Engenharia

Justiça determina demolição de obra em SP

Construção da mesma empresa responsável por desabamento que matou seis pessoas apresenta falhas estruturais graves e fica ao lado de uma escola infantil

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Justiça determina demolição de obra em SP · Foto: Reprodução/TV Globo

Justiça determina demolição emergencial de construção abandonada

A Justiça de São Paulo determinou que a Prefeitura da capital realize a demolição emergencial de um prédio em construção localizado na Avenida Padres Olivetanos, na Vila Esperança, zona leste da cidade. A decisão estabelece prazo de dez dias úteis para a execução do serviço, sob pena de multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.

A edificação pertence à construtora New Home, a mesma empresa responsável pelo prédio que desabou no bairro da Penha em 12 de setembro de 2026, provocando a morte de seis pessoas.

De acordo com a reportagem do Metrópoles, a determinação judicial foi fundamentada na existência de anomalias estruturais graves e no risco representado pela permanência da construção. A obra estava abandonada, e a Prefeitura informou que o imóvel já havia sido interditado após uma fiscalização realizada em setembro.

Laudo aponta falhas estruturais e risco de ruína

O laudo pericial citado no processo identificou problemas relevantes na estrutura, entre eles vigas sem concretagem e ferragens estruturais expostas. O documento também apontou risco de ruína iminente associado a um possível deslizamento lateral.

Diante das condições identificadas, o juiz Alberto Carlos Nogueira Costa, da 2ª Vara Cível do Foro Regional da Penha, considerou necessária a demolição emergencial para reduzir o risco à população.

A decisão atribuiu à Prefeitura a execução do serviço, diante da situação da construção e da omissão apontada em relação à empresa responsável.

Escola infantil vizinha também foi afetada

Um dos fatores que ampliaram a preocupação das autoridades foi a proximidade entre a obra e uma escola de educação infantil. Segundo a reportagem, a instituição precisou ser interditada para preservar a integridade de crianças e responsáveis.

A escola participa do processo judicial e busca a demolição compulsória da estrutura, com o objetivo de eliminar o perigo associado à construção.

O episódio evidencia que problemas estruturais podem afetar não apenas o imóvel onde são identificados, mas também edificações vizinhas, áreas de circulação e serviços que funcionam no entorno.

Prefeitura informa que a obra estava interditada

A Subprefeitura da Penha confirmou que foi notificada da decisão judicial e informou que o cronograma para a execução da demolição estava em elaboração.

Em nota, a administração municipal acrescentou que uma equipe de fiscalização esteve no endereço em setembro e interditou a construção, que se encontrava abandonada.

A Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento também informou que os pedidos de Alvará de Aprovação e Execução de Edificação Nova para o local foram indeferidos em 16 de maio de 2025 e em 8 de julho de 2026.

Essas informações integram o contexto administrativo da obra e reforçam a importância da regularidade documental, da fiscalização e do cumprimento das determinações emitidas pelos órgãos competentes.

Caso se relaciona a desabamento que deixou seis mortos

A decisão ocorre após o desabamento de outro empreendimento da mesma construtora, na Penha, em 12 de setembro de 2026. O edifício em construção caiu sobre uma residência, provocando seis mortes, entre elas a de uma mulher grávida.

O episódio motivou investigações para apurar as circunstâncias do colapso e eventuais responsabilidades. O Ministério Público de São Paulo também solicitou informações à Prefeitura sobre o histórico de fiscalização, licenciamento e vistorias relacionadas à obra e aos imóveis vizinhos.

As apurações sobre o desabamento continuam sendo conduzidas pelas autoridades competentes. A existência de investigações não significa, por si só, que todas as responsabilidades estejam definitivamente estabelecidas.

Segurança estrutural exige atenção preventiva

O caso chama a atenção para a necessidade de identificar e tratar rapidamente situações que possam comprometer a estabilidade de uma edificação. Em condomínios residenciais e comerciais, sinais como fissuras relevantes, deformações, deslocamentos, infiltrações persistentes ou desprendimento de materiais devem ser avaliados por profissionais habilitados, sem que se tente determinar a gravidade do problema apenas pela aparência.

Quando houver suspeita de risco estrutural, a recomendação é restringir o acesso às áreas potencialmente afetadas, acionar os responsáveis técnicos e os órgãos competentes e seguir as orientações de segurança. Em situações de perigo imediato, deve-se procurar os serviços públicos de emergência.

A manutenção preventiva, a contratação de profissionais qualificados, a documentação das intervenções e o acompanhamento de obras vizinhas podem contribuir para a gestão de riscos. Embora nem todo problema estrutural leve a um desabamento, a avaliação técnica e a adoção de medidas adequadas são essenciais para evitar que situações perigosas se agravem.

O episódio da Vila Esperança demonstra como obras abandonadas e falhas estruturais podem ultrapassar os limites de um único terreno e ameaçar pessoas que vivem, trabalham ou estudam nas proximidades.