Vidro cai novamente de prédio em Itajaí
Nova queda ocorreu em horário de grande movimento e reacende denúncias sobre problemas de manutenção em edifício inaugurado em 2009

Um vidro de uma janela caiu na calçada do Centro Empresarial Leopoldo Fehlauer, na esquina das ruas Jorge Tzachel e Júlio Coutinho, no bairro Fazenda, em Itajaí (SC). O incidente ocorreu por volta das 8h de sexta-feira (9), em um horário de grande circulação de pessoas no local. Apesar do risco, ninguém ficou ferido.
Segundo denunciantes ouvidos pelo DIARINHO, esta não foi a primeira ocorrência envolvendo vidros do edifício. O prédio estaria passando por obras, mas, conforme os relatos, o novo incidente não teria relação com os trabalhos realizados no local.
Problemas nas esquadrias são apontados
Os denunciantes afirmam que algumas janelas chegaram a ser pregadas para impedir que fossem abertas, sob a alegação de que as esquadrias não suportariam mais a força do vento.
Segundo os relatos, o problema teria sido identificado após uma ocorrência anterior envolvendo a fachada do edifício, noticiada pelo DIARINHO em dezembro de 2025.
Um dos denunciantes chamou atenção para o risco de novos acidentes, principalmente porque o prédio fica em frente à praça da Beira Rio, uma área com circulação frequente de crianças e adultos.
“Graças a Deus é a segunda vez que não atinge ninguém. Mas não dá pra ficar contando com essa sorte”, afirmou o denunciante à reportagem.
Primeiro caso ocorreu em dezembro
Em 17 de dezembro do ano passado, o DIARINHO já havia publicado uma reportagem sobre problemas envolvendo as janelas do Centro Empresarial Leopoldo Fehlauer.
Na ocasião, um denunciante relatou que pelo menos duas janelas teriam caído e colocado em risco as pessoas que circulavam pela calçada. Também afirmou que reclamações sobre a situação vinham sendo encaminhadas ao proprietário e à síndica havia aproximadamente três anos.
Segundo o relato apresentado naquele momento, algumas janelas estavam emperradas e os usuários das salas eram orientados a não abri-las.
Administração apresentou outra versão
Após a primeira reportagem, o Centro Empresarial Leopoldo Fehlauer divulgou uma nota de esclarecimento contestando a informação de que teria ocorrido uma queda de janela.
Segundo a administração, houve o desprendimento da pele de vidro depois que uma funcionária abriu uma janela durante fortes rajadas de vento. A direção afirmou que a força do vento provocou o desprendimento do vidro.
Na época, a administração informou que havia publicado uma notificação interna e isolado a área ao redor do edifício como medida de segurança para funcionários, usuários e pedestres.
O vidro teria sido posteriormente reposto.
Prédio foi inaugurado em 2009
O Centro Empresarial Leopoldo Fehlauer foi inaugurado em 2009. Segundo um dos denunciantes, o edifício apresentaria sinais de desgaste e necessitaria de manutenção.
Além das reclamações relacionadas às janelas, o denunciante afirmou que os elevadores do prédio teriam parado de funcionar cinco vezes em um período de dez meses e classificou os equipamentos como sucateados.
As informações, entretanto, fazem parte dos relatos apresentados pelos denunciantes e não representam uma conclusão técnica sobre as condições estruturais do edifício.
Manutenção de fachadas exige acompanhamento
A nova queda chama atenção para a importância da manutenção preventiva de fachadas, esquadrias e elementos envidraçados em edifícios empresariais e residenciais.
Componentes expostos à ação do vento, chuva, variações de temperatura e outros fatores ambientais podem sofrer desgaste ao longo do tempo. Por isso, inspeções periódicas são fundamentais para identificar folgas, deterioração de fixadores, problemas nas esquadrias e outras condições que possam comprometer a segurança.
Quando são identificados sinais de risco, a avaliação deve ser realizada por profissionais habilitados, capazes de determinar a origem do problema e indicar as medidas corretivas adequadas.
Segurança não depende apenas da reposição do vidro
A simples substituição de um vidro danificado não necessariamente resolve a causa de um problema. Quando existe suspeita de falha em esquadrias, sistemas de fixação ou outros componentes da fachada, é necessário investigar o conjunto da estrutura.
A análise técnica pode indicar se o problema está relacionado ao próprio vidro, aos elementos de sustentação, às esquadrias, à instalação ou a fatores externos, como a ação de ventos.
Esse cuidado é especialmente importante quando ocorre um segundo incidente em um mesmo edifício, pois a repetição do problema exige uma avaliação mais ampla das condições de segurança.
Áreas de circulação aumentam preocupação
A localização do edifício também torna o episódio relevante. A queda ocorreu diretamente sobre a calçada, onde havia circulação de pessoas durante o horário do incidente.
Elementos que se desprendem de fachadas podem atingir pedestres, veículos ou usuários do próprio empreendimento. Por isso, a prevenção deve considerar não apenas quem ocupa o prédio, mas também as pessoas que circulam no entorno.
Em situações de risco, medidas como isolamento preventivo da área e restrição de acesso podem ser necessárias até que uma avaliação técnica determine as condições de segurança.
Administração não foi localizada
Na quarta-feira (9), o DIARINHO informou que não conseguiu contato com os administradores do espaço para esclarecer o motivo da nova queda do vidro.
A ausência de uma manifestação sobre o segundo episódio impede, até o momento, uma conclusão sobre as causas do incidente ou sobre eventual relação com os problemas relatados anteriormente.
A administração havia afirmado, após o primeiro caso, que mantinha serviços preventivos e corretivos de forma contínua, com registros documentados e contratos com empresas especializadas. Também negou falhas de manutenção ou omissão da gestão.
Caso reforça importância da manutenção preventiva
A nova queda de vidro no Centro Empresarial Leopoldo Fehlauer mostra como problemas envolvendo elementos de fachada podem representar risco direto para usuários e pedestres.
Independentemente das causas que serão eventualmente identificadas por uma avaliação técnica, a repetição de ocorrências reforça a necessidade de inspeções periódicas, manutenção adequada e acompanhamento profissional das condições de esquadrias e fachadas.
Para síndicos, administradores e responsáveis por edifícios, a prevenção deve incluir registros das inspeções, serviços realizados, substituições de componentes e recomendações técnicas. Em caso de sinais de deterioração ou desprendimento, a intervenção preventiva pode ser determinante para evitar acidentes.
No caso de Itajaí, o vidro voltou a cair sem atingir pessoas. O episódio, porém, evidencia que a segurança de uma edificação não pode depender da sorte: manutenção, inspeção e correção de problemas devem fazer parte da rotina de gestão e conservação predial.
Fonte: Diarinho