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Fortaleza ganha destaque no mercado imobiliário nacional

Capital cearense teve alta de 32,2% nas vendas e avanço de 62,5% nos lançamentos, enquanto municípios da Região Metropolitana registraram desaceleração

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O levantamento tomou como base uma amostra de 420 empreendimentos de 149 empresas · Foto: FCO FONTENELE

Fortaleza registra R$ 2,04 bilhões em vendas de imóveis e empata com Curitiba no 3º trimestre

Fortaleza movimentou R$ 2,04 bilhões em vendas de imóveis no terceiro trimestre de 2026 e alcançou um dos maiores volumes de negócios imobiliários do país. Com crescimento de 32,2% em relação ao trimestre anterior, a capital cearense empatou com Curitiba e ficou atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro, conforme levantamento divulgado pelo Sindicato das Construtoras do Ceará (Sinduscon-CE), em parceria com a consultoria Brain Inteligência Estratégica.

Entre julho e setembro, foram comercializadas 3.543 unidades na capital, ante 2.679 no segundo trimestre. O resultado representa avanço tanto no volume de imóveis negociados quanto no Valor Geral de Vendas (VGV), indicador que corresponde à soma do valor potencial de comercialização das unidades vendidas ou lançadas, conforme o recorte analisado.

O desempenho também apareceu nos lançamentos imobiliários. Fortaleza registrou 3.753 novas unidades no trimestre, aumento de 62,5% em comparação aos três meses anteriores. O VGV dos lançamentos chegou a R$ 2,4 bilhões, ante R$ 821,1 milhões no segundo trimestre.

Vendas e lançamentos impulsionam o mercado da capital

Os dados indicam um período de expansão para o mercado imobiliário de Fortaleza. Além do crescimento das vendas, o aumento dos lançamentos demonstra que as incorporadoras ampliaram a oferta de novos empreendimentos na capital.

Para Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain, o desempenho está associado ao desenvolvimento econômico local e às diretrizes urbanísticas do Plano Diretor de Fortaleza, que favorecem o aproveitamento construtivo dos terrenos.

A possibilidade de construir mais unidades em determinadas áreas pode ampliar a oferta de imóveis e tornar os terrenos mais atrativos para novos projetos. Os resultados, contudo, dependem de fatores como demanda, custos de construção, disponibilidade de crédito e capacidade de absorção dos lançamentos pelo mercado.

O presidente do Sinduscon-CE, Patriolino Dias de Sousa, também avaliou positivamente o equilíbrio entre lançamentos e vendas. Segundo ele, o setor mantém um ritmo de comercialização próximo ao volume de novas unidades disponibilizadas, condição que ajuda a acompanhar a relação entre oferta e demanda.

Região Metropolitana registra queda nas vendas

Enquanto Fortaleza apresentou crescimento, os municípios da Região Metropolitana incluídos no levantamento tiveram desaceleração no terceiro trimestre. A análise abrange Aquiraz, Caucaia, Eusébio e Maracanaú.

O VGV vendido nessas cidades caiu 10,6%, passando de R$ 536,5 milhões no segundo trimestre para R$ 479,4 milhões no terceiro. Em quantidade, as vendas recuaram 2,6%, de 1.468 para 1.430 unidades.

Os lançamentos também diminuíram. O número de novas unidades caiu 31,8%, passando de 2.405 para 1.640, enquanto o VGV lançado recuou 34%, de R$ 668,6 milhões para R$ 441,3 milhões.

A diferença entre os resultados da capital e dos municípios vizinhos evidencia que o mercado imobiliário não apresenta o mesmo comportamento em toda a região. Enquanto Fortaleza ampliou as vendas e os lançamentos, os números da área metropolitana apontaram retração no período.

Loteamentos em Fortaleza acumulam nove meses sem lançamentos

O segmento de loteamentos apresenta um cenário distinto daquele observado nos empreendimentos verticais. Fortaleza completou nove meses consecutivos sem registrar novos lançamentos de lotes, em contraste com as 323 unidades lançadas no mesmo período do ano anterior.

Com a ausência de novos lançamentos na capital, a atividade ficou concentrada nos municípios da Região Metropolitana abrangidos pelo estudo. Entre janeiro e setembro de 2026, foram lançados 2.738 lotes nessa área, com VGV de R$ 611,2 milhões. O volume representou uma retração de 0,8% em relação ao período de comparação informado no levantamento.

Nas vendas acumuladas de janeiro a setembro, foram comercializados 3.792 lotes: 3.781 na Região Metropolitana e apenas 11 em Fortaleza. O total representa queda de 7,6% frente às 4.102 unidades vendidas nos mesmos meses de 2025.

Em valor, o VGV vendido de loteamentos somou R$ 830,7 milhões, redução de 8,6% em comparação aos R$ 908,7 milhões registrados no ano anterior.

Os números mostram que o comportamento dos loteamentos difere daquele observado no mercado de apartamentos e outros empreendimentos residenciais. A ausência de lançamentos na capital também indica uma concentração da atividade em municípios vizinhos, embora os dados, isoladamente, não permitam determinar as causas dessa mudança.

Desempenho exige atenção à oferta e à demanda

A expansão das vendas e dos lançamentos em Fortaleza reforça a importância da capital no mercado imobiliário brasileiro. Ao mesmo tempo, a desaceleração da Região Metropolitana e a retração nos loteamentos mostram que os resultados variam conforme a localização e o tipo de empreendimento.

Para incorporadoras, investidores e profissionais do setor, acompanhar o VGV, o volume de unidades comercializadas e a quantidade de lançamentos ajuda a compreender o ritmo da atividade imobiliária. A análise desses indicadores, porém, deve considerar também os preços, as condições de financiamento, o estoque disponível e a capacidade de compra dos consumidores.

Para condomínios e administradoras, a movimentação do mercado pode influenciar a oferta de imóveis, a dinâmica de ocupação e as características dos empreendimentos que chegam à cidade. O crescimento do setor, entretanto, não significa necessariamente valorização uniforme em todos os bairros ou segmentos.

O balanço do terceiro trimestre aponta Fortaleza como um dos principais mercados imobiliários do país no período, com aumento expressivo nas vendas e nos lançamentos. Os próximos resultados deverão mostrar se esse ritmo se mantém e como a diferença entre a capital e os municípios metropolitanos evolui nos trimestres seguintes.