própria · Foto: Imagem Ilustrativa gerada na IA Gemini

Santander eleva juros do financiamento imobiliário e acompanha reajustes de Bradesco e Itaú

O Santander anunciou que vai elevar as taxas de juros do financiamento imobiliário a partir desta sexta-feira, 30 de outubro de 2026. Com o reajuste, as operações passam a ter taxas a partir de 12,49% ao ano mais Taxa Referencial (TR), ante o patamar mínimo anterior de 11,69% ao ano mais TR.

A decisão acompanha os movimentos recentes de Bradesco e Itaú, que também aumentaram os juros cobrados nos financiamentos para aquisição de imóveis. Em menos de uma semana, os três bancos privados anunciaram mudanças nas condições de crédito habitacional.

O reajuste do Santander foi confirmado na quinta-feira (29). Em comunicado, a instituição informou que acompanha regularmente os indicadores econômicos e as condições do mercado imobiliário, avaliando continuamente os produtos de crédito oferecidos aos clientes.

Três grandes bancos privados aumentaram as taxas

O movimento começou com o Bradesco, que elevou sua taxa mínima de 11,7% para 15% ao ano mais TR, conforme os dados divulgados pelo InfoMoney. Na sequência, o Itaú reajustou o percentual de 11,99% para 12,95% ao ano mais TR.

Agora, o Santander também altera suas condições, passando de 11,69% para 12,49% ao ano mais TR. Os novos percentuais representam as taxas iniciais anunciadas pelas instituições, mas as condições efetivas podem variar conforme o perfil do cliente, o relacionamento com o banco e as características da operação.

A sequência de reajustes aumenta o custo de contratação do crédito imobiliário em parte relevante do mercado privado e pode influenciar as decisões de famílias que planejam comprar imóveis por meio de financiamento.

Alta dos juros futuros pressiona o crédito imobiliário

A elevação das taxas está associada à alta dos juros futuros observada no mercado financeiro após o segundo turno das eleições presidenciais. Esse movimento influencia o custo de captação dos bancos, que utilizam diferentes fontes de recursos para financiar operações imobiliárias.

Entre os instrumentos de captação estão as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Quando os juros futuros sobem, o custo desses recursos também pode aumentar, levando as instituições financeiras a rever as condições oferecidas aos clientes.

Outro fator é a diferença entre os prazos das operações. Enquanto um financiamento imobiliário pode se estender por mais de 30 anos, parte dos recursos utilizados pelos bancos tem vencimentos consideravelmente menores. Essa diferença exige planejamento financeiro e pode levar as instituições a ajustar as taxas diante de mudanças nas expectativas do mercado.

Reajustes podem afetar o acesso à casa própria

O aumento dos juros interfere diretamente no custo total do financiamento e no valor das prestações. Quanto maior a taxa contratada, maior tende a ser o comprometimento da renda familiar, considerando as demais condições da operação.

A mudança também pode alterar o valor do imóvel que uma família consegue financiar dentro de sua capacidade de pagamento. Em determinadas situações, o comprador pode precisar aumentar a entrada, buscar um imóvel de menor valor ou rever o prazo e as condições da contratação.

As taxas anunciadas pelos bancos são referências iniciais, e não garantias de que todos os clientes conseguirão contratar o financiamento pelos mesmos percentuais. A análise de crédito considera fatores como renda, histórico financeiro, relacionamento com a instituição e valor do imóvel.

Taxas acima de 12% e o enquadramento no financiamento

Os novos percentuais também chamam a atenção porque ultrapassam o limite de juros de 12% ao ano associado ao Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Operações que não se enquadram nas condições desse sistema podem ser contratadas pelo Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), cujas taxas são negociadas livremente.

O enquadramento no SFH é relevante para compradores que pretendem utilizar o saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) na aquisição do imóvel ou na amortização do financiamento. Por isso, a taxa anunciada não deve ser analisada isoladamente: é necessário verificar as regras aplicáveis à operação e as condições para utilização dos recursos do fundo.

Caixa permanece no centro das atenções

Com os reajustes dos três grandes bancos privados, a atenção do mercado se volta também para a Caixa Econômica Federal, instituição que ocupa posição de destaque na concessão de crédito habitacional no Brasil.

Segundo especialista ouvido pelo InfoMoney, a Caixa responde por parcela expressiva do financiamento imobiliário nacional. Até a publicação da reportagem, o banco não havia informado se também pretende alterar suas taxas.

A decisão da instituição poderá influenciar as condições de financiamento disponíveis para os compradores, especialmente porque a Caixa tem participação relevante no mercado habitacional e opera diferentes modalidades de crédito.

Compradores devem comparar as condições antes de contratar

Diante das mudanças, quem está planejando financiar um imóvel deve atualizar as simulações e comparar propostas de diferentes instituições. A análise precisa considerar não apenas os juros nominais, mas também a TR, o Custo Efetivo Total (CET), o prazo, o sistema de amortização, os seguros obrigatórios e as demais despesas da operação.

Quem já possui uma proposta aprovada também deve verificar por quanto tempo as condições permanecem válidas e se a taxa está efetivamente garantida para a contratação.

O aumento anunciado pelo Santander, somado aos reajustes de Bradesco e Itaú, mostra como as condições do mercado financeiro podem repercutir diretamente no setor imobiliário. Para famílias, corretores, incorporadoras e profissionais do segmento, acompanhar as mudanças nas linhas de crédito tornou-se parte importante do planejamento de compra e venda de imóveis.