Seguro habitacional cresce com avanço dos financiamentos do Minha Casa, Minha Vida
Arrecadação do segmento alcançou R$ 8 bilhões em 2025; cobertura protege financiamentos contra morte, invalidez permanente e danos físicos ao imóvel

Expansão do Minha Casa, Minha Vida impulsiona mercado de seguro habitacional no Brasil
O crescimento do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) tem impulsionado não apenas o mercado de financiamento imobiliário, mas também o segmento de seguros habitacionais no Brasil. Com o aumento das operações de crédito para aquisição da casa própria, a proteção vinculada aos contratos ganhou escala e movimentou bilhões de reais nos últimos anos.
Entre 2020 e 2025, as contratações de crédito imobiliário pelo programa passaram de 365.044 para 662.556 operações. No mesmo período, a arrecadação do seguro habitacional avançou de R$ 4,5 bilhões para R$ 8 bilhões, praticamente dobrando em cinco anos.
O movimento continuou em 2026. No primeiro semestre, o Minha Casa, Minha Vida registrou 473.279 contratações, enquanto a arrecadação do seguro habitacional alcançou R$ 4,3 bilhões. Os números foram destacados em reportagem publicada pelo portal Portas, com informações do Valor.
A expansão acompanha a importância do financiamento de longo prazo na aquisição de imóveis. Como a contratação do seguro habitacional é obrigatória nas operações de financiamento imobiliário, o crescimento do crédito amplia também a quantidade de contratos protegidos.
Seguro acompanha o prazo do financiamento
O seguro habitacional tem a finalidade de oferecer proteção ao financiamento e ao imóvel durante a vigência do contrato. De acordo com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), as coberturas mínimas exigidas abrangem dois grupos principais: morte e invalidez permanente do mutuário, conhecida pela sigla MIP, e danos físicos ao imóvel, identificados como DFI.
Na cobertura de morte ou invalidez permanente, a indenização pode ser utilizada para quitar total ou parcialmente o saldo devedor do financiamento, conforme a participação do segurado na composição da renda e as condições previstas na apólice.
Já a proteção contra danos físicos contempla ocorrências que comprometam a estrutura ou as condições do imóvel. Entre os eventos previstos estão incêndio, queda de raio, explosão, vendaval, desmoronamento, destelhamento, inundação e alagamento, observados os critérios e limites estabelecidos no contrato.
A vigência do seguro habitacional acompanha o período do financiamento. Dessa forma, a proteção permanece vinculada à operação enquanto houver contrato em andamento, respeitadas as condições da apólice.
Indenizações também registram crescimento
O aumento da arrecadação foi acompanhado pela elevação dos pagamentos de indenizações. Em 2020, o volume destinado a indenizações do seguro habitacional foi de R$ 1,2 bilhão. Em 2025, chegou a R$ 1,9 bilhão.
Nos primeiros seis meses de 2026, os pagamentos já somavam R$ 1,1 bilhão. Os dados demonstram a dimensão econômica do segmento e a importância da proteção securitária diante de situações que podem comprometer o patrimônio ou a capacidade de pagamento das famílias.
A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) projeta crescimento de 11,6% na arrecadação do seguro habitacional em 2026. Para 2027, a expectativa é de avanço próximo de 11%, sustentado pela continuidade do crédito com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da poupança, além da maior atenção aos riscos climáticos.
Consumidor pode escolher a seguradora
Embora o seguro habitacional seja obrigatório no financiamento imobiliário, a contratação não precisa necessariamente ocorrer com a seguradora vinculada ao banco responsável pelo crédito.
Segundo as orientações da Susep, a instituição financeira deve apresentar opções de apólices, incluindo uma alternativa de seguradora sem vínculo com o financiador. O consumidor também pode buscar outra companhia autorizada a operar no segmento, desde que o produto atenda às exigências aplicáveis à operação.
A comparação deve considerar não apenas o valor do prêmio, mas também as coberturas oferecidas, os limites de indenização, as exclusões e as condições para acionamento do seguro. A Susep também prevê a apresentação do Custo Efetivo do Seguro Habitacional (CESH), indicador que permite comparar os custos das coberturas obrigatórias.
A reportagem do Portas também destaca que as seguradoras buscam ampliar os serviços associados aos produtos, oferecendo assistências como chaveiro e pequenos reparos domésticos. A estratégia procura aproximar a proteção securitária do cotidiano dos consumidores e ampliar a percepção de utilidade do serviço.
Seguro habitacional não é o mesmo que seguro residencial
Apesar de terem objetivos relacionados à proteção de imóveis, o seguro habitacional e o seguro residencial possuem características diferentes. O primeiro está vinculado ao financiamento e apresenta coberturas mínimas obrigatórias, enquanto o segundo é uma contratação facultativa, que pode oferecer proteção mais ampla ao imóvel e aos bens que estão dentro dele, conforme a modalidade escolhida.
Segundo estimativa da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) citada na reportagem, apenas 17% das residências brasileiras possuem seguro residencial. O dado aponta espaço para ampliação da proteção patrimonial, especialmente diante do aumento de eventos climáticos e de imprevistos domésticos.
Para compradores, a compreensão dessas diferenças é importante para evitar a impressão de que o seguro vinculado ao financiamento cobre automaticamente todos os prejuízos relacionados à residência ou aos bens pessoais.
Expansão do crédito amplia a importância da proteção
O avanço do Minha Casa, Minha Vida fortalece a relação entre financiamento habitacional e mercado de seguros. Com mais famílias adquirindo imóveis por meio de operações de crédito, cresce também a necessidade de proteção financeira diante de situações que possam comprometer o pagamento das parcelas ou provocar danos à propriedade.
Para o mercado imobiliário, a expansão do segmento representa uma oportunidade de desenvolvimento de produtos e serviços associados à aquisição e à manutenção da moradia. Para os consumidores, reforça a importância de conhecer as condições do seguro contratado e compreender quais situações estão efetivamente cobertas.
O crescimento da arrecadação e das indenizações indica que o seguro habitacional ocupa espaço cada vez mais relevante na estrutura do financiamento imobiliário brasileiro. A expectativa de continuidade da expansão em 2027 acompanha as perspectivas de crescimento do crédito habitacional e a necessidade de proteção dos imóveis financiados.