Imóveis no Recife acumulam alta de 20,69% em um ano
Apesar da maior valorização entre dez capitais pesquisadas, preços na capital pernambucana avançaram apenas 0,03% em setembro, indicando perda de ritmo

Recife lidera valorização de imóveis residenciais no Brasil, com alta de 20,69% em 12 meses
O Recife registrou a maior valorização dos imóveis residenciais entre as dez capitais acompanhadas pelo Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Até setembro de 2026, os preços na capital pernambucana acumularam alta de 20,69% em 12 meses e avanço de 12,07% entre janeiro e setembro.
Apesar da valorização expressiva no período, os dados apontam uma desaceleração recente. Em setembro, os imóveis residenciais no Recife apresentaram variação de apenas 0,03%, após uma sequência de altas mais intensas. Foi o segundo mês consecutivo de perda de ritmo na capital.
O levantamento, divulgado em reportagem do Jornal do Commercio em 29 de outubro, mostra que o mercado imobiliário pernambucano mantém crescimento acumulado elevado, mas começa a apresentar um comportamento mais moderado na evolução mensal dos preços.
Valorização acumulada contrasta com desaceleração mensal
O desempenho do Recife se destaca na comparação com as demais capitais pesquisadas. No acumulado de 12 meses até setembro, a valorização foi de 20,69%, enquanto Salvador registrou 16,22% e Curitiba, 16,27%. Fortaleza apresentou alta de 8,11% no mesmo intervalo.
No acumulado de janeiro a setembro, a capital pernambucana também ficou na primeira posição, com avanço de 12,07%. Porto Alegre registrou 10,64%, Goiânia, 8,83%, Curitiba, 8,71%, e Salvador, 7,63%.
A variação mensal, entretanto, mostra uma dinâmica diferente. Enquanto Recife avançou apenas 0,03% em setembro, Fortaleza teve alta de 1,10% e Salvador, de 1,02%. As duas capitais nordestinas aceleraram em relação ao mês anterior, enquanto a capital pernambucana apresentou nova desaceleração.
Essa diferença entre os resultados acumulados e mensais é importante para interpretar o mercado: a valorização registrada ao longo de um ano não significa que os preços continuem avançando na mesma intensidade no momento atual.
Mercado nacional também apresenta perda de ritmo
No conjunto nacional, o IGMI-R avançou 0,36% em setembro, abaixo da variação de 0,87% registrada em agosto. O acumulado em 12 meses passou de 14,73% para 12,58%.
A desaceleração vem sendo observada há seis meses. Em março de 2026, o indicador havia alcançado 19,76% no acumulado anual. Desde então, o ritmo de crescimento diminuiu, embora os preços continuem em trajetória de valorização.
Entre janeiro e setembro, o índice nacional acumulou alta de 6,94%, resultado inferior aos 12,69% registrados no mesmo intervalo de 2025 e aos 10,10% de 2024.
Os dados apontam uma acomodação do mercado depois de períodos de crescimento mais acelerado. Isso não significa, necessariamente, queda generalizada dos preços, mas uma redução na velocidade de valorização dos imóveis residenciais.
Diferença entre preços dos imóveis e custos da construção diminui
O levantamento também comparou a evolução dos preços residenciais com os custos da construção. Em 12 meses até setembro, o IGMI-R acumulou alta de 12,58%, enquanto o Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M) avançou 6,61%.
A diferença entre os dois indicadores diminuiu de 8,17 pontos percentuais em agosto para 5,97 pontos em setembro. Enquanto a valorização dos imóveis perdeu intensidade, o INCC-M apresentou pequena elevação no acumulado anual, passando de 6,56% para 6,61%.
Segundo a análise divulgada junto aos dados, essa aproximação pode indicar uma redução da capacidade de repassar os custos de construção aos preços finais dos imóveis. Caso a tendência continue, construtoras e incorporadoras poderão enfrentar maior pressão sobre as margens dos empreendimentos.
A comparação, porém, não permite atribuir a valorização dos imóveis exclusivamente aos custos de produção. Oferta, demanda, localização, condições de financiamento e características de cada mercado também influenciam os preços.
Aluguéis avançam em ritmo inferior ao preço de venda
Outro indicador considerado no levantamento foi o Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (IVAR), que acumulou alta de 5,08% em 12 meses. No mesmo período, o IGMI-R registrou 12,58%.
A diferença entre os indicadores diminuiu de 9,64 pontos percentuais em agosto para 7,50 pontos em setembro. O resultado mostra que os preços de venda dos imóveis continuam avançando em ritmo superior ao dos aluguéis residenciais.
Essa relação é acompanhada por investidores porque ajuda a observar a evolução dos valores de aquisição e da receita obtida com locação. Entretanto, a comparação entre os índices não representa, isoladamente, a rentabilidade de um imóvel nem permite determinar diretamente sua taxa de retorno.
A decisão de comprar para alugar depende também do preço de aquisição, dos custos de manutenção, da vacância, dos tributos, das despesas condominiais e da demanda por locação em cada região.
Valorização supera a inflação no período
A comparação com a inflação também indica ganho real nos preços residenciais. Em setembro de 2026, o IPCA acumulou alta de 4,58% em 12 meses, enquanto o IGMI-R nacional registrou 12,58%.
Descontada a inflação, a valorização real aproximada dos imóveis residenciais foi de 7,65% no período. O resultado demonstra que, mesmo com a desaceleração recente, os preços avançaram acima da inflação medida pelo IPCA.
No Recife, a valorização acumulada de 20,69% reforça a posição da capital pernambucana entre os mercados com maior crescimento de preços na amostra pesquisada.
Indicadores ajudam a acompanhar o mercado imobiliário
Os resultados mostram que o mercado residencial brasileiro atravessa um período de crescimento mais moderado, com diferenças importantes entre as capitais. No Recife, a valorização acumulada permanece elevada, mas a variação mensal reduzida indica que a trajetória recente não acompanha a mesma intensidade observada nos últimos 12 meses.
Para compradores, proprietários, investidores e profissionais da gestão imobiliária, acompanhar os indicadores de preços, aluguéis e custos de construção contribui para uma análise mais ampla do setor. A interpretação dos dados, contudo, deve considerar as características de cada região e as condições específicas de cada imóvel.
O levantamento da Abecip reforça que a valorização imobiliária não ocorre de maneira uniforme e que o desempenho acumulado de uma cidade precisa ser analisado em conjunto com as variações mais recentes e com os demais indicadores do mercado.