Pular para o conteúdo
Engenharia

Arranha-céus desafiam limites da engenharia

Jeddah Tower, na Arábia Saudita, e Senna Tower, em Balneário Camboriú, estão entre os projetos que levam a engenharia e o mercado de alto padrão a novos limites

Prédios de mais de 1 km e torre de Senna desafiam o Burj Khalifa no mercado imobiliário
Foto: Jeddah Tower terá mil metros de altura e será o maior arranha-céu do mundo — Foto: Adrian Smith/Gordon Gill Architecture/Divulgação

A disputa pelos maiores arranha-céus do mundo está levando a arquitetura e a engenharia civil a patamares cada vez mais extremos. Enquanto o Burj Khalifa, em Dubai, mantém o posto de edifício mais alto do mundo, novos projetos em diferentes países foram concebidos para superar seus números e estabelecer novos recordes.

Entre os empreendimentos que chamam atenção estão a Jeddah Tower, na Arábia Saudita, projetada para ultrapassar 1.000 metros de altura, e a Senna Tower, em Balneário Camboriú, que pretende alcançar aproximadamente 550 metros e assumir o posto de edifício residencial mais alto do planeta.

Jeddah Tower busca superar 1 quilômetro

Localizada na Cidade Econômica de Jeddah, na Arábia Saudita, a Jeddah Tower foi projetada para ultrapassar a marca de 1 quilômetro de altura. O empreendimento terá pelo menos 167 andares e deverá reunir unidades residenciais de alto padrão, escritórios, hotel, áreas de observação e espaços de entretenimento.

O projeto representa um dos maiores desafios atuais da engenharia de arranha-céus. Além da altura, a construção exige soluções estruturais capazes de lidar com forças provocadas pelos ventos, grandes cargas e deslocamentos naturais de uma estrutura dessa dimensão.

A previsão é que a torre seja concluída em 2028. Se atingir a altura planejada, ultrapassará significativamente os 828 metros do Burj Khalifa.

Burj Khalifa ainda ocupa o topo

Inaugurado em Dubai em 2010, o Burj Khalifa permanece como referência mundial quando o assunto são edifícios de grande altura. A torre alcança 828 metros e reúne unidades residenciais, escritórios, hotel e áreas de observação.

O edifício tornou-se também um marco turístico e imobiliário para Dubai, demonstrando como empreendimentos de grande porte podem ultrapassar a função de moradia ou trabalho e se transformar em símbolos urbanos.

A construção de novos gigantes, portanto, não representa apenas uma disputa por metros. Os projetos também competem pela capacidade de gerar valorização imobiliária, atrair investimentos e criar novos polos de desenvolvimento.

Senna Tower leva a disputa ao Brasil

Em Balneário Camboriú, Santa Catarina, a Senna Tower segue uma proposta diferente. O projeto não busca superar a Jeddah Tower em altura absoluta, mas pretende se tornar o edifício residencial mais alto do mundo.

A torre está associada à FG Empreendimentos e à família Senna e foi projetada para atingir aproximadamente 550 metros, com mais de 150 pavimentos previstos.

O empreendimento coloca Balneário Camboriú no centro da discussão internacional sobre edifícios superaltos e reforça a presença da cidade catarinense no segmento de imóveis de alto padrão.

Engenharia precisa acompanhar a altura

Quanto maior um edifício, maiores são os desafios relacionados à estrutura, ao vento, às fundações, aos sistemas de transporte vertical e às instalações prediais.

Em torres superaltas, os elevadores precisam ser planejados para transportar moradores e usuários de maneira eficiente, enquanto os sistemas hidráulicos, elétricos, de climatização e de segurança precisam funcionar em uma estrutura que pode ter centenas de metros de altura.

A própria movimentação provocada pelo vento passa a ser uma variável fundamental. A engenharia precisa encontrar soluções que garantam estabilidade estrutural e conforto para quem ocupa os pavimentos superiores.

Tecnologia se torna parte do empreendimento

A evolução dos arranha-céus depende diretamente da incorporação de novas tecnologias. Materiais estruturais, sistemas de monitoramento, automação predial e equipamentos de segurança precisam acompanhar a escala dos projetos.

No caso da Senna Tower, por exemplo, o projeto prevê o uso de tecnologia de amortecimento para reduzir os efeitos das oscilações provocadas pelo vento.

Esse tipo de solução demonstra que a engenharia de edifícios superaltos não termina na conclusão da estrutura. O desempenho da edificação precisa ser acompanhado durante sua operação.

Grandes torres mudam a dinâmica imobiliária

A construção de edifícios dessa dimensão também produz efeitos sobre o mercado imobiliário. Empreendimentos superaltos costumam estar associados a imóveis de alto padrão, serviços exclusivos e forte apelo de localização.

A verticalização permite concentrar diferentes usos em uma única estrutura e, dependendo do projeto, pode combinar residências, hotelaria, comércio, lazer e serviços.

Para as cidades, entretanto, a chegada de uma megatorre também exige planejamento urbano. Mobilidade, infraestrutura, abastecimento, circulação de pessoas, impacto no entorno e capacidade dos serviços públicos precisam ser considerados.

Gestão condominial ganha complexidade

A operação de um edifício superalto exige uma estrutura de gestão proporcional à sua dimensão. Sistemas de elevadores, geradores, bombas, combate a incêndio, controle de acesso e automação demandam manutenção permanente e equipes especializadas.

Em empreendimentos de alto padrão, a gestão também precisa administrar uma quantidade maior de equipamentos e serviços, além de atender expectativas elevadas dos moradores.

A manutenção preventiva ganha ainda mais importância porque uma falha em um sistema essencial pode afetar um grande número de unidades simultaneamente.

Arranha-céus representam uma nova fronteira

A corrida entre projetos como Jeddah Tower, Senna Tower e outros grandes empreendimentos demonstra que a construção civil continua ampliando seus limites técnicos e comerciais.

A Jeddah Tower pretende levar a altura dos edifícios para além de 1 quilômetro, enquanto a Senna Tower busca consolidar o Brasil entre os países com projetos residenciais de escala superalta.

Mais do que estabelecer recordes, essas construções representam laboratórios de inovação para a engenharia, a arquitetura e a gestão imobiliária. Cada novo empreendimento exige soluções específicas para estrutura, segurança, mobilidade, eficiência e operação.

Para o mercado imobiliário, o avanço dessas torres também reforça uma tendência: quanto mais sofisticados os empreendimentos, maior é a necessidade de planejamento técnico e profissionalização da gestão. A altura pode ser o elemento mais visível, mas a verdadeira complexidade está na capacidade de manter toda essa estrutura funcionando com segurança, eficiência e qualidade ao longo de décadas.

Fonte: O Globo