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Financiamento imobiliário fica mais caro em três grandes bancos

Reajustes foram anunciados em outubro e refletem a alta dos juros futuros; Caixa ainda não informou mudanças nas condições de crédito

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Bradesco, Itaú e Santander · Foto: Montagem com imagens de divulgação e da Reuters

Bradesco, Itaú e Santander aumentam juros do financiamento imobiliário; veja o impacto para compradores

Três dos principais bancos privados do país elevaram as taxas de juros do financiamento imobiliário em outubro de 2026. Bradesco, Itaú e Santander anunciaram mudanças nas condições de crédito para a compra de imóveis, em um movimento associado à alta dos juros futuros e ao encarecimento da captação de recursos no mercado financeiro.

Os reajustes ocorreram em datas diferentes. O Bradesco alterou suas taxas a partir de 26 de outubro, o Itaú anunciou novas condições no dia 29 e o Santander passou a aplicar o aumento em 30 de outubro.

Com as mudanças, as taxas mínimas divulgadas passaram a 15% ao ano mais Taxa Referencial (TR) no Bradesco, 12,95% no Itaú e 12,49% no Santander. As condições efetivas, entretanto, podem variar conforme o perfil do cliente, o relacionamento com o banco e as características da operação.

Como ficaram as taxas dos bancos

O Bradesco iniciou o movimento de reajustes, elevando a taxa principal de 11,99% para 15% ao ano mais TR. Para clientes do segmento Private, a taxa passou de 11,70% para 13,60% ao ano mais TR, conforme informações divulgadas sobre as diferentes modalidades oferecidas pela instituição.

No Itaú, a taxa mínima foi reajustada de 11,99% para 12,95% ao ano mais TR. As condições também variam conforme o perfil do cliente: no segmento Private, a taxa parte de 12,89%, enquanto para pessoas que não possuem conta no banco pode chegar a 14,85% ao ano mais TR.

O Santander, por sua vez, elevou sua taxa mínima de 11,69% para 12,49% ao ano mais TR. A nova condição começou a valer em 30 de outubro.

Os percentuais representam referências das linhas divulgadas pelas instituições e não significam que todos os compradores terão acesso às mesmas taxas. A aprovação e as condições finais dependem da análise individual de crédito.

Por que os juros imobiliários subiram?

Os bancos relacionaram os reajustes às oscilações recentes dos juros futuros, que influenciam o custo de captação dos recursos utilizados para financiar imóveis.

Embora a taxa Selic seja uma referência importante para o mercado financeiro, o crédito imobiliário de longo prazo também é afetado pelas expectativas dos investidores em relação à inflação, às contas públicas e ao comportamento dos juros nos próximos anos.

Uma parte dos recursos utilizados pelos bancos para conceder financiamentos vem da poupança. Com a redução da participação dessa fonte no financiamento habitacional, as instituições também recorrem a instrumentos de captação como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

Quando os juros futuros sobem, a captação por esses instrumentos pode ficar mais cara. Esse aumento de custo pode ser incorporado às condições oferecidas aos consumidores.

O movimento chama a atenção porque ocorre mesmo com a Selic em trajetória de redução em 2026. A diferença está no fato de que os juros futuros refletem expectativas para períodos mais longos, enquanto a taxa básica representa a referência definida pelo Banco Central para a política monetária.

Caixa ainda não anunciou mudanças

A Caixa Econômica Federal ocupa posição de destaque no financiamento habitacional brasileiro e concentra uma parcela expressiva das operações destinadas à compra de imóveis.

Até a divulgação das informações reunidas pelo G1 e por outros veículos de imprensa em 30 de outubro, o banco não havia anunciado reajuste nas taxas. A instituição informou estar em período de silêncio antes da divulgação de seu balanço.

A possível alteração das condições da Caixa é acompanhada pelo mercado porque mudanças no banco podem ter repercussão significativa no acesso ao crédito imobiliário, especialmente entre famílias que dependem de linhas habitacionais com condições específicas.

Aumento dos juros pode reduzir o poder de compra

A elevação das taxas interfere no custo total do financiamento e pode aumentar o valor das prestações. Dependendo da renda familiar e do montante solicitado, o comprador pode precisar rever o valor do imóvel pretendido, ampliar a entrada ou buscar condições diferentes de pagamento.

Em financiamentos de longo prazo, pequenas diferenças na taxa de juros podem representar valores expressivos ao longo do contrato. O impacto depende do saldo financiado, do prazo, do sistema de amortização e dos encargos aplicáveis.

Por isso, uma proposta com taxa nominal aparentemente menor não é necessariamente a mais econômica. É importante considerar o Custo Efetivo Total (CET), que reúne juros, seguros obrigatórios, tarifas e demais despesas da operação.

O que compradores devem observar antes de contratar

Quem está planejando financiar um imóvel deve atualizar as simulações e comparar as condições oferecidas por diferentes instituições. Também é importante verificar se a taxa apresentada é uma condição inicial ou se já corresponde à proposta aprovada após a análise de crédito.

Outro ponto é observar o sistema de amortização. No Sistema de Amortização Constante (SAC), as parcelas começam mais altas e tendem a diminuir ao longo do tempo. Na tabela Price, as prestações são calculadas para manter valores constantes, consideradas as condições contratuais e os encargos aplicáveis.

O comprador também deve conferir o indexador utilizado para corrigir o saldo devedor, o prazo de financiamento, os seguros e as regras para utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), quando aplicáveis.

Para quem já possui uma proposta aprovada, vale confirmar com o banco o prazo de validade das condições e se a taxa está efetivamente garantida para a contratação.

Mudanças no crédito exigem atenção do mercado imobiliário

O aumento das taxas em três grandes bancos privados pode influenciar as negociações de compra e venda, o planejamento das famílias e as estratégias de incorporadoras, construtoras e profissionais do setor.

Com o crédito mais caro, parte dos compradores pode adiar a aquisição, procurar imóveis de menor valor ou ampliar o período de planejamento financeiro. Para corretores e imobiliárias, acompanhar as condições de financiamento também se torna importante para orientar clientes e atualizar simulações durante as negociações.

O cenário reforça que a decisão de comprar um imóvel não depende apenas do preço anunciado. As condições de crédito, o custo total do financiamento e a capacidade de pagamento ao longo dos anos precisam fazer parte da análise antes da assinatura do contrato.