Centenas de condomínios não se conectaram à rede de esgoto
Empreendimentos estão em áreas atendidas pelo sistema público, mas ainda não fizeram a conexão; interligação pode reduzir custos operacionais e riscos ambientais

Fortaleza tem 286 condomínios sem ligação à rede de esgoto, apesar de infraestrutura disponível
Fortaleza tem 286 condomínios com disponibilidade de conexão à rede pública de esgotamento sanitário que ainda não realizaram a interligação. O dado foi divulgado pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e pela Ambiental Ceará, responsável pela operação do serviço em parceria público-privada com a companhia estadual.
A situação chama a atenção para um desafio da gestão condominial: a existência de infraestrutura pública não garante, por si só, que os imóveis estejam conectados ao sistema de coleta e tratamento de esgoto.
Segundo informações publicadas pelo jornal O POVO em 21 de outubro de 2026, Fortaleza possui cobertura de rede de esgoto em aproximadamente 70% da cidade. Entre os condomínios que já podem se conectar, mas ainda não o fizeram, cerca de 106 estão concentrados nos bairros Salinas, Passaré, Maraponga, Itaperi e Damas.
Conexão à rede pública é obrigatória onde há disponibilidade
De acordo com a Cagece, nos locais onde existe infraestrutura pública de esgotamento sanitário, a conexão dos imóveis ao sistema é obrigatória. Nas áreas ainda não atendidas, deve haver uma solução própria de tratamento devidamente projetada, licenciada e operada, conforme as exigências aplicáveis.
A falta de interligação pode manter os condomínios dependentes de sistemas particulares, como estações de tratamento de esgoto próprias, que exigem manutenção, acompanhamento técnico e despesas operacionais.
A destinação inadequada dos efluentes também pode provocar impactos ambientais, especialmente quando há lançamento irregular em redes de drenagem pluvial ou risco de contaminação do solo e das águas subterrâneas.
Ligação pode reduzir custos e simplificar a operação
Segundo a Ambiental Ceará, a conexão à rede pública pode reduzir os custos de manutenção e operação de sistemas particulares de tratamento. A mudança também permite que o condomínio deixe de realizar localmente etapas do tratamento que passam a integrar o sistema público, conforme as condições técnicas da interligação.
A experiência do condomínio Reserva dos Ipês, no bairro Passaré, é citada como exemplo. O empreendimento foi conectado à rede pública em maio de 2026, depois de mais de dois anos enfrentando problemas relacionados ao sistema próprio, como retorno de efluentes, mau cheiro e despesas de manutenção.
Após a conexão, a estrutura anteriormente ocupada por parte da estação de tratamento pôde ser destinada à ampliação do estacionamento, segundo relato do síndico publicado pela imprensa.
Os resultados variam de acordo com as características de cada empreendimento, mas o caso ilustra como a adequação sanitária pode trazer benefícios operacionais e melhorar as condições ambientais do condomínio.
Cinco bairros concentram parte significativa dos casos
Os bairros Salinas, Passaré, Maraponga, Itaperi e Damas reúnem aproximadamente 106 dos 286 condomínios identificados com disponibilidade de conexão ainda não realizada.
A concentração ajuda a orientar as ações de informação e atendimento da concessionária. Conforme a Ambiental Ceará, equipes realizam visitas aos empreendimentos para orientar síndicos, administradoras e responsáveis técnicos sobre as etapas necessárias e apoiar a elaboração de projetos de viabilidade para a ligação à rede pública.
O que síndicos e administradoras devem fazer?
A gestão condominial pode iniciar o processo verificando se o empreendimento está localizado em área atendida pela rede pública e quais exigências técnicas precisam ser cumpridas para a conexão.
Entre as medidas recomendadas estão:
Consultar a Cagece para confirmar a disponibilidade do serviço no endereço do condomínio.
Solicitar orientação técnica sobre o projeto e as obras de interligação.
Avaliar as condições da infraestrutura sanitária existente no empreendimento.
Planejar os custos e o cronograma necessários para a adequação.
Verificar as exigências legais e eventuais autorizações aplicáveis.
Informar os moradores sobre os benefícios, as etapas e os impactos financeiros da mudança.
A concessionária informa que oferece orientação por meio da Central de Atendimento, pelo telefone 0800 275 0195, pelo aplicativo Cagece App e pela assistente virtual disponível no portal da companhia.
Saneamento também é uma questão de saúde e meio ambiente
A ligação adequada à rede pública contribui para que o esgoto seja coletado e encaminhado ao tratamento, reduzindo riscos de poluição e de contaminação do solo e dos recursos hídricos.
Para os condomínios, a regularização também pode representar maior previsibilidade operacional e redução da necessidade de manutenção de estruturas próprias. A decisão de realizar a conexão deve considerar as condições técnicas do imóvel, as exigências legais e as orientações dos responsáveis pelo serviço.
O levantamento de Fortaleza mostra que ampliar a cobertura da infraestrutura é apenas uma parte do desafio do saneamento. A efetiva conexão dos empreendimentos é essencial para que os investimentos realizados se convertam em benefícios ambientais, sanitários e econômicos para a população.