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Periferia lidera valorização dos imóveis em São Paulo

Levantamento da Loft aponta alta média de 4,3% na capital no terceiro trimestre de 2026, enquanto mudanças no perfil dos imóveis ofertados explicam quedas em bairros nobres

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Foto: Reprodução

Imóveis valorizam em 80% dos bairros de São Paulo, com periferia na liderança

Os preços médios dos imóveis anunciados para venda aumentaram em 95 dos 114 bairros analisados de São Paulo no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O levantamento da Loft, divulgado pelo InfoMoney em 15 de outubro, apontou valorização média de 4,3% na capital paulista, com as maiores altas concentradas em bairros periféricos.

O estudo analisou anúncios publicados nos principais portais imobiliários e identificou diferenças expressivas entre as regiões da cidade. Enquanto localidades como Parelheiros, Grajaú e Capão Redondo registraram aumentos relevantes, alguns bairros tradicionalmente associados ao mercado de alto padrão apresentaram recuo no preço médio total dos imóveis anunciados.

O levantamento também mostra que a composição dos imóveis disponíveis para venda influencia os resultados. Em determinados bairros nobres, o preço médio caiu porque as unidades anunciadas passaram a ter áreas menores, mesmo com a valorização do metro quadrado.

Bairros periféricos lideram as altas

Entre as localidades que apresentaram maior valorização, Parelheiros registrou alta de 26,2%, seguido por Grajaú, com 25,6%, Capão Redondo, com 24,9%, e Guaianases, com 24,4%.

Os números indicam que a valorização não está restrita às áreas mais tradicionais do mercado imobiliário paulistano. Bairros com imóveis relativamente mais acessíveis também registraram aumentos expressivos nos preços anunciados.

Segundo a análise da Loft citada pelo InfoMoney, os valores menores em comparação com regiões mais centrais podem ampliar as possibilidades de acesso ao crédito imobiliário e a programas habitacionais com incentivos governamentais. Esses fatores podem contribuir para estimular a procura por imóveis nessas localidades.

É importante, porém, distinguir os preços anunciados dos valores efetivamente negociados. O levantamento considera ofertas disponíveis no mercado e não representa necessariamente o preço final de todas as transações realizadas nos bairros.

Preço médio dos imóveis chega a R$ 1,13 milhão

Considerando os bairros incluídos na amostra, o preço médio de um imóvel anunciado em São Paulo chegou a R$ 1.133.049 no terceiro trimestre de 2026. A área média das unidades foi de 121,8 metros quadrados.

As diferenças entre as regiões são significativas. Alto de Pinheiros registrou o maior preço médio, próximo de R$ 4,2 milhões, seguido por Jardim Paulistano, com cerca de R$ 4 milhões, e Jardim Europa, com aproximadamente R$ 3,9 milhões.

Na outra ponta, Cidade Tiradentes apresentou preço médio de R$ 178.730. José Bonifácio registrou R$ 224.530, enquanto a região da Sé teve média de R$ 280.833.

A distância entre os valores mostra como localização, tamanho, padrão construtivo e características da oferta influenciam a composição do mercado residencial da capital.

Queda em bairros nobres não significa necessariamente desvalorização

Entre os bairros que apresentaram as maiores quedas no preço médio total, Jardim Paulistano registrou recuo de 17,4%, Vila Nova Conceição caiu 10,4% e Jardim Paulista apresentou redução de 7,7%.

Apesar disso, o estudo identificou aumento no preço por metro quadrado em diversas dessas localidades. No Jardim Paulistano, por exemplo, o valor médio total diminuiu enquanto o preço por metro quadrado aumentou 3,7%.

A explicação está relacionada à metragem dos imóveis anunciados. Quando a área média das unidades disponíveis diminui, o preço total médio pode cair mesmo que o metro quadrado fique mais caro.

Esse detalhe é relevante para interpretar indicadores imobiliários: comparar apenas o valor médio dos imóveis pode levar a conclusões equivocadas quando o perfil das unidades ofertadas muda de um período para outro.

Valorização e demanda influenciam decisões imobiliárias

As diferenças observadas entre os bairros podem influenciar as decisões de compradores, proprietários e investidores. Para quem busca adquirir um imóvel, acompanhar os preços por região e comparar unidades com características semelhantes ajuda a avaliar se o valor anunciado está alinhado às condições do mercado.

Para proprietários que pretendem vender ou alugar, a análise de imóveis comparáveis também contribui para estabelecer expectativas mais realistas sobre o preço e o tempo necessário para encontrar interessados.

No caso dos condomínios residenciais, a valorização dos imóveis pode aumentar o interesse de compradores por determinadas regiões, mas não representa, por si só, uma redução ou um aumento automático das despesas condominiais. A taxa depende principalmente do orçamento do empreendimento, dos serviços contratados, da manutenção e das decisões aprovadas pelos condôminos.

Ainda assim, mudanças no perfil dos moradores, na procura por unidades e no padrão dos empreendimentos podem repercutir nas demandas de administração, manutenção e infraestrutura dos condomínios.

Dados reforçam a importância da análise local

O levantamento da Loft mostra que o mercado imobiliário paulistano não apresenta um comportamento uniforme. Enquanto bairros periféricos lideraram a valorização dos preços anunciados, algumas regiões de alto padrão registraram quedas no valor médio total, influenciadas pela redução da área das unidades ofertadas.

Para interpretar o cenário, é importante observar não apenas a variação percentual dos preços, mas também a metragem, o valor por metro quadrado, a localização e o perfil dos imóveis disponíveis.

Para compradores, vendedores e profissionais do setor, a análise por bairro oferece uma referência mais precisa do que a média geral da cidade. Já para síndicos e administradoras, acompanhar a dinâmica imobiliária local pode ajudar a compreender mudanças no perfil do empreendimento e nas expectativas dos proprietários, sem confundir valorização patrimonial com a situação financeira do condomínio.

Os dados do terceiro trimestre de 2026 reforçam, portanto, a importância de avaliar o mercado a partir de indicadores complementares. A valorização de uma região depende de fatores específicos e deve ser interpretada considerando as características da oferta e da demanda em cada localidade.