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Apartamentos compactos avançam no Paraná

Avanço de unidades menores impulsiona condomínios com estruturas ampliadas de lazer e convivência, enquanto incorporadoras buscam equilibrar funcionalidade, preço e qualidade de moradia

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Os apartamentos compactos já representam quase 70% dos lançamentos verticais no Paraná, segundo levantamento da Ademi-PR · Foto: Divulgação/Gazeta do Povo

Apartamentos menores ganham espaço no mercado imobiliário paranaense

Os apartamentos compactos já representam quase 70% dos lançamentos verticais no Paraná. O dado faz parte de um levantamento da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR), realizado pela Brain Inteligência Estratégica no primeiro trimestre de 2026.

O avanço das unidades de menor metragem acompanha mudanças no mercado imobiliário e no perfil de quem procura um imóvel. Ao mesmo tempo que as incorporadoras buscam oferecer opções com preços mais acessíveis, os projetos residenciais passam a valorizar estruturas coletivas capazes de complementar a experiência de morar.

Nesse cenário, academias, salões de festas, playgrounds, espaços gourmet, áreas esportivas e ambientes ao ar livre ganham importância na composição dos empreendimentos. Parte das atividades que poderiam ocorrer dentro de apartamentos maiores passa a ser realizada nas áreas compartilhadas do condomínio.

Segundo reportagem da Gazeta do Povo, publicada em 23 de outubro de 2026, essa transformação já influencia a concepção de novos projetos residenciais no estado, inclusive no segmento econômico.

Curitiba registrou 1.863 apartamentos lançados no início de 2026

De acordo com o levantamento citado na reportagem, Curitiba registrou o lançamento de 1.863 apartamentos no início de 2026. A tendência também aparece na Região Metropolitana, onde empreendimentos econômicos vêm ganhando espaço em municípios próximos à capital.

A redução da área privativa está associada à busca por preços finais mais acessíveis e às mudanças nas necessidades dos compradores. Para quem procura o primeiro imóvel, por exemplo, o tamanho da unidade pode ser apenas um dos fatores considerados na decisão.

Localização, acesso a serviços, opções de lazer e infraestrutura coletiva também podem influenciar a escolha. A proposta dos novos projetos é combinar espaços privados funcionais com ambientes compartilhados destinados a diferentes atividades cotidianas.

Esse modelo, entretanto, exige avaliar o empreendimento como um conjunto. A metragem reduzida do apartamento não significa, necessariamente, que o condomínio terá custos de manutenção menores, pois a estrutura das áreas comuns, os equipamentos instalados e os serviços oferecidos também interferem nas despesas de operação.

Condomínio-clube chega aos empreendimentos econômicos

Uma das mudanças destacadas pela reportagem é a expansão do conceito de condomínio-clube para empreendimentos destinados ao público de menor renda.

Tradicionalmente associado a residenciais com estruturas amplas de lazer, o modelo também passou a ser adotado em projetos vinculados ao Minha Casa, Minha Vida (MCMV). A proposta concentra nas áreas coletivas recursos que dificilmente estariam disponíveis dentro de cada apartamento individual.

A incorporadora Lyx Participações e Empreendimentos, que atua no Paraná e no Rio Grande do Sul, afirma que essa lógica influencia seus novos projetos.

Segundo Paulo Antônio Kucher, vice-presidente comercial da empresa, a metragem continua sendo importante, mas precisa ser considerada em conjunto com os espaços e serviços oferecidos pelo condomínio.

A estratégia procura distribuir as funções da moradia entre a unidade privativa e as áreas compartilhadas. Enquanto o apartamento atende às necessidades particulares dos moradores, os espaços coletivos podem oferecer oportunidades de lazer, prática esportiva e convivência.

Empreendimento em Almirante Tamandaré terá 688 apartamentos

A reportagem cita como exemplo o Palm Coast, empreendimento em construção em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba.

