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Inadimplência condominial em alta

Levantamento da uCondo aponta índice nacional de 12,5% no primeiro semestre de 2026; síndicos precisam reforçar o controle financeiro e a cobrança de cotas em atraso

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Condomínios na região Norte, como na cidade de Belém (foto), · Foto: Alexandre Costa/Ag. Pará Read

Inadimplência condominial chega a 19,09% no Norte e a 12,71% no Nordeste

A inadimplência das taxas condominiais atingiu 19,09% no Norte e 12,71% no Nordeste no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da uCondo, empresa de tecnologia para gestão de condomínios. O índice nacional chegou a 12,5%, o maior da série monitorada pela empresa desde 2022.

O estudo considera débitos com mais de 30 dias de atraso, deixando de fora pagamentos que estão apenas pontualmente vencidos. Os números mostram diferenças regionais e reforçam a importância do acompanhamento financeiro por síndicos e administradoras.

O levantamento foi divulgado anteriormente por veículos de imprensa em outubro. Os dados indicam que a inadimplência é um desafio para a gestão condominial porque a arrecadação das cotas é necessária para custear serviços, manutenção e demais despesas comuns.

Norte lidera a inadimplência entre as regiões

No recorte regional, o Norte registrou o maior índice, com 19,09%. O Nordeste apareceu em segundo lugar, com 12,71%, seguido pelo Sudeste, com 12,28%. O Sul apresentou 11,61%, enquanto o Centro-Oeste teve o menor percentual, de 8,52%.

A diferença entre as regiões evidencia que o atraso no pagamento das cotas não ocorre de maneira uniforme no país. Para Léo Mack, cofundador e diretor de operações da uCondo, fatores como o comprometimento da renda e o custo do crédito ajudam a contextualizar a pressão sobre o orçamento familiar.

Os percentuais, contudo, não explicam isoladamente os motivos de cada atraso nem permitem concluir que todos os condomínios de uma determinada região enfrentem a mesma situação. A realidade financeira varia de um empreendimento para outro.

Inadimplência nacional atingiu o maior índice da série

A série histórica da uCondo mostra que a inadimplência condominial nacional passou por oscilações nos últimos anos e aumentou a partir de 2025.

No primeiro semestre de 2022, o índice era de 9,72%. No segundo semestre daquele ano, caiu para 8,65%. Em 2023, registrou 9,14% no primeiro semestre e 9,92% no segundo. Em 2024, os percentuais foram de 9,99% e 9,83%, respectivamente.

Em 2025, a inadimplência chegou a 11,95% no primeiro semestre e a 11,66% no segundo. No primeiro semestre de 2026, alcançou 12,5%, o maior resultado da série monitorada desde 2022.

O critério utilizado considera apenas dívidas com mais de 30 dias de atraso. Por isso, o indicador não deve ser confundido com o número de moradores que deixam de pagar exatamente na data de vencimento.

Taxa condominial média subiu 30,3% desde 2022

Além dos atrasos, o levantamento aponta aumento no valor médio das cotas condominiais no Brasil. A média passou de R$ 413 no primeiro semestre de 2022 para R$ 516 no mesmo período de 2025 e chegou a R$ 538 no primeiro semestre de 2026.

A elevação acumulada desde o início da série foi de 30,3%. O aumento das despesas de moradia, combinado com dificuldades no orçamento doméstico, pode ampliar a pressão sobre os pagamentos mensais.

A taxa condominial tem uma característica importante: ela financia despesas compartilhadas, como manutenção, limpeza, energia das áreas comuns, contratos de prestação de serviços e folha de pagamento. Quando parte dos recursos previstos não entra no caixa, o condomínio precisa administrar a diferença sem deixar de cumprir suas obrigações.

Como a inadimplência afeta o funcionamento do condomínio?

O atraso nas cotas pode reduzir a disponibilidade financeira para despesas ordinárias e comprometer a capacidade de planejamento do empreendimento. Dependendo do volume de débitos e da reserva existente, a administração pode enfrentar dificuldades para manter contratos, executar reparos ou realizar melhorias previstas.

Quando o caixa fica pressionado, os condôminos que pagam em dia também podem sentir os efeitos, já que a arrecadação é coletiva e precisa sustentar os compromissos do edifício.

A dimensão do impacto depende de fatores como o percentual de unidades inadimplentes, o valor das dívidas, a duração dos atrasos, as despesas mensais e a existência de recursos de reserva. Por isso, o síndico deve acompanhar não apenas o total devido, mas também a evolução dos débitos ao longo do tempo.

Cobrança organizada ajuda a evitar o acúmulo de dívidas

Para reduzir os riscos financeiros, síndicos e administradoras precisam adotar procedimentos de cobrança claros, consistentes e compatíveis com a convenção condominial e a legislação.

Entre as medidas que podem integrar a rotina de gestão estão:

  • Monitorar os pagamentos: acompanhar periodicamente os recebimentos e identificar os débitos assim que surgirem.

  • Definir uma régua de cobrança: estabelecer etapas, prazos e formas de comunicação, desde o lembrete inicial até as medidas formais cabíveis.

  • Buscar negociação quando possível: avaliar propostas de regularização dentro dos limites legais e das regras aplicáveis ao condomínio.

  • Manter registros atualizados: organizar demonstrativos de débitos, pagamentos, acordos e despesas para permitir decisões fundamentadas.

  • Planejar o orçamento com prudência: acompanhar o fluxo de caixa e avaliar cenários para evitar que atrasos comprometam obrigações essenciais.

  • Prestar contas com transparência: apresentar aos condôminos informações claras sobre arrecadação, despesas e medidas adotadas para administrar a inadimplência.

A cobrança deve ser feita de maneira impessoal, respeitosa e documentada. Exposição pública de devedores, constrangimentos ou medidas não autorizadas pela legislação podem gerar novos conflitos e riscos jurídicos.

Dívida condominial pode levar à cobrança judicial

Quando a negociação não resulta na regularização dos débitos, o condomínio pode avaliar a adoção das medidas judiciais cabíveis, com orientação jurídica. As cotas condominiais documentalmente comprovadas podem constituir título executivo extrajudicial, conforme previsto no Código de Processo Civil.

A cobrança judicial pode resultar em medidas de execução patrimonial, observados os requisitos legais e os procedimentos aplicáveis a cada caso. Por isso, a administração deve manter a documentação organizada e não deixar que as dívidas se acumulem sem acompanhamento.

Para os moradores que enfrentam dificuldades financeiras, procurar a administração e verificar a possibilidade de negociação antes que o débito aumente pode ajudar a evitar custos adicionais e o agravamento da situação.

Planejamento financeiro é essencial para a gestão condominial

Os dados da uCondo mostram que a inadimplência permanece como um desafio para os condomínios brasileiros, com índices diferentes entre as regiões. O resultado nacional de 12,5% no primeiro semestre de 2026 e a elevação da taxa condominial média reforçam a necessidade de acompanhamento contínuo das contas.

Para síndicos e administradoras, a resposta passa por controle de caixa, procedimentos de cobrança bem definidos, comunicação transparente e planejamento orçamentário realista. A gestão preventiva não elimina todos os atrasos, mas permite identificar riscos com antecedência e organizar a tomada de decisões.

O indicador regional funciona como referência para compreender o cenário mais amplo. A avaliação efetiva da saúde financeira, porém, deve considerar os números de cada condomínio, o comportamento dos pagamentos e a capacidade de cumprir os compromissos coletivos.