Atrasos no pagamento de aluguéis recuam pelo terceiro mês
Índice da Loft atinge menor nível desde abril, mas Norte, Nordeste e Centro-Oeste mantêm taxa de 7%, acima dos resultados do Sul e do Sudeste

Inadimplência no aluguel cai pelo terceiro mês consecutivo e chega a 5,84% em outubro
A inadimplência nos contratos de aluguel residencial caiu para 5,84% em outubro de 2026, registrando a terceira redução mensal consecutiva e alcançando o menor patamar desde abril. Os dados são do Índice de Inadimplência de Aluguéis (IIA), calculado pela Loft a partir de uma base de aproximadamente 500 mil contratos ativos de fiança aluguel.
O resultado indica uma melhora gradual no pagamento das locações monitoradas. Em julho, o indicador havia chegado a 6,20%, depois de quatro meses consecutivos de alta. Desde então, foram registradas reduções mensais, que levaram a taxa ao nível atual.
Na comparação com outubro de 2025, quando o índice estava em 6,26%, a queda foi de 0,42 ponto percentual. Apesar do avanço, o comportamento regional mostra que a inadimplência continua sendo um ponto de atenção para proprietários e profissionais responsáveis pela administração de imóveis.
Indicador registra três meses consecutivos de queda
A trajetória recente do índice aponta uma redução gradual dos atrasos nos contratos acompanhados pela Loft. Em agosto, a taxa recuou 0,20 ponto percentual em relação a julho. Em setembro, houve nova queda de 0,12 ponto, seguida por redução de 0,04 ponto em outubro.
O indicador considera contratos com pagamentos atrasados há mais de 15 dias. A metodologia utiliza uma base de aproximadamente 500 mil contratos ativos de fiança aluguel, distribuídos por diferentes regiões do Brasil e por categorias de imóveis que vão de estúdios a casas de alto padrão.
A série histórica começou em maio de 2024. O menor percentual registrado até então havia sido de 5,46%, em março de 2026, enquanto o maior foi de 7,01%, em julho de 2024.
A comparação dos resultados permite acompanhar a evolução dos atrasos dentro da carteira monitorada, mas não significa que todos os contratos de aluguel do país apresentem o mesmo comportamento.
Diferenças regionais permanecem
A melhora observada em outubro foi concentrada principalmente nas regiões Sul e Sudeste. No Sudeste, a taxa caiu de 6,3% em julho para 5,9% em outubro. No Sul, o indicador passou de 5,8% para 5,5% no mesmo período.
Já Norte, Nordeste e Centro-Oeste, analisados conjuntamente, permaneceram com índice de 7% pelo terceiro mês consecutivo. O resultado mostra que a redução nacional não ocorreu de maneira uniforme entre as regiões.
Entre os estados monitorados individualmente, Minas Gerais apresentou a maior taxa em outubro, com 6,5%, embora tenha registrado recuo de um ponto percentual desde julho. O Rio de Janeiro apresentou o menor índice entre os estados acompanhados, com 4,4%.
As diferenças regionais reforçam a importância de considerar as características de cada mercado na análise dos riscos associados à locação. Indicadores nacionais ajudam a compreender a tendência geral, mas não substituem a avaliação das condições específicas de cada localidade e carteira de imóveis.
O que os números representam para proprietários e administradoras
A redução da inadimplência pode contribuir para maior previsibilidade na gestão das locações, mas não elimina o risco de atrasos ou a necessidade de procedimentos preventivos.
Para proprietários, acompanhar o histórico de pagamentos e conhecer as condições da garantia contratual ajuda a compreender quais medidas podem ser adotadas diante de um eventual descumprimento. Para imobiliárias e administradoras, o monitoramento sistemático dos vencimentos permite identificar atrasos com rapidez e organizar os procedimentos de cobrança e negociação.
A escolha da garantia locatícia também merece atenção. Modalidades como fiador, caução e seguro-fiança possuem características, custos e condições de acionamento diferentes. A avaliação deve considerar as regras legais e contratuais, sem pressupor que uma garantia elimine completamente a possibilidade de inadimplência.
Quando ocorre atraso, a comunicação clara com o locatário e a formalização de eventuais acordos podem ajudar a organizar a tentativa de regularização. Se não houver solução, o proprietário deve avaliar as medidas previstas no contrato e na legislação aplicável.
Cautela continua necessária para os próximos meses
O recuo pelo terceiro mês consecutivo representa uma melhora no indicador acompanhado pela Loft, mas ainda é cedo para afirmar que a tendência continuará nos meses seguintes.
A própria análise divulgada pela empresa recomenda acompanhar os próximos resultados antes de concluir que houve uma mudança duradoura no comportamento dos pagamentos.
Para o mercado imobiliário, os números oferecem uma referência sobre a evolução recente da inadimplência residencial. Para profissionais que administram locações, o principal desafio continua sendo combinar acompanhamento financeiro, análise adequada das garantias e atuação organizada diante de possíveis atrasos.
A queda para 5,84% em outubro sinaliza um cenário mais favorável dentro da base monitorada, mas as diferenças regionais mostram que o risco permanece desigual. Por isso, a gestão de cada contrato deve levar em conta as condições específicas da locação, em vez de depender exclusivamente da média nacional.