Juros altos pressionam o mercado imobiliário
Rodrigo Nogueira, da ECAP Engenharia, analisa os efeitos do crédito caro, a escassez de mão de obra e os planos de expansão da empresa para 2027

Juros altos são o principal desafio do mercado imobiliário, afirma empresário do setor
O custo do crédito continua sendo um dos principais obstáculos para o mercado imobiliário brasileiro. A avaliação é do engenheiro e empresário Rodrigo Nogueira, da ECAP Engenharia, que apontou os juros elevados como um fator que afeta tanto o financiamento da produção quanto a capacidade de compra dos consumidores.
Em entrevista ao Foco Talks, apresentado por Paulo Melo, o executivo analisou o cenário econômico, os desafios da construção civil e as perspectivas para os próximos anos. Durante a conversa, também informou que a empresa prepara aproximadamente quatro ou cinco lançamentos para 2027 e que está em busca de novos terrenos e oportunidades de negócios.
Crédito caro afeta incorporadoras e compradores
Segundo Nogueira, as taxas de juros interferem em diferentes etapas da atividade imobiliária. O financiamento necessário para viabilizar os empreendimentos fica mais caro, enquanto os consumidores enfrentam prestações maiores e maior dificuldade para assumir compromissos de longo prazo.
Na avaliação do empresário, a classe média é especialmente afetada pelo cenário, devido ao comprometimento da renda e ao endividamento das famílias. Ele também observou diferenças entre os segmentos do mercado: empreendimentos enquadrados no Minha Casa, Minha Vida e imóveis de altíssimo padrão apresentam condições distintas de comercialização em relação ao público intermediário.
Durante a entrevista, Nogueira afirmou que uma redução dos juros poderia estimular novos investimentos e ampliar as possibilidades de compra. A expectativa, segundo ele, é que um ambiente econômico mais favorável contribua para a retomada das negociações.
O executivo também relacionou o equilíbrio das contas públicas à possibilidade de redução das taxas, defendendo maior controle dos gastos governamentais. Essa avaliação representa sua interpretação sobre os fatores econômicos que influenciam o mercado.
Espera por juros menores pode afetar os preços
Outro ponto discutido foi a decisão de comprar um imóvel diante da possibilidade de redução futura das taxas de financiamento.
Para Nogueira, a queda dos juros pode ampliar a procura e pressionar os preços dos imóveis. Por isso, na avaliação do empresário, esperar por condições melhores de crédito não significa necessariamente encontrar o mesmo imóvel por um valor menor no futuro.
Ele também mencionou a portabilidade do financiamento como uma alternativa que pode ser considerada pelo comprador caso as condições de crédito mudem. Ainda assim, ressaltou que a decisão de compra precisa levar em conta as necessidades do interessado e sua capacidade financeira para assumir o compromisso.
As projeções sobre valorização e comportamento dos preços foram apresentadas pelo entrevistado como sua leitura do mercado, e não como uma garantia de desempenho futuro.
Escassez de mão de obra desafia a construção civil
Além do crédito, a disponibilidade de terrenos e trabalhadores foi apontada como um desafio para o desenvolvimento de novos projetos.
Nogueira observou que a oferta de áreas adequadas para incorporação é limitada e que a contratação de profissionais também tem exigido atenção das empresas. Segundo ele, há dificuldades para preencher vagas em diferentes etapas da construção, o que pode interferir no planejamento e na execução dos empreendimentos.
Como alternativa, o empresário defendeu o avanço da automação e da industrialização dos processos construtivos. De acordo com o executivo, a ECAP tem investido em métodos de construção de casas industrializadas, com o objetivo de reduzir o tempo de execução, os custos e a dependência de determinadas atividades realizadas nos canteiros tradicionais.
A adoção dessas soluções, entretanto, depende das características de cada projeto, da viabilidade técnica e da estrutura necessária para sua implementação.
Empresa prepara novos lançamentos para 2027
Durante a conversa, Nogueira informou que a ECAP Engenharia trabalha na preparação de aproximadamente quatro ou cinco lançamentos para 2027. O empresário afirmou que a companhia está adquirindo terrenos e avaliando novas oportunidades de negócio.
Ele também mencionou a participação da empresa em um empreendimento de 752 unidades em Belo Horizonte, desenvolvido em sociedade com a Direcional Engenharia e relacionado ao programa Minha Casa, Minha Vida.
A experiência em diferentes projetos, segundo o entrevistado, reforça a necessidade de planejamento e pesquisa antes de cada lançamento. Entre os fatores considerados estão localização, configuração das plantas, preço, publicidade e perfil do público consumidor.
O empresário destacou ainda a importância de contar com equipes experientes e profissionais que acompanhem diferentes etapas do desenvolvimento imobiliário.
Planejamento e pesquisa orientam os próximos projetos
Ao abordar as mudanças no comportamento dos compradores, Nogueira ressaltou que a experiência acumulada não elimina a necessidade de estudar cada novo empreendimento. A análise da demanda e das condições de mercado continua sendo parte importante do processo de incorporação.
O executivo também defendeu a formação de patrimônio por meio da aquisição de imóveis, tanto para moradia quanto para investimento. Durante a entrevista, destacou a importância da casa própria e da escolha de imóveis compatíveis com a capacidade financeira de cada comprador.
O cenário apresentado por Nogueira reúne desafios econômicos e operacionais: juros elevados, restrições de crédito, disponibilidade de terrenos e escassez de mão de obra. Ao mesmo tempo, a busca por métodos construtivos industrializados e a preparação de novos lançamentos indicam caminhos que empresas do setor vêm considerando para adaptar seus negócios.
Para o mercado imobiliário, a combinação entre planejamento financeiro, pesquisa de demanda e inovação nos processos construtivos permanece no centro das decisões de incorporadoras e construtoras.