Inadimplência recua no Nordeste, mas segue entre as maiores
Índice ficou em 12,71% no primeiro semestre de 2026, enquanto média nacional subiu para 12,5%; taxa média dos condomínios nordestinos foi de R$ 486

A inadimplência condominial no Nordeste chegou a 12,71% no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da uCondo. O índice colocou a região na segunda posição entre as cinco regiões brasileiras, atrás apenas do Norte, que registrou 19,09%. O indicador considera débitos com mais de 30 dias de atraso.
Apesar de continuar em um patamar elevado, o Nordeste apresentou uma melhora em relação ao segundo semestre de 2025, quando a taxa havia chegado a 13,06%. A redução foi de 0,35 ponto percentual. O movimento regional contrasta com o cenário nacional: no mesmo período, a média brasileira passou de 11,66% para 12,5%.
Com o resultado, a inadimplência nacional atingiu o maior nível da série histórica acompanhada pela uCondo desde 2022. Naquele ano, o indicador brasileiro estava em 9,72% no primeiro semestre.
Nordeste fica acima da média brasileira
O levantamento mostra que a situação varia significativamente entre as regiões. Depois do Norte, com 19,09%, aparece o Nordeste, com 12,71%. O Sudeste registrou 12,28%, seguido pelo Sul, com 11,61%, e pelo Centro-Oeste, com 8,52%.
A diferença entre o Nordeste e a média nacional é pequena, de 0,21 ponto percentual. Ainda assim, o resultado coloca a região acima do índice brasileiro e demonstra a pressão que as despesas recorrentes exercem sobre o orçamento de parte das famílias.
O diretor de operações da uCondo, Léo Mack, apontou que o peso das despesas relacionadas à moradia ajuda a compreender o cenário. Segundo ele, a taxa condominial passou a disputar espaço com outras despesas em um orçamento doméstico já pressionado.
Taxa média chega a R$ 486 no Nordeste
Além da inadimplência, o levantamento chama atenção para o valor das próprias taxas condominiais. No primeiro semestre de 2026, o valor médio pago pelos moradores de condomínios do Nordeste foi de R$ 486.
O número ficou abaixo da média brasileira, de R$ 538, e foi o segundo menor entre as regiões. O Norte apresentou a menor média, de R$ 441,90.
Em âmbito nacional, a taxa média de condomínio aumentou 30,3% desde o primeiro semestre de 2022, quando era de R$ 413. No primeiro semestre de 2025, o valor estava em R$ 516 e passou para R$ 538 em 2026.
O avanço dos custos condominiais amplia a necessidade de planejamento financeiro por parte dos moradores e também dos gestores. A arrecadação precisa acompanhar despesas como folha de pagamento, manutenção, limpeza, segurança, energia, água das áreas comuns e contratos de prestação de serviços.
Ceará apresenta índice acima da média regional
Dentro do Nordeste, o Ceará aparece com um dos indicadores mais elevados entre os dados estaduais disponíveis. A taxa de inadimplência no estado chegou a 18,24% no primeiro semestre de 2026, contra 15,14% em 2025.
O resultado representa alta de 3,10 pontos percentuais e coloca o Ceará 5,53 pontos acima da média nordestina de 12,71%.
Os dados estaduais, porém, não permitem estabelecer uma comparação completa entre todos os estados nordestinos, já que o levantamento divulgado pela uCondo não apresentou taxas individuais para toda a região. Por isso, a taxa de 12,71% deve ser utilizada como referência regional, e não como retrato uniforme de todos os estados.
Inadimplência afeta diretamente o caixa
Para os condomínios, o principal impacto está na previsibilidade do caixa. Quando parte das receitas previstas não entra no prazo, o condomínio continua tendo de arcar com suas obrigações financeiras.
O problema pode comprometer o pagamento de fornecedores, serviços de manutenção, contratos, salários e outras despesas essenciais. Em situações de maior pressão sobre o caixa, a administração pode precisar rever investimentos ou discutir medidas extraordinárias para preservar o funcionamento do empreendimento.
O advogado especializado em negócios imobiliários Amadeu Mendonça destacou que a inadimplência pode levar condomínios a recorrer a taxas extras para manter despesas básicas quando a arrecadação ordinária se mostra insuficiente.
Por esse motivo, o acompanhamento dos índices internos deve fazer parte da rotina de síndicos e administradoras. Mais importante do que observar apenas a média regional é identificar a evolução da inadimplência dentro do próprio condomínio, o volume de débitos e o tempo médio de atraso.
Cobrança preventiva ajuda a evitar o acúmulo das dívidas
Uma das estratégias apontadas por especialistas é estabelecer uma régua de cobrança com etapas previamente definidas. O procedimento pode começar com um lembrete após o vencimento, avançar para uma comunicação formal e, quando necessário, seguir para negociação ou cobrança judicial.
A previsibilidade permite que o síndico atue antes que uma dívida de pequeno valor se transforme em um débito mais difícil de recuperar. Também evita decisões casuísticas e contribui para uma gestão mais transparente diante dos demais condôminos.
A situação exige equilíbrio. Ao mesmo tempo em que o condomínio precisa preservar sua arrecadação, a negociação pode ser uma alternativa para recuperar valores e evitar que a dívida continue crescendo.
Cenário exige atenção dos síndicos
Os números da uCondo mostram que a inadimplência continua sendo um dos principais desafios financeiros da gestão condominial. No Nordeste, houve uma pequena melhora no primeiro semestre de 2026, mas o índice ainda ficou acima da média brasileira.
O cenário nacional, por sua vez, apresentou deterioração, com a taxa chegando a 12,5%, enquanto o valor médio do condomínio atingiu R$ 538. A combinação entre aumento das despesas e dificuldade de pagamento reforça a necessidade de planejamento e acompanhamento permanente.
Para síndicos e administradoras, o momento exige atenção ao orçamento, controle das despesas, acompanhamento do fluxo de caixa e adoção de procedimentos de cobrança que permitam agir rapidamente diante dos primeiros atrasos.
Mais do que acompanhar os índices nacionais ou regionais, a recomendação é utilizar esses números como referência para comparar a realidade do próprio condomínio. Uma gestão financeira preventiva pode ajudar a reduzir o impacto dos atrasos sobre os moradores que mantêm suas obrigações em dia e preservar a capacidade do empreendimento de manter serviços e investimentos essenciais.