Conflitos condominiais podem afetar o valor dos imóveis
Advogado alerta que disputas prolongadas entre moradores, falta de diálogo e processos judiciais podem comprometer a convivência e afastar potenciais compradores

Conflitos em condomínios podem afetar saúde mental e desvalorizar imóveis, aponta advogado
Especialista em Direito Condominial alerta que disputas prolongadas entre moradores e falta de diálogo podem comprometer a convivência e afastar potenciais compradores
Conflitos prolongados entre moradores, disputas de poder e dificuldades para resolver divergências podem comprometer a qualidade de vida nos condomínios e contribuir para a desvalorização dos imóveis. Esse é o alerta do advogado Dr. Kênio de Souza Pereira, especialista em Direito Condominial, que aponta a falta de diálogo e de medidas adequadas de conciliação como fatores que agravam os problemas de convivência.
Segundo o advogado, situações que se estendem por anos podem provocar desgaste emocional, afetar as relações familiares e levar proprietários a considerar a venda de seus apartamentos ou casas em busca de tranquilidade e segurança.
Pereira destaca que os condomínios, embora sejam espaços de convivência coletiva, também podem se tornar ambientes de tensão quando divergências deixam de ser tratadas de maneira adequada. Para ele, os problemas entre vizinhos podem ultrapassar os limites das áreas comuns e afetar o bem-estar de quem reside no local.
Falta de diálogo dificulta a solução de conflitos
Na avaliação do especialista, parte dos conflitos poderia ser solucionada com o auxílio de profissionais experientes e imparciais, capazes de esclarecer questões jurídicas, conciliar interesses e orientar os envolvidos sobre seus direitos e deveres.
O advogado também defende a participação dos proprietários nas decisões condominiais e a adoção de medidas que favoreçam a convivência. A falta de diálogo, a resistência à resolução dos problemas e a ausência de participação nas assembleias, segundo ele, podem dificultar a construção de soluções coletivas.
Outro ponto destacado por Pereira é a importância de convenções condominiais atualizadas e de uma administração preparada para lidar com divergências, observando a legislação e as particularidades de cada situação.
Conflitos podem afetar o valor dos imóveis
Além dos impactos na convivência, o advogado chama a atenção para as possíveis consequências econômicas dos conflitos. De acordo com ele, informações sobre desentendimentos recorrentes e processos judiciais podem influenciar a decisão de potenciais compradores interessados em adquirir imóveis nesses empreendimentos.
Nesse cenário, a permanência de problemas sem solução pode dificultar negociações e contribuir para a perda de atratividade das unidades no mercado imobiliário.
Pereira afirma que já havia alertado para esse risco ao longo de sua atuação profissional na área condominial. O especialista também relaciona os conflitos à ocorrência de episódios de agressão e desrespeito às regras de convivência, temas que abordou em artigo publicado anteriormente no jornal O Tempo.
Medidas de prevenção e conciliação
Para o advogado, a prevenção de conflitos depende do envolvimento dos condôminos, da atuação responsável da administração e da adoção de medidas jurídicas adequadas quando necessárias.
A busca por soluções consensuais, o respeito às normas internas e a participação nas assembleias são apontados por ele como caminhos para reduzir os desentendimentos e preservar a qualidade de vida nos empreendimentos.
A avaliação do especialista reforça a importância de tratar os conflitos condominiais antes que se prolonguem e passem a comprometer tanto a convivência quanto os interesses patrimoniais dos proprietários.
O advogado também abordou questões relacionadas à violência e aos conflitos em condomínios em artigo publicado no portal O Tempo.
Sobre o autor
Dr. Kênio de Souza Pereira é consultor especial da Presidência da OAB-MG, vice-presidente da Comissão Especial de Direito Condominial da OAB Federal, diretor da Caixa Imobiliária Netimóveis, em Belo Horizonte, e conselheiro do Secovi-MG e da Câmara do Mercado Imobiliário de Minas Gerais.