O projeto prevê 688 apartamentos, com unidades entre 36 m² e 42 m², além de mais de 20 opções nas áreas comuns. Entre as estruturas mencionadas estão praia artificial, quadra de beach tennis, minigolfe e salões de festas.

A proposta ilustra como empreendimentos com apartamentos compactos podem incorporar uma infraestrutura coletiva diversificada, voltada a moradores de diferentes faixas etárias.

O modelo também apresenta desafios para a administração futura. Quanto maior a variedade de equipamentos e espaços compartilhados, maior a necessidade de planejamento para limpeza, conservação, inspeções, segurança e manutenção preventiva.

A definição das regras de utilização também será importante para organizar reservas, horários, capacidade de ocupação e responsabilidades dos usuários, conforme as características de cada condomínio.

Áreas comuns ganham importância na experiência de moradia

A expansão dos apartamentos compactos amplia a relevância das áreas comuns na rotina dos moradores. Academias, salões de festas, playgrounds e espaços de convivência deixam de ser apenas diferenciais comerciais e passam a integrar a proposta de utilização do empreendimento.

Esse cenário exige que incorporadoras considerem não apenas a atratividade dos equipamentos durante a venda, mas também as condições necessárias para mantê-los em funcionamento depois da entrega.

Para síndicos e administradoras, a existência de uma estrutura ampla pode representar uma rotina operacional mais complexa. Equipamentos esportivos, áreas molhadas, espaços gourmet e ambientes externos possuem necessidades distintas de conservação e podem demandar contratos especializados, inspeções periódicas e despesas recorrentes.

Por isso, o planejamento financeiro deve considerar o conjunto de estruturas entregues, a frequência de uso esperada e os custos de manutenção ao longo do tempo.

A disponibilidade de lazer dentro do condomínio pode ampliar as possibilidades de utilização dos espaços, mas a sustentabilidade da operação depende de uma gestão compatível com as características do empreendimento.

Gestão condominial precisa acompanhar a estrutura oferecida

A popularização dos apartamentos compactos também reforça a importância de preparar a gestão antes que os problemas operacionais apareçam.

Entre os pontos que merecem atenção estão a elaboração de um plano de manutenção preventiva, a definição de procedimentos para utilização das áreas comuns, o dimensionamento dos serviços de limpeza e a previsão de recursos para reparos e substituição de equipamentos.

Outro aspecto relevante é a comunicação com os moradores. Regras claras sobre reservas, conservação dos ambientes, circulação de visitantes e utilização dos equipamentos ajudam a reduzir conflitos e preservar o patrimônio coletivo.

A administração também precisa acompanhar a evolução das despesas, identificar necessidades de manutenção e apresentar informações transparentes sobre o uso dos recursos do condomínio.

Esses cuidados são especialmente importantes em empreendimentos com muitas unidades e ampla infraestrutura compartilhada, nos quais o funcionamento das áreas comuns depende da organização dos serviços e da participação dos moradores.

Preço acessível e qualidade precisam caminhar juntos

O avanço dos apartamentos compactos reflete uma tentativa de equilibrar o custo de aquisição com as necessidades de moradia. No segmento econômico, esse desafio é particularmente relevante para compradores que buscam o primeiro imóvel.

Entretanto, a avaliação de um empreendimento não deve se limitar ao preço da unidade ou à quantidade de opções de lazer anunciadas. A funcionalidade da planta, a localização, a infraestrutura, a qualidade construtiva e os custos de manutenção também merecem atenção.

A tendência identificada no Paraná demonstra uma mudança na forma de distribuir os espaços residenciais: unidades privativas menores convivem com áreas coletivas mais diversificadas.

Para que esse modelo ofereça benefícios duradouros, o planejamento precisa considerar tanto a experiência dos moradores quanto a capacidade de manter o condomínio em boas condições ao longo dos anos.

O crescimento dos apartamentos compactos, portanto, não transforma apenas o mercado imobiliário. Também amplia a importância de uma gestão condominial preparada para administrar estruturas compartilhadas, preservar o patrimônio e equilibrar qualidade de vida e sustentabilidade financeira.