Quadras de tênis viram diferencial em imóveis de luxo
Impulsionada pela popularidade de João Fonseca, a estrutura esportiva passou a ser um diferencial para compradores de imóveis de alto padrão

A popularização do tênis no Brasil, impulsionada pelo desempenho do atleta João Fonseca, começa a provocar mudanças também no mercado imobiliário de luxo. Em empreendimentos de alto padrão, as quadras de tênis deixaram de ser apenas um item adicional de lazer e passaram a ser consideradas um diferencial relevante por parte dos compradores.
Dados da Brain Inteligência Estratégica enviados à Forbes mostram que, antes de 2023, no máximo 22% dos empreendimentos de luxo e superluxo de São Paulo tinham quadras de tênis. Em 2025, esse percentual saltou para 38%.
Quando considerada a proporção em relação às unidades, o índice chega a 42%. Dos 16 empreendimentos de luxo e superluxo mapeados na capital paulista, seis possuem quadra de tênis.
“Tem cliente que só topa comprar um apartamento em um prédio de luxo se ele tiver quadra”, afirma Bruno Cardoso, CEO da Lux Incorporadora.
Segundo o executivo, a quadra passou a ser vista como o “ápice de um projeto de alto padrão” e altera significativamente a percepção de valor desses empreendimentos.
O movimento acompanha o crescimento da popularidade do esporte no país. O tênis também ganhou força após o período de expansão do beach tennis, que perdeu parte do espaço conquistado nos anos anteriores. Parte dos praticantes acabou migrando para o tênis, modalidade tradicional e já consolidada.
A presença das quadras nos próprios empreendimentos também oferece maior comodidade aos moradores. Em clubes, os praticantes precisam disputar horários e adaptar a atividade à rotina semanal, enquanto os condomínios de alto padrão permitem maior facilidade de acesso ao esporte.
Um exemplo é o Esporte Clube Pinheiros, um dos clubes mais tradicionais do país, que conta com 24 quadras de tênis e cerca de 39 mil associados, o equivalente a uma média de 1,6 mil associados por quadra.
O crescimento do esporte também contribuiu para a chegada ao Brasil da Junior Series do Australian Open, primeiro dos quatro torneios de Grand Slam da temporada.
A competição será realizada no Boa Vista Village, empreendimento da JHSF em Porto Feliz, no interior de São Paulo. A parceria contempla as edições de 2026, 2027 e 2028.
“A própria capacitação da gestão da CBT [Confederação Brasileira de Tênis] nos últimos dez anos proporcionou oportunidade de formação de novos treinadores, o pessoal forma novos talentos, que por sua vez geram ídolos e isso atrai novos praticantes, um ciclo virtuoso”, comenta Mauro Correa, sócio-fundador da Golden Goal, agência oficial do Australian Open na América do Sul, e sócio da SISU Ventures.
De acordo com o executivo, um dos dados que chamaram atenção foi o consumo de transmissões do Australian Open entre brasileiros. Por causa da diferença de fuso horário, o número de horas de livestream consumidas no país fica abaixo da média. Nas redes sociais, porém, o engajamento brasileiro é expressivo.
“O engajamento digital, sobretudo nas horas da manhã, bate qualquer recorde de outro país quando analisamos um recorte fora do eixo Ásia-Pacífico”, afirma.
Quantos metros quadrados são necessários?
Com o aumento do número de praticantes e a maior exigência dos compradores, as quadras de tênis passaram a ser preferidas em alguns projetos em relação às quadras poliesportivas. Quando incluídas, há ainda a preferência por estruturas que sigam os padrões oficiais.
Uma quadra de tênis oficial possui dimensões padronizadas pela International Tennis Federation (ITF), com 23,7 metros de comprimento e 8,2 metros de largura. Para partidas em duplas, a largura chega a 10,9 metros.
As dimensões correspondem a 195 metros quadrados para uma quadra destinada a partidas individuais e 260 metros quadrados para uma quadra de duplas. As estruturas podem ser construídas em saibro, piso duro, conhecido como hard court, ou grama.
A área necessária para implantação, no entanto, é superior ao espaço ocupado exclusivamente pela quadra.
Bruno Cardoso, da Lux Incorporadora, explica que a preferência do mercado tem sido por quadras de saibro. Para projetos com esse atributo, um dos principais desafios está na disponibilidade de terrenos de grande metragem, especialmente na capital paulista.
“Considerando o tamanho da quadra oficial, você precisará de uma fatia do terreno em torno de 600 a 700 metros quadrados. Menos do que isso fica difícil de encaixar, considerando que você ainda terá a torre residencial e outras coisas, afora essa metragem dedicada para a quadra”, explica.
O efeito João Fonseca, em números
O desempenho de João Fonseca também aparece nos indicadores de interesse do público pelo esporte. Em 2025, o tenista brasileiro foi o nome mais buscado no Google, segundo dados do Google Trends, superando Donald Trump e Fernanda Torres.
Em 2026, até o momento, o nome do atleta registra crescimento de 40% no volume de buscas em relação ao mesmo período do ano anterior.
O interesse também aparece entre os praticantes mais jovens. Segundo informações da agência de notícias AFP, a Federação Paulista de Tênis registrou aumento de 34% no número de inscritos no Campeonato Nacional Infantil e Juvenil e na Copa das Federações em 2025, na comparação com o ano anterior.
Outro marco ocorreu em maio de 2026, quando o confronto entre João Fonseca e Novak Djokovic em Roland Garros alcançou números históricos de audiência.
A partida foi o jogo de tênis mais assistido da história da TV paga brasileira, com média de 0,9 ponto e pico de 1,3 ponto no Painel Nacional de Televisão (PNT), durante a transmissão pela ESPN 2 e Disney+. O confronto superou os recordes de audiência do tênis no país desde 1991.
Além da repercussão, Fonseca venceu Djokovic por 3 sets a 2, após 4 horas e 53 minutos de partida.

JHSF traz Junior Series de Grand Slam de tênis para São Paulo
A parceria de longo prazo entre a JHSF e o Australian Open garante a realização das Junior Series do torneio no Brasil até 2028. O anúncio ocorreu em agosto, durante evento no São Paulo Surf Club, no Morumbi.
“Todos os nossos empreendimentos são desenvolvidos olhando muito para o estilo de vida desse cliente, os hábitos de vida desse cliente, como ele vive e o que podemos oferecer para proporcionar uma conexão maior e um melhor aproveitamento do tempo dele com a família, com os amigos, enfim. E o esporte é a base disso”, avalia Augusto Martins, CEO da JHSF.
A Junior Series funciona como uma etapa classificatória. O campeão garante uma vaga na chave principal de simples juvenil do Australian Open, em Melbourne.
No Boa Vista Village, as quadras serão instaladas pela GreenSet Worldwide, fornecedora oficial das quadras do Australian Open. A estrutura reproduzirá a mesma cor e a mesma velocidade de jogo utilizadas em Melbourne.
Será a primeira vez que um empreendimento fora do território australiano receberá quadras nesse padrão.
Ao todo, serão oito quadras. Três já existem no Racquet Club, duas novas serão construídas e cobertas no mesmo espaço e outras três serão instaladas no Grand Lodge Residences, sendo duas internas e uma externa.
O movimento evidencia como a expansão de determinadas modalidades esportivas pode influenciar a concepção de empreendimentos residenciais de alto padrão. No caso do tênis, a valorização da infraestrutura esportiva acompanha o crescimento da base de praticantes e o interesse por experiências de lazer integradas ao cotidiano dos moradores.

Fonte: FORBES