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Condomínios precisam se preparar para o fim da escala 6x1

Redução gradual da jornada exigirá planejamento das escalas, análise de contratos terceirizados e avaliação dos possíveis impactos financeiros nos condomínios

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Condomínios precisam se preparar para o fim da escala 6x1 · Foto: Imagem gerada na IA/Gemini

Fim da escala 6x1: condomínios precisam revisar equipes, contratos e orçamento antes das novas regras

O fim gradual da escala 6x1 coloca síndicos, administradoras e condomínios diante da necessidade de revisar a organização das equipes antes da entrada em vigor das novas etapas de redução da jornada de trabalho. A mudança poderá afetar diretamente serviços essenciais, como portaria, limpeza, zeladoria e manutenção, exigindo planejamento operacional e financeiro.

A principal preocupação está na continuidade dos serviços. Enquanto determinadas atividades podem ser reorganizadas conforme os horários de maior demanda, outras exigem cobertura permanente. É o caso de condomínios com portaria presencial 24 horas, onde a redução das horas disponíveis de cada trabalhador pode exigir uma nova composição das escalas.

Redução será gradual

A transição para a nova jornada ocorrerá de forma progressiva. Conforme as regras apresentadas pela Group Software, o limite semanal, atualmente de 44 horas, passará para 42 horas em 16 de dezembro de 2026 e chegará a 40 horas em 16 de dezembro de 2027, sem redução salarial.

A mudança também estabelece dois dias de repouso semanal remunerado, observadas as regras aplicáveis a cada regime de trabalho. A escala 5x2 pode ser uma alternativa, mas não será necessariamente o único modelo possível.

A organização das jornadas deverá considerar a legislação trabalhista, além dos acordos e convenções coletivas aplicáveis às diferentes categorias profissionais.

Portaria 24 horas exige atenção especial

Os impactos podem variar significativamente entre os condomínios. Um empreendimento que concentra os serviços de limpeza e manutenção em determinados dias ou horários pode ter maior flexibilidade para reorganizar suas equipes.

Já a situação é diferente em condomínios que dependem de postos presenciais contínuos.

Uma portaria que funciona 24 horas por dia, por exemplo, continua exigindo cobertura durante toda a semana. A redução da jornada individual não diminui a quantidade de horas que precisam ser cobertas para manter o serviço em funcionamento.

Por isso, será necessário analisar se a equipe atual conseguirá atender às novas regras ou se haverá necessidade de redistribuir turnos, contratar folguistas, ampliar o quadro de funcionários ou adotar outras soluções compatíveis com a legislação.

Limpeza e zeladoria também podem precisar de reorganização

As mudanças não atingem apenas a portaria. Equipes de limpeza, jardinagem, zeladoria e manutenção também precisarão ter suas jornadas avaliadas.

A administração deverá identificar os períodos de maior necessidade e verificar se determinadas atividades podem ser redistribuídas ao longo da semana. Em alguns casos, escalas alternadas, com diferentes dias de descanso entre os profissionais, podem ajudar a manter a operação.

O planejamento precisa considerar a realidade de cada empreendimento. Não existe um único modelo capaz de atender todos os condomínios.

Um edifício com poucos funcionários e serviços concentrados terá necessidades diferentes de um grande condomínio residencial com equipes próprias, portaria permanente e ampla estrutura de áreas comuns.

Funcionários próprios e terceirizados exigem análises diferentes

Nos condomínios com funcionários próprios, a gestão deverá avaliar diretamente as jornadas, os contratos de trabalho e as regras coletivas aplicáveis à categoria.

Nos serviços terceirizados, a responsabilidade pela adequação da jornada dos trabalhadores é da empresa contratada. Ainda assim, síndicos e administradoras precisam acompanhar os possíveis impactos sobre a prestação dos serviços e os contratos vigentes.

Caso uma empresa terceirizada solicite reajuste ou aditivo contratual em razão da reorganização das jornadas, o pedido deverá ser analisado conforme as cláusulas contratuais, a justificativa apresentada e os custos efetivamente envolvidos.

A mudança na jornada, por si só, não significa que um aumento de preço seja automático.

Custos podem afetar o orçamento dos condomínios

Um dos principais pontos de atenção é o impacto financeiro. Dependendo da estrutura de cada condomínio, a redução da jornada poderá exigir gastos adicionais com horas extras, folguistas, novas contratações ou alterações nos contratos de terceirização.

Essas despesas podem aumentar a folha de pagamento e pressionar o orçamento condominial. Em determinadas situações, a administração poderá precisar revisar a previsão orçamentária.

Isso, porém, não significa que todos os condomínios terão aumento automático na taxa condominial.

O resultado dependerá da quantidade de funcionários, das jornadas já praticadas, da necessidade de cobertura dos postos e da capacidade de reorganização das atividades.

A recomendação é que síndicos e administradoras realizem simulações antes da implementação das novas regras, comparando diferentes alternativas e seus respectivos impactos financeiros.

Planejamento antecipado pode evitar decisões às pressas

A adaptação deve começar com um levantamento detalhado das equipes e das jornadas atualmente praticadas.

A gestão precisa identificar quais profissionais são funcionários próprios, quais serviços são terceirizados e quais funções exigem cobertura contínua. Também será necessário avaliar horários, intervalos, dias de descanso e eventuais períodos críticos para a operação.

A análise dos contratos individuais e de terceirização também será importante, assim como a consulta às convenções e aos acordos coletivos aplicáveis.

A partir desse diagnóstico, o condomínio poderá criar cenários para reorganizar as escalas e estimar os custos de cada alternativa.

Comunicação também será importante

Depois de definir as mudanças necessárias, a administração deverá organizar a comunicação com funcionários e moradores.

Os trabalhadores precisam conhecer as alterações que afetam suas jornadas, enquanto os condôminos devem ser informados quando houver mudanças relevantes na prestação dos serviços ou impactos no planejamento financeiro.

A transparência pode ajudar a evitar conflitos e alinhar as expectativas durante o período de transição.

Tecnologia pode apoiar a adaptação

Sistemas de controle de ponto, gestão de escalas e acompanhamento financeiro também podem auxiliar os condomínios durante a adaptação.

Essas ferramentas permitem acompanhar as horas trabalhadas, identificar horas extras e organizar informações relacionadas à folha de pagamento e às jornadas dos funcionários.

Soluções tecnológicas também podem contribuir para automatizar determinadas atividades administrativas e melhorar a organização das equipes. A eventual adoção de tecnologias de controle de acesso e portaria digital, no entanto, deve ser analisada de acordo com as características e as necessidades de segurança de cada empreendimento.

O principal desafio dos condomínios será encontrar uma forma de conciliar o novo cenário trabalhista com a continuidade dos serviços e o equilíbrio financeiro.

A redução da jornada não terá o mesmo efeito em todos os empreendimentos. Por isso, a preparação antecipada será fundamental para que síndicos e administradoras tomem decisões baseadas nas necessidades reais de cada condomínio, evitando improvisações quando os novos prazos entrarem em vigor.