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Selic elevada desafia mercado imobiliário, que projeta crescimento do crédito e mira 2027

Mesmo com juros básicos em 13,75% ao ano, financiamentos imobiliários cresceram no primeiro semestre; setor acompanha expectativa de redução gradual da taxa

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Copom deve manter Selic em 13,75% e mercado imobiliário mira 2027 · Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Selic elevada desafia mercado imobiliário, que projeta crescimento do crédito e mira 2027

O mercado imobiliário brasileiro acompanha com atenção os próximos movimentos da política monetária diante da expectativa de manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para esta quarta-feira (4), ganhou ainda mais relevância para o setor, uma vez que o custo do crédito influencia diretamente as condições de financiamento, o poder de compra das famílias e o ritmo de comercialização de imóveis.

Apesar do cenário de juros elevados, os indicadores do setor imobiliário apresentam resultados positivos em 2026. Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostram que os financiamentos imobiliários somaram R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre, crescimento de 23% em comparação com os seis primeiros meses de 2025. No período, mais de 850 mil imóveis foram financiados.

A expectativa predominante do mercado financeiro é que o Banco Central mantenha a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo temporariamente o ciclo de reduções iniciado em março. A possibilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual perdeu força diante das incertezas econômicas e das preocupações com as expectativas de inflação.

Crédito imobiliário apresenta crescimento mesmo com juros elevados

Os números divulgados pela Abecip indicam que o setor imobiliário conseguiu manter um ritmo expressivo de concessão de crédito, mesmo diante de condições financeiras mais restritivas.

Em agosto, as operações realizadas com recursos da poupança, por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), alcançaram R$ 16,97 bilhões, alta de 46,6% na comparação com o mesmo mês de 2025.

Com base no desempenho acumulado, a entidade elevou a projeção de crescimento do crédito imobiliário em 2026 para 25%, estimando aproximadamente R$ 411 bilhões em concessões. Para o SBPE, a expectativa é de R$ 185 bilhões, o que representa avanço de 18%.

Entretanto, o comportamento do crédito varia conforme a modalidade de financiamento e a origem dos recursos. Em setembro, os financiamentos com recursos da poupança somaram R$ 13,62 bilhões, recuo de 13,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado de janeiro a setembro, porém, o volume chegou a R$ 146,1 bilhões, crescimento de 30,3%.

Já as operações realizadas com recursos livres totalizaram R$ 1,64 bilhão em setembro, uma retração de 60,6% na comparação anual. Os resultados demonstram que o desempenho do mercado não é uniforme e depende das condições específicas de cada modalidade de crédito.

Expectativas para a Selic influenciam o planejamento do setor

A taxa básica de juros é um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado imobiliário porque influencia o custo de captação dos recursos utilizados pelas instituições financeiras e, consequentemente, as condições oferecidas aos compradores.

Quando os juros permanecem elevados, o financiamento tende a ficar mais caro, o que pode reduzir o valor de crédito aprovado para as famílias e aumentar o comprometimento da renda com as prestações. Em contrapartida, uma trajetória de redução da Selic pode favorecer melhores condições de financiamento, ampliar o acesso ao crédito e estimular a procura por imóveis.

Segundo as projeções do Boletim Focus citadas na reportagem de O Dia, a expectativa é que a Selic termine 2027 em 12,50% ao ano e alcance 10% em 2028. Essas estimativas, entretanto, dependem da evolução da inflação, da atividade econômica e das decisões de política monetária ao longo do período.

Para Luccas Isnard, CEO da Vizu Imobiliária Boutique, a trajetória dos juros será determinante para o desempenho do mercado nos próximos anos. O executivo avalia que uma redução gradual da taxa poderá atrair novos compradores, embora fatores como confiança na economia, planejamento financeiro e preservação patrimonial também influenciem as decisões de compra, especialmente no segmento de alto padrão.

O que o cenário representa para compradores e condomínios

As condições de financiamento também repercutem no planejamento de quem pretende adquirir um imóvel e na dinâmica do mercado residencial. Juros elevados podem adiar decisões de compra, limitar o acesso ao crédito e exigir maior organização financeira das famílias.

Para o setor condominial, o comportamento do mercado imobiliário também merece atenção. A disponibilidade de financiamento influencia a comercialização de unidades, a velocidade de ocupação dos empreendimentos e o planejamento de novos projetos residenciais.

Além disso, o custo do crédito pode afetar decisões de investimento e aquisição de imóveis para locação, embora os efeitos variem conforme o perfil do comprador, a modalidade de financiamento e as condições de cada operação.

A perspectiva de 2027, portanto, está associada não apenas à expectativa de redução gradual da Selic, mas também à estabilidade econômica e à capacidade de manutenção do crédito imobiliário em níveis que permitam a continuidade dos negócios.

Enquanto o Copom avalia os próximos passos da política monetária, o mercado imobiliário segue demonstrando capacidade de adaptação. Os resultados positivos do crédito em 2026 indicam a permanência da demanda, mas o custo do financiamento continuará sendo um dos principais fatores para definir o ritmo de crescimento do setor nos próximos anos.