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Dubai prepara torre dedicada à inteligência artificial

Projeto de cerca de 9,3 mil m² integra expansão de complexo financeiro e acompanha a crescente demanda por escritórios e espaços de inovação no emirado

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Foto: Leticia Furlan/Exame

Dubai planeja torre voltada a empresas de inteligência artificial

Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, planeja construir uma torre dedicada a empresas e laboratórios de inteligência artificial (IA). Com aproximadamente 9,3 mil metros quadrados, o empreendimento integra o plano de expansão do Dubai International Financial Centre (DIFC), complexo financeiro que vem ampliando sua estrutura para receber negócios de tecnologia e inovação.

A iniciativa acompanha a estratégia do emirado de atrair empresas, profissionais especializados e investimentos ligados à transformação digital. A proposta faz parte de um movimento que conecta desenvolvimento econômico, planejamento urbano e demanda por espaços corporativos especializados.

As informações foram divulgadas pela revista Exame em reportagem publicada em 15 de outubro de 2026.

Demanda por escritórios impulsiona novos projetos

O crescimento do setor de tecnologia tem reflexos no mercado imobiliário comercial. Empresas que desenvolvem soluções digitais precisam de instalações para equipes, laboratórios, pesquisa e atividades administrativas, ampliando a procura por espaços preparados para essas operações.

Segundo dados da consultoria Cushman & Wakefield Core citados pela Exame, a ocupação dos escritórios corporativos em Dubai chegou a 92,4%. Nos principais distritos, os imóveis classificados como Grade A — categoria que reúne escritórios de alto padrão — apresentaram ocupação superior a 96%.

A disponibilidade de escritórios Grade A prontos em regiões centrais também ficou abaixo de 5%, conforme a reportagem. Esse cenário ajuda a explicar a expansão de empreendimentos voltados a empresas de tecnologia e inovação.

Campus de inteligência artificial integra expansão imobiliária

A torre prevista faz parte do Dubai AI Campus, iniciativa instalada no DIFC para concentrar empresas ligadas à inteligência artificial. A estrutura integra um plano de expansão imobiliária do complexo estimado em 100 bilhões de dirhams até 2040.

A reportagem informa que o projeto inclui um setor específico para inovação e tecnologia, com espaços destinados a empresas e laboratórios de IA. A proposta é ampliar a capacidade de receber negócios que já atuam no ecossistema tecnológico de Dubai.

O DIFC também anunciou oficialmente uma expansão de seu distrito, denominada DIFC Zabeel District, que prevê mais de um milhão de pés quadrados destinados a tecnologias futuras e a um campus de inteligência artificial.

Estratégia tecnológica acompanha plano de crescimento econômico

A iniciativa está ligada à agenda econômica D33, lançada em 2023, que estabelece como objetivo dobrar o tamanho da economia de Dubai até 2033. Nesse planejamento, a inteligência artificial aparece como ferramenta para ampliar a produtividade e modernizar diferentes setores da atividade econômica.

A estratégia local também busca atrair startups e formar profissionais especializados. De acordo com a Exame, o Dubai AI Campus reúne mais de 200 empresas de inteligência artificial, enquanto 315 entidades estão registradas sob uma licença específica para o setor.

A meta anunciada é atrair mais de 500 startups globais e criar mais de 3 mil empregos até 2028. Esses objetivos fazem parte do esforço para consolidar o emirado como ambiente de desenvolvimento e aplicação de novas tecnologias.

Tecnologia também influencia o planejamento dos edifícios

A proposta de Dubai evidencia como a demanda por novas atividades econômicas pode modificar a finalidade e a configuração dos empreendimentos imobiliários. Além da localização e da área disponível, projetos corporativos precisam considerar infraestrutura, conectividade, segurança, eficiência operacional e necessidades específicas das empresas que ocuparão os espaços.

Essa tendência também oferece referências para o mercado imobiliário de outras regiões. A incorporação de tecnologia aos edifícios pode envolver sistemas de automação, monitoramento, gestão de energia, controle de acesso e manutenção predial baseada em dados.

Nos condomínios residenciais, essas soluções precisam ser avaliadas conforme as necessidades do empreendimento, os custos de implantação e manutenção e os benefícios esperados para moradores e administração.

Novos empreendimentos exigem planejamento de longo prazo

A expansão de Dubai mostra que o desenvolvimento imobiliário está cada vez mais conectado às transformações econômicas e tecnológicas. A criação de espaços específicos para empresas de inteligência artificial é uma resposta à demanda por instalações adaptadas a atividades especializadas.

Embora o projeto tenha foco corporativo, o caso ilustra um princípio relevante para a gestão imobiliária: a concepção de edifícios precisa acompanhar as necessidades de uso, a infraestrutura disponível e as mudanças no perfil de ocupação.

Para incorporadoras, administradores e profissionais do setor, acompanhar essas transformações ajuda a compreender como tecnologia, planejamento urbano e gestão de empreendimentos podem influenciar os próximos ciclos do mercado imobiliário.