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Engenharia

Carros elétricos desafiam infraestrutura dos condomínios

Avanço dos veículos eletrificados aumenta demanda por carregadores e exige adequação da infraestrutura elétrica dos edifícios

Crescimento na venda de carros elétricos acende alerta em condomínios do Rio de Janeiro
Foto: Carro elétrico sendo carregado. - Foto: Reprodução

O avanço dos veículos eletrificados no Brasil começa a criar novos desafios para os condomínios residenciais. O aumento da frota de carros elétricos e híbridos amplia a procura por pontos de recarga nas garagens e coloca em evidência a necessidade de adequação da infraestrutura elétrica dos edifícios.

Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), entre janeiro e julho de 2026 foram emplacados 271.091 veículos eletrificados no país, volume 21% superior ao registrado em todo o ano de 2025. No estado do Rio de Janeiro, as vendas cresceram 82% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O crescimento da frota ocorre em um cenário no qual grande parte dos edifícios não foi planejada para suportar a nova demanda energética provocada pela instalação de carregadores. A situação pode exigir estudos técnicos, adaptações da rede elétrica e definição de regras internas para utilização dos equipamentos.

Rio ainda discute regulamentação

Enquanto São Paulo já possui legislação que garante a instalação de carregadores em vagas privativas, o Rio de Janeiro ainda debate a regulamentação do assunto.

O Projeto de Lei 7.546/2026, que trata da instalação de infraestrutura para veículos elétricos em condomínios fluminenses, está em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Em 2025, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) derrubou uma legislação anterior que obrigava os condomínios a instalarem os equipamentos, considerando a norma incompatível com a autonomia condominial.

Para o especialista em infraestrutura para veículos elétricos David Roland, o avanço das vendas exige uma adaptação estrutural e regulatória capaz de acompanhar a velocidade de crescimento da frota.

“O aumento nas vendas de eletrificados no Rio de Janeiro mostra que o consumidor já fez sua escolha. No entanto, a infraestrutura dos edifícios, em sua grande maioria, não foi planejada para suportar essa nova demanda energética. Essa desproporção gera conflitos e riscos que precisam ser gerenciados de forma técnica”, alerta Roland.

Condomínios já recebem pedidos de carregadores

A demanda já faz parte da rotina de condomínios cariocas. Priscila Costa, síndica responsável pela administração de três empreendimentos na Zona Norte, relatou que moradores começaram a solicitar a instalação de carregadores.

Os condomínios administrados por ela possuem entre 350 e 480 unidades e contam com pelo menos quatro carros elétricos em cada empreendimento. Diante dos pedidos, a administração procurou uma empresa especializada para avaliar as alternativas disponíveis.

Em um dos empreendimentos, a empresa Power Up realizou a instalação sem custo para o condomínio. Conforme comunicado aos moradores, o equipamento utiliza energia somente quando está em funcionamento, com o carregamento sendo iniciado pelo aplicativo.

A empresa também realiza mensalmente a prestação de contas do consumo, ressarce integralmente o condomínio pelo valor da energia utilizada e repassa 5% sobre a utilização, conforme o contrato firmado.

Cobrança precisa ser individualizada

A forma de cobrança da energia utilizada pelos veículos é outro ponto que exige atenção da administração. O consumo provocado pela recarga deve ser atribuído ao usuário responsável, evitando que os demais moradores arquem com uma despesa que não corresponde ao próprio uso.

Entre as alternativas estão medidores individuais e sistemas de carregamento compartilhado administrados por empresas especializadas.

Além da cobrança, o condomínio precisa avaliar previamente a capacidade da instalação elétrica existente. A inclusão de novos pontos de recarga sem uma análise técnica pode provocar sobrecarga e aumentar os riscos para o edifício.

Segurança exige instalação adequada

Enquanto não existe uma legislação estadual específica em vigor regulamentando de forma ampla o direito à instalação dos carregadores, as normas de segurança têm papel fundamental nos condomínios fluminenses.

Segundo David Roland, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) estabeleceu diretrizes para a utilização desses equipamentos. O uso de tomadas comuns, classificadas como modo 2, não é permitido em garagens. São previstos carregadores específicos, como os modelos wallbox, classificados como modo 3, e os carregadores rápidos, de modo 4.

A instalação sem projeto técnico adequado representa um dos principais pontos de preocupação. A ABNT NBR 17019 estabelece requisitos para sistemas de recarga de veículos elétricos em edificações, incluindo circuito exclusivo, dispositivos de proteção, como disjuntores e DR, e avaliação da capacidade elétrica do prédio.

O CBMERJ também recomenda que os equipamentos sejam instalados em áreas externas ou térreas e que o sistema elétrico do condomínio esteja regularizado e tenha certificado de aprovação válido.

Com o crescimento da frota eletrificada, a instalação de carregadores passa a integrar diretamente o planejamento da infraestrutura condominial. Para síndicos e administradoras, a adoção de soluções técnicas adequadas, a individualização do consumo e o cumprimento das normas de segurança são medidas essenciais para acompanhar a nova demanda sem comprometer a segurança e o funcionamento dos edifícios.

Fonte: Diario do Rio