Construção desacelera no RN em agosto
Metro quadrado chegou a R$ 1.866,99 no estado, com materiais respondendo por 60,4% do custo e mão de obra por 39,6%

O custo médio do metro quadrado da construção civil no Rio Grande do Norte chegou a R$ 1.866,99 em agosto, segundo dados do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Caixa Econômica Federal. O valor representa alta de 0,23% em relação a julho.
Apesar do avanço, o resultado mostra uma desaceleração em relação ao mês anterior. Em julho, o custo havia aumentado 0,28%. No acumulado de 2026, entretanto, a alta chega a 6,71%, enquanto o avanço em 12 meses alcança 7,95%.
A composição do custo mostra que os materiais continuam representando a maior parcela das despesas. Em agosto, foram contabilizados R$ 1.127,79 por metro quadrado em materiais de construção, equivalentes a 60,4% do total. A mão de obra respondeu pelos outros 39,6%, com custo de R$ 739,20 por metro quadrado.
O levantamento também coloca o Rio Grande do Norte entre os estados com menor custo de mão de obra na construção civil. O valor potiguar é o segundo mais baixo do País, atrás apenas de Alagoas, onde a parcela correspondente ficou em R$ 717,71 por metro quadrado em agosto.
O Sinapi acompanha mensalmente os custos de materiais, equipamentos, serviços e mão de obra utilizados em diferentes tipos de obras. Os dados servem como referência para elaboração e atualização de orçamentos, além de apoiar análises relacionadas a contratos e investimentos no setor.
Para construtoras e incorporadoras, a evolução do indicador interfere diretamente no planejamento financeiro dos empreendimentos. Mesmo com a perda de ritmo observada em agosto, o acumulado de 7,95% em 12 meses mantém os custos em patamar superior ao registrado no mesmo período anterior.
A variação também pode influenciar a formação dos preços dos imóveis. Quando os custos de materiais, mão de obra e demais serviços avançam, empresas precisam reavaliar orçamentos, margens, cronogramas e projeções de novos projetos para preservar a viabilidade econômica das obras.
Outro impacto pode ocorrer nos contratos de construção. Em obras de maior duração, alterações nos custos dos insumos podem exigir atualizações dos valores previstos, especialmente quando existem mecanismos de reajuste vinculados a índices de preços ou cláusulas específicas.
Para o setor público, o Sinapi também possui importância como referência para orçamentos e atualização de contratos de obras. A variação dos custos pode, portanto, repercutir em projetos de habitação, infraestrutura e saneamento.
O resultado de agosto indica, ao mesmo tempo, dois movimentos distintos: a pressão mensal sobre os custos perdeu intensidade, mas o encarecimento acumulado continua significativo. Para empresas do setor, o cenário exige acompanhamento permanente dos preços e planejamento financeiro capaz de absorver oscilações ao longo da execução dos empreendimentos.
Com a construção civil operando em ciclos que podem se estender por anos, a evolução dos custos precisa ser considerada desde a elaboração do orçamento até a conclusão da obra. O acompanhamento de indicadores como o Sinapi permite atualizar projeções e reduzir o risco de que aumentos não previstos comprometam o equilíbrio financeiro dos projetos.
Fonte: AGORARN