Pular para o conteúdo
Gestao

Quando R$ 1 vira R$ 5 nos condomínios

A ausência de manutenção preventiva e decisões equivocadas em assembleias transformam pequenas despesas em altos prejuízos para condomínios envelhecidos

Quando R$ 1 vira R$ 5: a falta de planejamento que encarece a vida em condomínios antigos
Foto: Imagem ilustrativa

Quando R$ 1 vira R$ 5: por que a falta de manutenção transforma condomínios em bombas financeiras

A realidade de muitos condomínios brasileiros revela uma matemática preocupante: cada real que deixa de ser investido em manutenção preventiva pode se multiplicar por cinco — ou até mais — quando a estrutura começa a dar sinais de desgaste. O fenômeno, já conhecido por especialistas do setor, tem ganhado destaque diante do envelhecimento acelerado de prédios construídos há mais de 30 ou 40 anos.

Em diversas capitais, como Vitória, cresce o número de condomínios que enfrentam infiltrações crônicas, instalações elétricas ultrapassadas, áreas comuns deterioradas e equipamentos desgastados. Embora esses sinais de alerta sejam visíveis no dia a dia, muitos deles são ignorados até o momento em que a situação se torna crítica.

O problema começa na assembleia

A dinâmica das reuniões condominiais frequentemente contribui para o agravamento da situação. Decisões importantes são adiadas por receio de aumento na taxa condominial, por conflitos entre moradores ou por dificuldade de entendimento sobre a real urgência de determinadas intervenções.

Profissionais de engenharia explicam que, quando uma obra necessária é postergada, os custos tendem a aumentar progressivamente. Uma simples impermeabilização ignorada, por exemplo, pode evoluir para infiltrações severas, comprometimento estrutural e necessidade de intervenções mais complexas e caras.

O envelhecimento dos prédios e o “etarismo imobiliário”

Em localidades como Vitória, especialistas têm alertado para o chamado “etarismo imobiliário” — o preconceito ou desinteresse por empreendimentos mais antigos. Embora muitos desses prédios apresentem plantas amplas e excelente qualidade construtiva, a falta de manutenção contínua reduz o potencial de valorização e a qualidade de vida dos moradores.

No entanto, quando há investimento adequado e planejamento, tais edifícios podem se transformar em oportunidades de valorização, alcançando padrões modernos de conforto e segurança.

Por que a manutenção preventiva é mais barata

Segundo engenheiros consultados, existe um consenso técnico:

  • Manutenção preventiva custa menos
  • Manutenção corretiva custa mais
  • Manutenção emergencial custa muito mais

Essa lógica ilustra por que um gasto de R$ 1 hoje pode se transformar em R$ 5 — ou mais — no futuro. Além dos custos diretos, ainda existem prejuízos indiretos, como desvalorização dos imóveis, riscos estruturais e aumento de conflitos entre condôminos.

Valorização depende de gestão responsável

Para especialistas em gestão condominial, a chave está na profissionalização da administração e no compromisso coletivo com o patrimônio. Investir em laudos técnicos, planos de manutenção, revisão de sistemas e obras estruturais não deve ser visto como despesa, mas como proteção do investimento e garantia de segurança.

Oportunidade para o futuro

Condomínios antigos que assumem essa postura conseguem reverter anos de deterioração e se reposicionar no mercado imobiliário. Com planejamento, obras estruturadas e visão de longo prazo, tornam-se empreendimentos valorizados, acessíveis e com qualidade de vida superior à de muitos prédios mais novos.

No fim, a equação é simples: a manutenção feita na hora certa evita prejuízos, reduz riscos e valoriza o patrimônio. E essa matemática — que muitos ignoram nas assembleias — é determinante para o futuro dos condomínios brasileiros.

Fonte: A Gazeta